21 julho 2008

Pobre de Espírito

Pobreza – do lat. paupertas - significa falta do necessário à vida. Confunde-se, em geral, com miséria, em que há falta até do essencial. Na pobreza, há carência do relativamente supérfluo. Diz-se relativamente porque a pobreza em um estado pode ser miséria em outro, e o que é supérfluo a uns pode ser já o necessário para outro.

No vocabulário cristão, a palavra pobreza tem uma ambigüidade que é preciso esclarecer. Em primeiro lugar, ela pode representar a simples carência de bens. Em segundo lugar, está relacionada com a passagem evangélica, em que Jesus diz: "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus". (Mateus, cap. V, v. 3). O sentido de "pobres de espírito" ou "pobres em espírito" é muito discutido. Não significa desapego, mas refere-se às classes humildes, cujo espírito é oprimido pela necessidade e pelo abatimento.

O caráter revolucionário dessa afirmação não deve ser menosprezado: é uma resposta implícita à arrogância dos fariseus. A maldição da pobreza é substituída pela bem-aventurança, que excede toda a riqueza. O termo não significa que apenas os pobres entram no reino do céu, mas também os pobres. É, assim, uma avaliação positiva da pobreza e não uma crítica negativa da riqueza.

A pobreza pregada por Jesus é uma atitude de livre escolha com relação aos bens espirituais. Difere fundamentalmente da carência de bens materiais. No seu sentido mais profundo, é a aderência do crente à vontade do Criador, a resignação ante os revezes da fortuna, a simplicidade de coração, a pureza dos sentimentos, ou seja, a ingenuidade da alma, que se assemelha à criança.

Simplicidade de coração e humildade de espírito são as molas propulsoras de nosso progresso espiritual. Nesse sentido, o ignorante que possui essas qualidades será preferido ao sábio que as desdenha. É que para alcançarmos o reino do céu devemos crer mais na Providência Divina do que em nós mesmos. Dessa forma, Jesus aproveitava todas as suas oportunidades para exaltar a humildade, que nos aproxima de Deus, e combater o orgulho, que nos distancia Dele.

Não nos abatamos quando formos menosprezados e taxados de "pobres em espírito". O importante é crescermos em humildade e simplicidade de coração.

São Paulo, 08/12/1996
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Deus e Mamon

Deus – do lat. Deus, pelo gr. Theos – é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. Mamon  do lat. tardio mammona ou mammonas  significa dinheiro, riqueza, propriedades. Deriva de Mamon, Deus das riquezas da mitologia Síria e fenícia.

São Lucas, no cap. XVI, v. 13 do seu Evangelho, narra a passagem em que Jesus condena a riqueza nos seguintes termos: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque, ou odiará a um e amará ao outro, ou se afeiçoará a um e desprezará o outro. Não podeis servir, ao mesmo tempo, a Deus e a Mamon". Como há inúmeros textos evangélicos condenando a riqueza, tem-se a impressão de que o Cristianismo subestima a dimensão econômica do homem.

A Bíblia do Velho Testamento, por exemplo, faz uma apologia positiva da riqueza, dizendo que ela é aspiração humana e bênção divina. Já a Bíblia do Novo Testamento, principalmente com Jesus, abomina-a. Para compreendermos a mudança no eixo com relação à riqueza, convém raciocinarmos em termos dos elementos culturais da época de Jesus. No começo da era cristã, os romanos detinham o poder e abusavam de suas posses materiais. É nesse sentido que Jesus condena a riqueza, ou seja, sua má utilização, não a sua posse.

O homem tem anseio natural à aquisição de bens materiais. Deles provém a sua subsistência vital. Como é vital, acaba enfatizando-a, em detrimento dos bens espirituais. Observe os esforços infrutíferos do marxismo com relação ao fim da desigualdade dos bens possuídos e do direito de propriedade privada. A distribuição justa da riqueza é muito mais uma questão de reformulação interior do que de proibições estatais.

Allan Kardec, no cap. XVI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, traça-nos um roteiro seguro quanto ao uso da riqueza. Diz-nos que a riqueza é uma prova mais difícil do que a pobreza. Orienta-nos para aplicá-la na caridade, não a que estiola o necessitado, mas a que o ergue até o Pai Celestial. Enfim, mostra-nos que a verdadeira propriedade é a soma dos conhecimentos e qualidades morais armazenada em cada um de nós.

Optemos por servir a Deus. Somente assim ficaremos livres do jugo do Mamon, ou seja, da obsessão pela riqueza material.

Saõ Paulo, 30/07/1996


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Prece

Prece – do lat. prece – significa rogo e, por extensão, pedido instante; súplica. É o orvalho divino que aplaca as nossas chagas mais íntimas. Pela prece pomo-nos em relação com Deus para um pedido, um agradecimento ou um louvor. A prece, enfim, resume todas as nossas aspirações humanas e divinas.

Filosoficamente considerada, a prece traduz-se por um ato espontâneo de adoração ao Criador. A naturalidade da oração nota-se no fato de que a oração é elemento latente na vida de todos. As fundamentações em torno da prece podem ser encontradas nas perguntas 653 a 666 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. O codificador do Espiritismo propõe, entre outras, as seguintes questões: Qual o caráter geral da prece? A prece torna o homem melhor? Podemos pedir eficazmente o perdão de nossas faltas? As preces que fazemos por nós mesmos podem modificar a natureza das nossas provas e desviar-lhes o curso?

Cientificamente considerada, a prece traduz-se por uma comprovação positiva do seu efeito. O médico-cirurgião Alexis Carrel, em seu livro A Oração - Seu Poder e Efeitos, diz-nos que é difícil separar a ação curativa do remédio do efeito curativo da oração. Contudo, regozija-se com o paciente que ora, porque em suas observações notou que ele facilita o processo de cura. Allan Kardec, no cap. XXVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, discorre sobre a ação da prece. Esclarece-nos que pela nossa vontade podemos atuar sobre o fluido universal e provocar os "milagres", que nada mais são do que uma extrema aceleração dos processos normais de cura.

Religiosamente considerada, a prece traduz-se pela elevação moral da criatura. Pode, também, estar envolta com aquela súplica: "Senhor, ensina-nos a orar". Liga-se a um sentimento de caridade, quando colocamo-nos à disposição dos bons Espíritos para orarmos por nós mesmos ou pelos outros. Nesse sentido, podemos orar para pedir força de resistir a uma tentação, para pedir um conselho, por alguém que esteja em aflição, por nossos inimigos, por um agonizante etc.

A divisão filosófica, científica e religiosa é apenas didática. Na prática, deveríamos vê-la num todo. Quer dizer, o ato de adoração deve ser questionado e analisado sob esses três ângulos, conjuntamente. Dessa forma: estamos orando como os fariseus, que gostam de ser vistos? Nossos impulsos dirigidos ao Alto são puros e necessários? Pomos uma dose de razão ao sentimento de súplica?

A prece, como vimos, constitui emissão eletromagnética de relativo poder. Empenhemo-nos, pois, em fortificar a nossa fé, a fim de que as nossas emissões sejam cada vez mais poderosas.

São Paulo, 15/12/1996


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Convidar os Pobres e os Estropiados

Pobre – do lat. paupere – significa aquele que não tem o necessário à vida; cujas posses são inferiores à sua posição ou condição social. Estropiado – do italiano stroppiare, através do espanhol estropear –, aleijado, mutilado.

São Lucas, no cap. XIV, vv. 12 a 15 do seu Evangelho, retrata "os pobres e os estropiados" nos seguintes termos: "... quando deres um jantar ou uma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos; para não suceder que eles, por sua vez, te convidem e sejas recompensado. Antes, ao dares um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás bem-aventurado, pelo fato de não terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos".

A transmissão do conhecimento na época de Jesus era feita através de parábolas, ou seja, expressava-se um dado conteúdo tendo-se em mente o seu sentido alegórico. Além disso, para que possamos entender o alcance das palavras de Jesus, devemos valer-nos da dimensão cultural do povo judeu. Este era dominado pelos romanos, que ostentavam poder e erudição, desprezando os menos afortunados da sorte. É contra essas injustiças que Jesus endereçava a maioria de suas palavras.

Allan Kardec, no cap. XIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, esclarece-nos o sentido alegórico contido no texto evangélico. Diz-nos que o fundo do pensamento está em considerar os pobres e os estropiados como aquelas pessoas que não poderão retribuir, ou seja, devemos fazer o bem pelo bem, sem outra expectativa de recompensa. Ainda: explica-nos que por festins devemos entender, não o repasto propriamente dito, mas a participação na abundância de que desfrutamos.

"Os pobres e os estropiados", na concepção bíblica, exorta-nos à reflexão. Até que ponto estamos dando atenção aos poderosos, aos bem-ajustados na sociedade, em detrimento dos mais necessitados? Dessa forma, parece-nos que a tônica desse ensinamento é que saibamos renunciar ao nosso comodismo, a fim de auxiliar aos mais carentes, pondo em prática a máxima: "não são os sãos os que precisam de médico, mas os enfermos".

Façamos o bem pelo bem. Essa é a única fórmula capaz de dar-nos tranquilidade neste mundo de provas e de expiações em que vivemos.

São Paulo, 17/07/1999

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Carregar a Cruz

Cruz - do lat. cruce - significa antigo instrumento de suplício, constituído por dois madeiros, um atravessando no outro, em que se amarravam ou pregavam os condenados à morte. Salvação - do lat. salvatione -, ato ou efeito de salvar(-se), ou de remir, ou seja, livrar-se do perigo ou da ruína.

A cruz é um dos símbolos cuja presença é atestada desde a mais alta Antigüidade: no Egito, na China etc. A cruz é o terceiro dos quatro símbolos fundamentais, juntamente com o centro, o círculo e o quadrado. Sua função é intermediar os outros três. Mostra, também, os quatro pontos cardeais. É o elo de ligação entre a terra e o céu, o tempo e o espaço. A cruz simboliza o Crucificado, o Cristo, que, pregado ao madeiro, representa os quatro cantos do mundo, voltados para o Salvador da humanidade.

No Novo Testamento, o simbolismo teológico da cruz só aparece em uma afirmação do próprio Jesus e nos escritos de Paulo. Jesus disse que aquele que o segue deve tomar a sua própria cruz, perdendo assim a vida para conquistá-la (Mateus, 10, vv. 38 e 39; Marcos, 8, vv. 34; Lucas, 9, vv. 23 a 25; João, cap. XII, vv. 24 e 25). Paulo pregava Cristo e Cristo crucificado, embora isso fosse escândalo para os hebreus e loucura para os gentios.

Allan Kardec, no cap. XXIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, tece comentários acerca de "aquele que quer me seguir, carregue sua cruz". A frase implica seguirmos os ditames de nossa fé, mesmo que para isso tenhamos de sofrer, até mesmo, a perda da própria vida. Quem assim proceder ganhará o reino dos céus. Mas àqueles que sacrificam os bens celestes preferindo os gozos terrestres Deus dirá: "Já haveis recebido a vossa recompensa".

Regozijemo-nos quando os homens, por ignorância ou má-fé, injuriarem-nos e odiarem-nos devido à sinceridade de nossa fé. Suportemos o mal, que ele é passageiro. Tenhamos em mente que as promessas do Cristo não foram vãs. Se ele morreu na cruz para nos salvar, por que esse desespero, quando algo não nos ocorre a contento?

A cruz simboliza o nosso sofrimento. Saibamos carregá-la, afrontando, corajosamente, as dificuldades, as ansiedades e o comodismo que tanto nos atrapalham.

São Paulo, 21/08/1999


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Perturbação Espírita

Perturbação – do lat. perturbatione – significa mudança, alteração, modificação. Perturbação espírita - estado de confusão, embaraço, obnubilamento (maior ou menor, conforme o grau de adiantamento moral) do Espírito no momento de sua separação do corpo físico.

No momento da morte tudo é confuso. O Espírito, isento da vestimenta física, fica como que atordoado ao entrar numa dimensão diferente daquela que estava vivenciando. Há perda de lucidez e de memória. Muitos dizem-se penetrar num túnel escuro. As sensações dos que morreram com pureza de consciência são completamente opostas das daqueles que morreram apegados aos bens materiais. É que os primeiros se preparam para o porvir; os demais, encastelaram-se na superficialidade da matéria.

A duração do estado de perturbação espiritual, no mundo dos Espíritos, varia para cada um de nós. Uns recobram a lucidez e a memória rapidamente; outros, lentamente. Tudo de acordo com o grau de evolução espiritual alcançado. De qualquer forma, inteirando-nos de nossas experiências passadas, boas ou más, podemos projetar o nosso futuro, inclusive com relação a uma próxima encarnação.

Os gozos e as penas futuras dependem do estado consciencial de cada ser. Os Espíritos que praticaram o bem estarão com a consciência pura, portanto, aptos a usufruírem das alegrias celestiais. Os Espíritos que praticaram o mal, terão a consciência turva, portanto, deverão sofrer as penas, no sentido de se reajustarem às leis naturais.

O conhecimento do Espiritismo auxiliar-nos-á na compreensão da maior ou menor duração da perturbação espiritual. Através dele, vamos absorvendo a essência das leis divinas e, dessa forma, antecipando o que há de vir. Convém salientar que o simples conhecimento da Doutrina Espírita não nos levará ao estado de plena felicidade. Importa, muito mais, a pureza de consciência e a prática do bem, que são factíveis a toda a humanidade terrestre.

Estudemos denodadamente o Espiritismo, a fim de que possamos melhorar a nossa conduta e, conseqüentemente, criarmos condições para habitar um mundo ditoso e feliz.

São Paulo, 11/11/1997
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Inteligência e Instinto

Inteligência – do lat. intellectus, inter e lec. = escolher entre, ou intus e lec = escolher dentro, como preferem outros - é a faculdade que tem o espírito de pensar, conceber, compreender. Em sentido restrito, é a função de apreender conexões. Instinto - do lat. obsoleto instinguo, de in e stinguo, e do gr. stizô - significa impulso inato, inconsciente, irracional, que leva um ente vivo, um animal, a proceder de tal ou tal forma.

Os psicólogos procuram realizar uma tarefa difícil: a de distinguir a inteligência do instinto. Para muitos deles a inteligência é mais flexível, sendo até mesmo a soma das experiências do passado, que nos ajuda a tomar decisões no presente. Por outro lado, o instinto é cego, tal qual se observa no cão, que, mesmo domesticado, pisoteia o lugar em que vai dormir, como se devesse dormir sobre a erva.

A observação cuidadosa do comportamento de alguns animais mostra que o conceito comum de instinto, como mero impulso simples, não basta para explicar a complexidade de seus atos. A aranha construirá a teia diferentemente, segundo as circunstâncias e o lugar que disponha. O castor constrói diferentemente, segundo a corrente da água, o nível da mesma ou a presença de homens. Por essa razão, acabam distinguindo o ato instintivo do ato reflexo.

O Espírito André Luiz, no cap. IV de Evolução em Dois Mundos, psicografado por F. C. Xavier, diz-nos que, na retaguarda do transformismo do princípio inteligente, o reflexo precede o instinto e o instinto, a atividade refletida, que é a base da inteligência; nas linhas da civilização, a inteligência, no círculo humano, é seguida pela razão e a razão pela responsabilidade. Acrescenta ainda que a herança e o automatismo estruturam o princípio espiritual, desde sua origem, a fim de que este atinja a maturação no campo angélico.

Allan Kardec, no cap. III de A Gênese, relaciona instinto, paixão e inteligência. Diz-nos que o instinto é sempre guia seguro e nunca erra. Pode tornar-se inútil, mas nunca prejudicial. Enfraquece-se com a predominância da inteligência. As paixões, por sua vez, são úteis até a eclosão do senso moral, em que o ser passivo transforma-se em ser racional. Depois disso, torna-se nociva, caso não seja disciplinada pela razão.

Inteligência e instinto são duas faculdades de nosso espírito. Saibamos ponderá-las eficazmente, a fim de que possamos viver em paz com a nossa consciência.

São Paulo, 13/09/1998 


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Espírito

Espírito – do lat. spiritus – significa "sopro", "respiro". Há muitos sentidos relacionados a esse termo: figurado, em que o espírito opõe-se à letra; impessoal, em que o espírito é a realidade pensante; particular, em que o espírito torna-se sinônimo de inteligência. De acordo com o Espiritismo, o Espírito é a substância subtilíssima por essência e que constitui no homem uma das substâncias do seu composto ternário: Corpo, Perispírito e Espírito.

A origem dos Espíritos ainda é-nos desconhecida. Sabemos que de Deus, que é a causa primária de todas as coisas, vertem-se dois princípios: o princípio inteligente e o princípio material. Individualizados, denominam-se respectivamente Espírito e Matéria. O Espírito, criado simples e ignorante, utiliza-se da matéria para sua evolução. A cada nova encarnação, novas experiências e novas oportunidades de aprendizado.

A alma é o Espírito encarnado. Embora muitas pessoas usem esses dois termos como sinônimos, há substancial diferença de concepção. O Espírito é o ser inteligente da criação que povoa o universo e engloba todas as encarnações. A alma é o ser parcial, limitado e circunscrito a uma encarnação específica. No primeiro, a amplitude; no segundo, a redutibilidade. É, pois, nesse processo dialético que o Espírito evolui até atingir a perfeição.

A evolução é do Espírito. Quando encarnado, esquece temporariamente o passado. Contudo, fica-lhe uma vaga intuição do que fez em outras vidas e daquilo que poderia ser feito nesta e nas próximas existências. Se pudéssemos aquilatar o trabalho dos benfeitores espirituais, no sentido de estarmos na situação que estamos, certamente daríamos maior valor ao nosso corpo físico e a tudo o mais que nos cerca.

O Espírito age através do Perispírito. Ao contato perispiritual entre o Espírito e a alma denominamos mediunidade. Assim, é pelo intercâmbio mediúnico que os Espíritos vêm alertar-nos sobre a imortalidade da alma e da sobrevivência do ser. Mostra-nos, também, que a morte é apenas uma mudança de dimensão: de encarnados passamos a desencarnados.

O Espírito é o princípio da vida. Cuidemos dele como se fosse um diamante bruto à espera de ser lapidado.

São Paulo, 22/09/1997

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Justiça Humana e Justiça Divina

Justiça – do lat. justitia – é a virtude moral que faz que se dê a cada um o que lhe pertence e que se respeitem os direitos alheios. Justiça humana - é o conjunto de meios administrativos organizados pelas sociedades humanas para aplicação das leis que estabeleceram, e especialmente para julgar e castigar os delitos contra elas cometidos. Justiça divina – é o atributo de Deus segundo o qual Ele regula todas as coisas com igualdade.

O Universo é regulado por leis: Lei do Progresso, Lei do Trabalho, Lei de Adoração etc. Dentre tais leis, há a Lei de Justiça, Amor e Caridade, que resume todas as outras por ser a mais importante. Essa lei ensina-nos a usar a justiça na sua acepção mais pura, tendo como coadjuvantes o amor e a caridade. A justiça é fria, mas o amor e a caridade lhe dão um impulso superior e generoso, espontâneo e transbordante.

Todos nós fomos criados simples e ignorantes. À medida que vamos nos tornando responsáveis pelos nossos atos, os benfeitores espirituais vão, paulatinamente, deixando-nos ao sabor de nosso livre-arbítrio. O livre-arbítrio, que é a faculdade de optar entre o bem e o mal, muitas vezes enchafurda-se nas paixões. Estas, quando não são domadas pela razão, alteram o reto juízo e desviam-nos da prática do bem.

A justiça divina é a justiça perfeita. Porém, dada a limitação humana, o homem capta apenas alguns matizes dessa justiça maior. Por isso, o Direito da Idade Média difere substancialmente do Direito contemporâneo. É que o tempo transcorrido propiciou a mudança dos hábitos e dos costumes de todos os povos. Assim, a lei humana deve regular as ações dentro de um horizonte cultural, enquanto a lei divina extrapola-a, segundo a dimensão do Direito Divino. Situarmo-nos sempre entre o que é e o que deveria ser é o método mais eficaz para sedimentarmos a justiça divina.

As reencarnações aproximam a justiça humana da justiça divina. Tendo em mente que a Lei do Progresso é inexorável, não resta dúvida que devemos melhorar o nosso senso de justiça, pois é a justiça que regula todas as outras virtudes, tais como a temperança, a prudência, a fortaleza e os seus derivados. O exercício de fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem encaminha-nos para a prática da verdadeira lei de justiça, amor e caridade. Porque, se é natural que desejemos o bem para nós, o mesmo devemos fazer com relação ao próximo.

A aquisição do reto juízo é a finalidade da vida. Esforcemo-nos por compreender o nosso próximo, fazendo-lhe o maior bem possível. Só assim vamos domando nossas paixões e liberando o ser cósmico que há dentro de nós.

São Paulo, 17/04/1996




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Céu, Inferno e Purgatório

Céu – do lat. Caelu – significa espaço ilimitado e indefinido onde se movem os astros; região para onde, segundo as crenças religiosas, vão as almas dos justos. Inferno - do lat. infernu -, lugar ou situação pessoal em que se encontram os que morreram em estado de pecado. Purgatório - do lat. purgatoriu -, lugar de purificação das almas dos justos, antes de admitidas na bem-aventurança.

A idéia que fazemos do Céu é fruto da concepção grega e babilônica (calmo, imutável, vida eterna). Nicolau Copérnico (1473-1543) quebra a tradição milenar e coloca o Sol no centro do Universo. Com isso, a Terra entrou no Céu. Galileu Galilei (1564-1642), com o auxílio do telescópio, dá prosseguimento às teses defendidas por Copérnico. O "em cima" e o "em baixo" deixam de existir. A Ciência parecia ir contra a Bíblia; mas a Bíblia ensina como ir ao Céu, não como ele foi feito.

A religião cristã dogmática, baseando-se nas concepções tradicionais, estabeleceu os lugares circunscritos no espaço, onde estariam localizados o Céu, o Inferno e o Purgatório. O Céu, em cima, é a região para onde vão as almas dos justos gozar da felicidade eterna; o Inferno, em baixo, zona de suplício, onde são enviadas as almas dos que morreram em pecado; o Purgatório, lugar intermediário, em que a alma é detenta a par da condenação perpétua.

Para o Espiritismo, Céu, Inferno e Purgatório são figuras de linguagem e não lugares circunscritos. O Céu indica o espaço universal; são os planetas, as estrelas e todos os mundos superiores em que os Espíritos gozam de todas as suas faculdades, sem as tribulações da matéria. O Inferno não é um lugar materializado, com caldeiras ferventes e rochedos em brasa, mas uma vida de provas extremamente penosas, com a incerteza de melhoria. O Purgatório é uma figura pela qual se deve entender o estado dos Espíritos imperfeitos que estão em expiação até a purificação completa que deve elevá-los ao plano dos Espíritos felizes.

As expectativas com relação à vida futura dependem da concepção de mundo de cada um. Se materialistas, o nada nos aguarda; se panteístas, retornaremos ao todo universal; se religiosos dogmáticos, iremos para o Céu ou para o Inferno. Apesar de essas imagens estarem automatizadas em nosso subconsciente, não significa dizer que a alma, após o desencarne, encontrar-se-á nessas condições.

De acordo com o Espiritismo, a alma é imortal e, mesmo depois da morte física, continua individualizada e sujeita ao progresso.

São Paulo, 05/08/1996

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Injúrias e Violências

Injúria – do lat. injuria – significa ação que ofende a outrem; agravo, vitupério, afronta. Violência  do lat. violentia , o que se exerce com uma força impetuosa. Diz-se do sentimento ou da afeição, quando supera a vontade.

Para os antigos gregos, cada ser tinha um lugar destinado e tudo se resumia a manter a hierarquia dos valores de cada um na totalidade. Essa concepção não implica luta e violência. No entanto, mesmo entre os próprios gregos surgiu a concepção de mundo como luta de contrários. O mundo "faz-se" precisamente no conflito entre as forças contrárias, do qual brota o novo.

O segundo esquema impôs-se nos tempos modernos. Hobbes formula essa ideia dizendo que "o homem é lobo do próprio homem". Darwin fala em seleção dos mais aptos, na sua teoria sobre a evolução das espécies. Hegel traça as linhas da dialética, como superação dos contrários. Marx quer atingir a igualdade através da luta de classes. Como vemos, tudo gira em torno da força para manter a ordem.

Contudo, o mestre Jesus dizia: "Bem-aventurados aqueles que são brandos, porque eles possuirão a Terra"; "Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus". Acrescenta "que todo aquele que se encolerizar contra o seu irmão merecerá ser condenado pelo julgamento; que aquele que disser ao seu irmão Racca, merecerá ser condenado pelo conselho”. Por essas máximas, Jesus fez da doçura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência uma lei; condena, por conseguinte, a violência, a cólera e mesmo toda a expressão descortês com respeito ao semelhante.

Na interpretação de Kardec, no cap. IX de O Evangelho Segundo o Espiritismo, os textos evangélicos denotam a ideia de que, até esse dia, os bens da terra estão açambarcados pelos violentos em prejuízo daqueles que são brandos e pacíficos. Porém, quando a lei de amor e caridade for a lei da Humanidade, não haverá mais egoísmo; o fraco e o pacífico não serão mais explorados pelo forte e pelo violento.

O mundo é violento porque somos violentos. Se optarmos pela afabilidade e pela doçura, estaremos auxiliando a construir o mundo ditoso do terceiro milênio.

São Paulo, 13/08/1999

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Mundos Superiores e Inferiores

Mundo – do lat. mundu – significa a Terra e os astros considerados como um todo organizado; qualquer corpo celeste. Inferior – do lat. inferiore –, que está abaixo de outro(s) em igualdade, condição, importância, mérito, valor; que ocupa lugar mais baixo em uma classificação. Superior – do lat. superiore –, que está mais acima; que atingiu um grau muito elevado; de qualidade excelente.

Allan Kardec, no cap. III de O Evangelho Segundo o Espiritismo, divide os mundos em cinco categorias, a saber: os mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana; os mundos de expiações e de provas, onde o mal domina; os mundos regeneradores, onde as almas que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta; os mundos felizes, onde o bem se sobrepuja ao mal; os mundos celestes ou divinos, morada dos Espíritos depurados, onde o bem reina inteiramente.

Nos mundos inferiores a existência é toda material. Esses mundos servem de guarida aos Espíritos em que os instintos predominam, a inteligência é rudimentar e a vida moral quase nula. Mesmo assim, Deus não desampara nenhum desses seres, ao incutir-lhes na mente a idéia de um Ser Supremo, a quem venerar e amar. Além disso, o Criador envia, também, Espíritos missionários, a fim de despertar-lhes o senso moral e fazê-los progredir mais rapidamente.

Nos mundos superiores a existência é toda espiritual. Depois de desenvolvidos a inteligência e o senso moral, nos mundos inferiores e intermediários, o Espírito está preparado para ingressar nos mundos ditosos e felizes. Nos mundos superiores não há doenças, nem as deteriorações que engendram a predominância da matéria; pelo contrário, há leveza específica do corpo físico, que torna sua locomoção rápida e fácil. O corpo físico guarda a forma humana, pois esta é a forma em todos os mundos, porém embelezada, aperfeiçoada e, sobretudo, purificada.

O planeta Terra é classificado como sendo um mundo de expiações e de provas, portanto, situado numa posição intermediária. Aqui, ainda o mal predomina sobre o bem. Contudo, estamos aproximando-nos de uma nova fase, o mundo de regeneração. Neste, as almas que ainda têm de expiar haurem novas forças para, depois, darem continuidade ao progresso espiritual até atingirem a condição de serem promovidos aos mundos felizes.

Aproveitemos a oportunidade de estarmos encarnados neste planeta. Façamos todo o bem possível, e seremos merecedores de reencarnarmos em mundos mais ditosos.

São Paulo, 21/09/1996


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Fé: Mãe da Esperança e da Caridade

– do lat. fide  significa adesão e anuência pessoal a Deus, a seus desígnios e manifestações; firmeza na execução de sua promessa ou compromisso. Esperança – do lat. sperantia, do verbo sperare –, ato de esperar o que se deseja; aquilo que se espera ou deseja. Caridade – do lat. caritate  é o amor que move a vontade à busca efetiva do bem de outrem, identificando-se com o amor de Deus.

A fé é um sentimento inato no indivíduo. A direção dada a esse sentimento pode ser cega ou raciocinada. A fé cega, não examinando nada, aceita sem controle o falso como verdadeiro, e se choca, a cada passo, contra a evidência e a razão; levada ao excesso produz o fanatismo. A fé raciocinada, a que se apoia sobre os fatos e a lógica, não deixa atrás de si nenhuma obscuridade; crê-se porque houve consentimento da razão.

Há virtudes cardeais e virtudes teologais. As virtudes cardeais compreendem a justiça, a prudência, a temperança e a fortaleza. As virtudes teologais, ou seja, aquelas em que há os dons infusos por Deus, são representadas pela pela esperança e pela caridade. Dentre as virtudes teologais, a fé ocupa lugar de destaque, pois dá embasamento à esperança e à caridade. A caridade, por sua vez, é a mais perfeita, porque pode ser praticada, indistintamente, por todas as classes sociais.

A fé, mãe da esperança e da caridade, é filha do sentimento e da razão. Quer dizer, a fé, ao ser movida pelo livre-arbítrio, tem o suporte do sentimento e da razão, que lhe dão garantia de obter o esperado, desde que aja caritativamente. Nesse sentido, o Espírito Emmanuel diz-nos: "A fé é guardar no coração a certeza iluminada de Deus, com todos os valores da razão tocados pelo perfume do sentimento".

A esperança e a caridade, como vimos, são filhas da fé. Esta deve velar pelas filhas que tem. Para isso, convém construir a base do edifício em fundações sólidas. A nossa fé tem de ser mais forte do que os sofismas e as zombarias dos incrédulos, porque a fé que não afronta o ridículo dos homens não é a verdadeira fé. Além disso, para que a fé seja proveitosa, deve ser ativa, ou seja, não deve-se entorpecer.

A esperança é fruto da crença em Deus. Pratiquemos, pois, a caridade no presente, a fim de tornarmos certo o futuro incerto.


São Paulo, 14/04/1996


Apresentação em PowerPoint de Fé, Esperança e Caridade

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Obediência e Resignação

Obediência – do lat. oboedientia – significa submeter-se à vontade, às ordens de outrem, e executá-las. Resignação – do lat. resignatione, é o ato ou o efeito de resignar-se; renúncia espontânea de um cargo; submissão paciente aos sofrimentos da vida.

Religiosamente considerada, a obediência é submetermo-nos primeiramente à vontade de Deus e, depois, à vontade dos homens, desde que postos hierarquicamente por Deus. O "pecado" surge pela desobediência às leis divinas. Nesse sentido, a resignação é a aceitação serena das consequências advindas das infrações cometidas com relação a tais leis.

Jesus Cristo é o modelo da perfeita obediência. Obedeceu a Deus, aos pais terrestres e aos seus superiores. Contudo, não foi conivente com a corrupção do povo de sua época. Forneceu-nos o exemplo da humildade, da paciência e da renúncia, a fim de atender aos desígnios do Alto. Sua resignação ante o Pai fê-lo morrer na cruz. Ainda aí não arredou o pé, preferindo o martírio, no sentido de enaltecer a verdade e com isso iluminar os nossos corações endurecidos.

A obediência é o consentimento da razão, enquanto a resignação é o consentimento do coração. Essas duas virtudes são companheiras da doçura e muito ativas, e a maioria dos homens confundem-nas com a inércia. Muito pelo contrário, há que se ter muita força interior para resistir aos desejos, às paixões ou à revolta ante uma ofensa. O verdadeiro resignado chega até a renunciar ao direito de queixa.

Toda a resistência orgulhosa deverá ceder, cedo ou tarde. Cada época é marcada pelos vícios e pelas virtudes. Nossa virtude é o desenvolvimento intelectual; nosso vício é a indiferença moral. Assim, é conveniente que cada um  de nós vá paulatinamente submetendo-se à Lei do Progresso. Não esperemos que os Espíritos venham imolar-nos para que avancemos mais rapidamente na prática do bem e do amor ao próximo.

Obedeçamos a Deus com todas as nossas forças e resignemo-nos aos infortúnios que se nos apresentarem. Não pensemos que a ascensão espiritual vem por um decreto divino. Ela é fruto de um árduo trabalho.

São Paulo, 14/04/1999


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Escândalaos: Cortar as Mãos

Escândalo – do gr. skándalon, pelo lat. scandalu – significa aquilo que dá o que falar, que causa indignação por ser contrário à moral, à honestidade, aos bons costumes, à justiça, às leis etc. No sentido espiritual e moral, é todo o obstáculo que, com sua conduta, uma pessoa pode representar para a vida ou a moralidade de outras pessoas.

"Se vossa mão ou vosso pé é um motivo de escândalo, cortai-os e atirai-os longe de vós; é bem melhor para vós que entreis na vida não tendo senão um pé ou uma só mão, do que terdes dois e serdes lançados no fogo eterno. E se vosso olho vos é motivo de escândalo, arrancai-o e lançai-o longe de vós; é melhor para vós que entreis na vida não tendo senão um olho, que terdes os dois e serdes precipitados no fogo do inferno". (Mateus. cap. V, vv. 29 e 30).

A palavra escândalo encerra, no Novo Testamento, um duplo sentido: de um lado, a idéia de que Cristo veio para constituir o escândalo central do homem; de outro lado, a idéia do mal moral que existe em nós e que é preciso desfazer. Quanto ao Cristo, toda a vez que ele apresentava o desprendimento das riquezas e dos bens terrenos, era um escândalo para o povo romano, apegado a tais bens. Quanto a nós, é a necessidade do mal (escândalo) para que nos ajustemos ao bem.

É necessário que o escândalo venha, mas ai daquele por quem o escândalo venha. Por estas palavras, entende-se que o mal é necessário à justiça divina. Contudo, aquele que o praticou para servir à justiça divina não praticou menos mal, e deverá ser punido, pois o mal é sempre mal. Por isso, o cuidado de Jesus em dizer: "Se vossa mão, vosso pé e vossos olhos forem motivos de escândalo (mal), cortai-os e lançai-os longe de vós". Quer dizer, arranquemos o mal pela raiz, pois ele está dentro de nós.

O mal, sendo necessário à justiça divina, dir-se-á que ele durará para sempre, pois, se desaparecesse, Deus estaria privado de um poderoso meio de punir os culpados. Mas, em realidade, não é assim que sucede, porque os mundos progridem moral e intelectualmente. Nos mundos mais avançados, o mal não existe e, portanto, não há necessidade de castigos. O mesmo sucederá com o planeta Terra, quando passar para um mundo de regeneração, em que o bem será a tônica de nossas ações.

Estudemos o Evangelho de Jesus e coloquemos em prática os seus ensinamentos. Tendo-o como norma de conduta, evitaremos o escândalo do "pecado" e da "concupiscência".

São Paulo, 21/04/1996

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Deixai Vir a Mim as Criancinhas

Criança – do lat. creantis – significa ser humano de pouca idade, menino ou menina; párvulo; pessoa ingênua, infantil. Reino – Do lat. regnu, significa monarquia governada por um rei; conjunto de seres ou de coisas que tem caracteres semelhantes ou comuns. Reino de Deus – Governo pela observância das leis divinas gravadas em nossa consciência.

"Apresentaram-lhe, então, criancinhas, a fim de que ele as tocasse; e como seus discípulos afastassem com palavras rudes aqueles que as apresentavam, Jesus vendo isso zangou-se e lhes disse: "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais; porque o reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham. Eu vos digo, em verdade, todo aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará". E as tendo abraçado, as abençoou, impondo-lhes as mãos". (Marcos, cap. X, vv. 13 a 16).

O Espírito é sempre Espírito. Ele passa pela fase infantil, mas continua sendo Espírito, ou seja: traz dentro de si as boas ou más qualidades de outras vidas. A infância é um tempo de repouso para o Espírito. Não podendo manifestar as suas tendências, principalmente as más, em virtude da debilidade do corpo físico, este período torna-o acessível aos conselhos daqueles que devem fazê-lo progredir. É então que se pode reformar o seu caráter e reprimir as suas más tendências.

O reino de Deus é para aqueles que se assemelham às crianças. Jesus não disse que o reino dos céus é para as crianças, porque sabia que o Espírito que nela habita não é um Espírito puro, porém, um ser que, momentaneamente, não pode manifestar as suas tendências. Além disso, há, também, o esquecimento do passado, que ajuda o Espírito a expressar-se espontaneamente. Geralmente a criança age sem malícia e sem segundas intenções.

A criança é um símbolo de pureza de coração. Significa dizer que a entrada no reino de Deus é decorrente da simplicidade e da humildade do Espírito. Nesse sentido, os estados de fraqueza, as ações ingênuas e as atitudes de obediência auxiliar-nos-ão eficazmente na percepção das leis naturais. O reino de Deus não vem com aparências externas, ele é fruto de um árduo trabalho de reformulação interior.

Aprendamos com a criança. A sua espontaneidade ensina-nos que a humildade, a simplicidade e a pureza de coração são sumamente indispensáveis à nossa evolução espiritual.

São Paulo, 24/03/1999

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Orgulho e Humildade

Orgulho – do frâncico urguli, "excelência", atr. do catalão orgull e do espanhol orgullo – significa sentimento de dignidade pessoal; conceito elevado ou exagerado de si próprio; amor-próprio demasiado; soberba, altivez. Humildade – Do lat. humilitate, é a virtude que nos dá o sentimento de nossa fraqueza; respeito, reverência; submissão; pobreza.

Mateus, no cap. XI, v. 25 do seu Evangelho, expressa a relação entre o orgulho e a humildade nos seguintes termos: "Graças te rendo, meu Pai, Senhor do Céu e da Terra, por haveres ocultado estas coisas aos doutos e aos prudentes, e por as teres revelado aos simples e aos pequeninos". Por que razão iria Jesus revelar essas coisas aos mais simples e ocultá-las aos sábios e prudentes?

Allan Kardec, no cap. VII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, diz-nos que é preciso entender os simples e pequeninos como os humildes, ou seja, os pobres de espírito, que se humilham diante de Deus, e não se crêem superiores a todo o mundo, e, pelos sábios e prudentes, os orgulhosos, envaidecidos de sua ciência mundana, que se crêem prudentes porque negam Deus e, quando não o negam, tratam-no de igual para igual.

O orgulho é o terrível adversário da humildade. O homem de ciência, se não tomar cuidado, tornar-se-á um orgulhoso. Isso porque, com o desenvolvimento da sua inteligência, começará a sentir-se superior aos demais, principalmente com relação aos pobres, tratando-os como seres inferiores, como a ralé da sociedade. Esquece-se, facilmente, de que todos partimos de um mesmo princípio, portanto somos todos iguais perante Deus.

A humildade não é a antinomia do orgulho. Ela é o fundamento de todas as virtudes. O sentimento de humildade nivela-nos aos demais homens. O verdadeiro humilde, se colocado numa posição hierárquica inferior, saberá resignar-se ante tal situação; se posto num lugar de destaque, saberá respeitar o inferior, não como um ser inferior, mas como um igual seu, apenas cooperando em outra função dentro da obra geral.

Humilhemo-nos diante do Criador. Somente assim, conseguiremos atender aos nossos deveres e obrigações repletos de confiança e determinação.

São Paulo, 15/04/2000


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Jugo Leve

Jugo – do lat. jugu, pelo hebr. môt, ôl - significa peça de madeira que serve para emparelhar dois animais para o mesmo trabalho. É símbolo de servidão, de opressão, de constrangimento. A passagem dos vencidos sob o jugo romano (trave em asna) é suficientemente explícita. Leve - do lat. leve, de pouco peso, que se movimenta com desembaraço, agilmente, à solta. O jugo de Jesus é suave, isto é, não machuca.

São Mateus, no cap. XI, vv. 28 a 30 do seu Evangelho, narra o "jugo leve" da seguinte forma: "Vinde a mim, todos vós que sofreis e que estais sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e aprendei de mim que sou brando e humilde de coração, e encontrareis o repouso de vossas almas, porque meu jugo é suave e meu fardo é leve".

A reação aos acontecimentos varia para cada um de nós. Duas pessoas colocadas numa mesma circunstância terão sensações opostas: uma sentir-se-á feliz, enquanto a outra se prostrará em desespero. Isso decorre de uma série de fatores, principalmente aqueles que dizem respeito aos nossos objetivos de vida. De qualquer forma, essa passagem evangélica anunciada por Jesus serve de lenitivo para os nossos sofrimentos. Como interpretá-la?

Allan Kardec, no cap. VI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, elucida-nos o texto com muita propriedade. Diz-nos que todos os sofrimentos, misérias, decepções, dores físicas, perda de entes queridos encontram sua consolação na fé no futuro, na confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Naquele que não crê na vida futura as aflições se abatem com todo o seu peso, e nenhuma esperança vem suavizar-lhe a amargura.

O jugo será leve desde que obedeçamos à lei. Mas, que lei? A lei áurea deixada por Jesus: "Fazer aos outros o que gostaríamos que nos fosse feito". Praticando-a, vamos atualizando as nossas potencialidades de justiça, amor e caridade, primeiramente com relação a Deus e, secundariamente, com relação a nós mesmos e ao nosso próximo.

Sigamos os ditames de nossa consciência. Não importa o tipo de sofrimento que tal atitude acarreta. Os Bons Espíritos estarão sempre nos secundando, a fim de que possamos carregar o nosso fardo com galhardia.

São Paulo, 19/07/1996

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08 julho 2008

Revelações, Além das Atribuidas a Moisés e Jesus

Taoísmo é uma religião e filosofia chinesas, atribuídas tradicionalmente a Lao-Tsé, que resumiu o seu pensamento no Tao te Ching.

Krishna, por volta de 3.000 a.C., foi um mensageiro de Deus que viveu na Índia antiga. Os seus ensinamentos estão no Seu Livro Sagrado, o Gita.

Zoroastro foi um mensageiro de Deus, que nasceu na Pérsia (hoje chamada Irã) há mais ou menos 1.000 a.C. Fundou o Zoroastrismo.

Buda nasceu numa família real do reino de Himalaia, mais ou menos 600 a.C. Foi sob uma árvore, Bodi, na Índia, após muita meditação, que Buda recebeu a iluminação. Daquele dia em diante iniciou Sua grande missão de salvar a humanidade do sofrimento.

Maomé nasceu em 570 d.C., na cidade de Meca, Arábia Saudita. Segundo a religião islâmica, Maomé é o mais recente e último Profeta do Deus de Abraão. Aos 40 anos de idade foi-lhe confiada por Deus (através do anjo Gabriel) o Alcorão, livro sagrado do Islamismo.

Em 1930, Taniguchi funda o Seicho-no-iê (Lar do progredir infinito).


ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]

São Paulo, 30/04/2002
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Revelação na Bíblia

Revelação – Revelar, do latim revelare, cuja raiz, velum, véu, significa literalmente sair de sob o véu — e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. A revelação pode ser humana e divina. É humana quando o próprio homem busca os conhecimentos superiores. É divina quando Deus se revela ao homem. Em sentido estrito das revelações religiosas, elas sempre procedem de Deus, porque longe está o homem de penetrar os mistérios da divindade: ainda lhe falta uma faculdade.

As revelações orientais, alicerçadas nos sonhos e nas adivinhações, não chegam a constituir revelações propriamente ditas. O Budismo, por exemplo, não recorre de modo algum à revelação: tem como ponto de partida a iluminação inteiramente humana de um sábio. Outras apresentam o seu conteúdo como uma revelação celeste, mas atribuindo sua transmissão a um fundador legendário ou mítico, como Hermes Trimegisto no caso da gnose hermética. Na Bíblia, ao contrário, a revelação é um fato histórico, em que os seus intermediários são conhecidos: Moisés e Jesus Cristo.

Deus, no Velho Testamento, revela-se aos profetas, através de sonhos e visões. A palavra de Deus estabelece uma aliança, aliança que conota uma mudança comportamental do povo de Israel. Dentre os profetas, Moisés foi o escolhido para receber a tábua dos Dez Mandamentos, leis divinas que varam os anos da história e continuam ainda vivas, para auxiliar o ser humano na busca da perfeição. Moisés, contudo, devido à dureza dos corações de seu povo, fez do Deus de bondade um Deus que pune e castiga sem piedade.

A revelação do Novo Testamento consubstancia-se exclusivamente em Jesus Cristo. Jesus é o Mediador, o arauto, o comunicador; Ele nos fala das bem-aventuranças, do Reino dos céus e da vida futura. A sua pedagogia era alicerçada nas parábolas, estórias que contava sobre a vida comum, com o intuito de sugerir, além desse sentido imediato, uma lição moral. Os termos usados para indicar a revelação de Jesus são: keryssein ("anunciar", "pregar"), evangelizesthai ("evangelizar"), didaskein ("ensinar"), apokalyptein ("revelar") e matheteúein ("fazer discípulos", "instruir").

Entre os Apóstolos, a revelação se deu em menor grau. Eles não foram caracterizados como reveladores, mas propagadores da Doutrina cristã, pois havia necessidade de se expandir os ensinamentos cristãos para os quatro cantos do mundo. Dentre os seguidores de Cristo, Paulo de Tarso exerceu papel relevante, principalmente depois de sua queda em Damasco: de perseguidor ferrenho dos cristãos transformou-se no maior divulgador do cristianismo. O Apocalipse de João, recebido na Ilha de Patmos, também merece destaque: lá estão os avisos sobre o arrebatamento em Cristo no final dos tempos.

Moisés começou a revelação; Cristo e os Apóstolos deram-lhe continuidade. Presentemente, o trabalho passa a ser nosso. Esforcemo-nos, pois, para que a divulgação da revelação divina possa atingir eficazmente o maior número de mentes e corações.

Fonte de Consulta

GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]
São Paulo, 17/11/2004
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Revelação: Humana e Divina

Revelação – De modo geral, é a manifestação de uma verdade oculta ou desconhecida ou pelo menos obscura. Na teologia, é o ato pelo qual Deus manifesta aos homens o Seu desígnio de salvação e Se lhes dá a conhecer.

A revelação pode ser humana e divina. É divina quando feita por Deus; humana quando o é pelo homem. A revelação divina pode ser natural ou sobrenatural. A revelação natural está inscrita na própria ordem da criação, em que Deus dota o homem de faculdades para elevar-se do domínio das coisas visíveis ao das invisíveis. No entanto, como faz parte da natureza, não é esta a revelação em sentido próprio. A revelação divina, propriamente dita, é de ordem sobrenatural. Consiste na manifestação de uma verdade, feita por Deus, fora da ordem da natureza.

A revelação está encarnada no Velho e no Novo Testamento. No Velho Testamento, não há um termo específico para designar a revelação. Há, sim, intermediários da revelação, que são: Moisés, os profetas, os salmistas e os sábios. No Novo Testamento, os termos para indicar a revelação são: keryssein ("anunciar", "pregar"), evangelizesthai ("evangelizar"), didaskein ("ensinar"), apokalyptein ("revelar") e matheteúein ("fazer discípulos", "instruir"). No Novo Testamento, Cristo é o único Mediador propriamente dito da revelação. Os apóstolos são meros divulgadores, evangelizadores, mas não reveladores.

Teologicamente, as revelações são arbitradas nos concílios. Observe que no Concílio de Trento, a revelação é o anúncio do Evangelho prometido aos profetas, pregado pelos apóstolos, e transmitido à Igreja para que ela o conserve em toda a sua pureza. O Concílio Vaticano II, por sua vez, consagrou à revelação o cap. I da Constituição dogmática Dei Verbum: a) a revelação é um diálogo interpessoal entre Deus e os homens; b) a revelação é progressiva; c) a revelação é constituída por acontecimentos e palavras; d) Cristo é o vértice da revelação.

A Bíblia não é a fonte única de revelação. A Igreja é o órgão autêntico instituído por Deus e encarregado de propagar o depósito da revelação. As verdades transmitidas pela igreja constituem a tradição. Todavia, é certo que a revelação pública se encerrou com a pregação dos apóstolos. A partir daí, permaneceu substancialmente a mesma e não se transformou. As verdades reveladas só podem desenvolver-se no decurso do tempo sob a ação do Espírito Santo, passando do estado implícito ao estado explícito.

O domínio de uma teoria não elimina a possibilidade de Deus querer revelar-se a outros credos religiosos. Por isso, acreditamos, a Igreja deve revisar o monopólio de uma revelação particular.

Fonte de Consulta

Verbo — Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura
Grande Enciclopédia Brasileira e Portuguesa
São Paulo, 26/08/1998
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Pavlov e os Reflexos Condicionados

Reflexo - do lat. reflexu significa "voltado para trás", "revirado", "retorcido". Na Fisiologia, resposta de um órgão efector (músculo ou glândula), resultado da estimulação de receptores ou das vias nervosas que lhes correspondem. Este tema vem sendo estudado desde longa data. Há considerações eminentemente teóricas, como o é o caso de Descartes e a sua teoria dos espíritos animais, e aquelas que se predispõem a uma comprovação científica, como é o caso de Pavlov e a sua teoria dos reflexos condicionados.

Ivã Petrovich Pavlov (1849-1936), nasceu em Riazan, e foi educado na Universidade de S. Petesburgo e na Academia Militar de Medicina. Recebeu marcante influência de seus professores, principalmente no tocante à "experimentação" científica. Pavlov é reconhecido pelos seus trabalhos pioneiros na fisiologia do coração, sistema nervoso e sistema digestivo. Seus experimentos mais famosos começaram em 1889, demonstrando os reflexos condicionados e incondicionados nos cães, e eles influenciaram o desenvolvimento da fisiologia orientando as teorias psicológicas do comportamento durante os primeiros anos do século XX.

Pavlov, como fisiologista, esteve por muito tempo interessado nas glândulas e suas secreções. Por esta razão e porque as reações glandulares são facilmente medidas, as primeiras reações condicionadas são glandulares, mais precisamente as glândulas salivares, por serem universalmente usadas. Ele faz as suas experiências dentro de rigoroso controle das condições: amarra um cão, isola-o de todos os barulhos externos, e dá-lhe uma substância sialogênica para produzir insalivação; ao mesmo tempo, faz retinir um som, por exemplo, o de uma campainha. Depois de várias repetições, suspende a substância sialogênica, permanecendo tão somente com o som da campainha. Resultado: o cão, sem o estímulo inicial, emite suco gástrico, associando-o apenas ao som da campainha.

Os resultados descritos por Pavlov acerca da reação condicionada sofreu inúmeras críticas. A mais comum é a da afirmação de que os dois estímulos, o alimento e a campainha, tornaram-se associados. Tal interpretação é um grave erro. É a reação que se associou com o estímulo, e não os estímulos que se associaram entre si. Uma outra objeção é a de que a técnica de Pavlov ignora uma das duas respostas, a resposta original à campainha. Se o cão, antes do experimento, reage à campainha movendo a sua cabeça, esta reação indubitavelmente torna-se condicionada ao ácido, justamente como a salivação faz à campainha.

Os reflexos condicionados de tal maneira tornaram-se famosos, que as pessoas ligadas ao marketing usam-no de forma exaustiva em suas propagandas televisivas. Muitos psicólogos sociais transformam-no no que eles chamam de reflexos de compra. Nesse sentido, dizem que há o consumidor racional, aquele que age movido por uma ação refletida, e o consumidor irracional, aquele que age irrefletidamente. Neste último, o apelo à compra é mais fácil de ser conseguido.

Pavlov emprestou enorme contribuição à compreensão dos reflexos condicionados. Cabe-nos aplicá-lo em nosso dia-a-dia, principalmente no que tange aos reflexos psíquicos.

Fonte de Consulta

SHAFFER, L. F. The Psychology of Adjustment: An Objective Approach to Mental Hygiene.USA, Houghton Mifflin, 1936.


São Paulo, 12/11/1997
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Reflexos Condicionados e Mudança Comportamental

O estudo dos reflexos condicionados leva-nos a uma reflexão sobre as nossas atitudes. A atitude pode ser definida como uma maneira peculiar de reagir aos acontecimentos. Ela forma-se, toma força, estrutura-se e, sem o percebermos, todas as nossas reações acabam transformando-se em respostas automáticas aos estímulos oferecidos. Se, por um acaso, quisermos mudar a resposta, achamo-nos em erro e desistimos incontinente.

A formação das atitudes pode ser feita de três maneiras: a) princípio de associação; b) princípio de transferência; c) princípio de satisfação de necessidade. Na realidade, os componentes formadores das atitudes podem ser "pensamentos", "crenças", "sentimentos ou emoções" e "tendência para reagir". Quer dizer, ao vermos alguém praticar um determinado ato, achamo-nos no direito de imitá-lo: começamos, repetimos e incorporamo-lo em nossa conduta pessoal. Com o tempo, o referido ato torna-se um hábito tão natural, que nos sentimos sem forças para modificá-lo.

Os psicólogos sociais mostraram, através de pesquisa, que há muita facilidade em construir hábitos. Basta iniciá-los, que as circunstâncias concorrem para solidificá-los. A modificação, porém, não é tarefa fácil. A substituição (ou extinção) requer mais força do que se imagina. A persuasão é o elemento chave que está na base dessas pesquisas. Nesse sentido, chamam-nos a atenção para a persuasão dos crédulos, que são facilmente sugestionados pelo carisma e magnetismo dos seus líderes. Após serem vítimas de uma lavagem cerebral, não conseguem mais pensar pela própria cabeça. Por isso, quando seguimos a multidão podemos estar no contrapé da história.

Esses psicólogos sociais mostraram também que há um aspecto relevante no esforço despendido para mudar o hábito negativo, ou seja, quando mudamos uma tendência todas as outras sofrem um realinhamento na mesma direção. É que, segundo esses cientistas, o ser humano funciona globalmente, e tudo o que fizermos no particular terá uma repercussão no todo orgânico. Nesse sentido, o psicólogo Emile Coué escreveu uma frase sugestiva que dá a ideia da generalidade: "Todos os dias sob todos os aspectos vou cada vez melhor".

O tempo decorrido de um automatismo negativo é sumamente importante. A influência dos Espíritos obsessores que estão nos prejudicando deve ser analisada. André Luiz em Missionários da Luz chama nossa atenção para a dificuldade de se quebrar as algemas obsessivas forjadas ao longo de várias encarnações. É que na simbiose das mentes as almas alimentam-se mutuamente. Se quisermos romper de uma hora para a outra, haverá prejuízo de ambas as partes. Nesse sentido, a paciência, a prece, a vigilância, as prédicas evangélicas assumem papel deveras salutar.

Deus, porém, não desampara ninguém. Ele está sempre enviando os professores sociais da boa nova. Basta termos confiança neles, e eles serão farol de nossa libertação espiritual.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. A Obsessão. 3. ed., São Paulo, O Clarim, 1978.
São Paulo, 13/11/1997
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Conceito de Reflexo

Reflexo  do lat. reflexu "voltado para trás", "revirado", "retorcido". É a mais simples forma de reação do organismo. Os reflexos se produzem graças ao sistema nervoso de que são providos os animais. Apresentam as seguintes características: 1º) fatalidade, isto é, dado o estímulo, o reflexo se desencadeia como uma resposta; 2º) ausência de automatismo: não havendo um agente provocador, o reflexo por si só, não se produz; 3º) não intervenção da vontade, isto é, como não atingem os centros nervosos superiores, os reflexos não estão sob o domínio de funções psíquicas elevadas.

A palavra "reflexo", em si, é um aborrecimento para muitos principalmente porque evoca a ideia de reflexão consciente, ao passo que na realidade a ideia que representa é precisamente oposta a essa. Além disso, há um abuso desta palavra. Fala-se de "reflexos sociais" para designar as reações automáticas das sociedades; de "reflexos simbólicos" para definir a linguagem; de "reflexos pessoais" para caracterizar a arte. Pretende-se com isso anunciar que todas essas manifestações psíquicas são algo de mecânico e de determinado.

Reflexos Congênitos ou Incondicionados são aqueles com que o indivíduo nasce: consistem em respostas naturais do organismo, diante de determinados estímulos (assim a salivação, provocada pelo odor ou vista de um alimento). De acordo com o Espírito André Luiz, são os chamados protetores, alimentares, posturais e sexuais, detentores de vias nervosas próprias, como que hauridos da espécie, seguros e estáveis, sem necessidade do córtex.

Reflexos Adquiridos ou Condicionados são respostas adquiridas e fixadas sob a influência de um excitante novo e sobreposto ao excitante primitivo e habitual, que é depois conseqüentemente substituído por aquele. Pavlov, fisiólogo russo, provocou salivação em cães, como resposta ao som de uma campainha: isso foi possível, porque previamente o som da campainha tinha sido associado à apresentação do alimento. O alimento é um estímulo incondicional, a campainha é um estímulo condicional, e a associação repetida destes dois estímulos provocou um condicionamento. Para que um reflexo condicionado se mantenha é necessário ser reforçado por novas apresentações simultâneas do excitante primitivo e do excitante condicional.

A partir do reflexo condicionado que provocava no cão, Pavlov desenvolveu os mecanismos do condicionamento. "Analisadores corticais", que podemos situar no cérebro, selecionam certas passagens para as reações-reflexo. Quando estas passagens são utilizadas freqüentemente pelo influxo nervoso, surge um "trilho": o caminho é cada vez mais fácil de seguir pelo influxo. É assim que se formam os hábitos. As descobertas de Pavlov foram utilizadas como armas de guerras de diversos países, na famosa "lavagem cerebral". A publicidade comercial baseia-se nesses mesmos mecanismos de condicionamento.

Os reflexos psíquicos são uma decorrência do reflexo condicionado. Nesse sentido, útil se torna refletirmos sobre nós mesmos, a fim de não sermos tragados pelo influxo geral da sociedade.

São Paulo, 14/11/1997


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Genealogia do Reflexo Condicionado

A procura das origens é algo que inquieta o ser humano. Tencionando obter informações sobre a origem da religião, buscamos o clã totêmico; da filosofia, as idéias de Sócrates, Platão e Aristóteles; da medicina, os pensamentos de Hipócrates. A história do reflexo está ligada quer às origens do estudo experimental do comportamento, quer à formação da fisiologia nervosa. Nesse sentido, em se tratando dos reflexos muitos são os "pais" da ideia, dependendo do conceito próprio de reflexo de cada historiador em questão.

René Descartes (1596-1650), com a sua teoria dos espíritos animais, é apontado por muitos como o iniciador do desenvolvimento do conceito como princípio explicativo dos movimentos musculares. Os espíritos animais, para Descartes, eram o resultado de transformação do sangue aquecido pelo coração. O processo de destilação e volitização, muito gradual, tem como origem e fim o sistema nervoso central. Há controvérsia, porque Canguilhem demonstra que a teoria cartesiana é incontestavelmente uma "teoria mecanicista, mas não é a teoria do reflexo": ela trata apenas das respostas involuntárias. Galeno ( 131-200 d. C.), por exemplo, não tratou do assunto em termos filosóficos, mas experimentalmente e usava a técnica da vivissecção. Note que Thomas Willis contrariou também a teoria de que os reflexos começam no coração. Para ele, são produzidos no encéfalo e mais exatamente no cérebro e cerebelo, mas não no coração.

Giovanni Alfonso Borelli (1608-1679), cujo nome está ligado à escola iatromecânica, merece menção neste escorço histórico. Segundo esta escola, a explicação do movimento nos animais e no homem deve ser procurada nas leis da mecânica e da matemática. Ele substitui os "espíritos" de Descartes e de Willis, por um líquido nervoso, succus nerveus, que corre através das fibras nervosas. Depois de Borelli, surgem Von Haller (1708-1777) com a sua teoria da irritabilidade, Robert Whytt (1714-1766), o primeiro a falar da ação reflexa em harmonia com os dados experimentais e Marshall Hall (1790-1857) apresentando uma rigorosa distinção entre os movimentos voluntários e involuntários.

Ivã Pavlov (1849-1936), fisiologista russo, ficou famoso pela descoberta dos reflexos condicionados ou da reação condicionada. A sua teoria dos reflexos condicionados é extraída dos experimentos que fizera com os cães. Profundo conhecedor das glândulas e suas secreções, resolve por em prática o conteúdo dos seus conceitos. Para isso, amarra um cão, isola-o de todo o barulho externo, e dá-lhe uma substância sialogênica; ao mesmo tempo, faz retinir um som, por exemplo, o de uma campainha. Depois de várias repetições, suspende a substância sialôgenica, permanecendo tão somente com o som da campainha. Resultado: o cão, sem o estímulo inicial, emite suco gástrico, associando-o apenas ao som da campainha.

Depois de Pavlov, surgiram: Bechterew (1857-1927), que sublinha as diferenças entre seus estudos e os de Pavlov, embora o método seguido seja essencialmente o mesmo: a substituição de um estímulo eliciador natural por um novo estímulo — a descarga elétrica na planta do pé; Edward L. Thorndike (1874-1949) que estudara o processo associativo nos animais, chegando à conclusão dos componentes globais, ao contrário de Pavlov, que eram parciais; Burrhus Frederic Skinner (1904-1990), que utiliza os resultados de Pavolv e Thonrdhike, no sentido de procurar a mesma ordem encontrada por Pavlov, porém entre os estímulos e o comportamento do órgão como um todo.

A história mostra-nos a sucessão dos enfoques teóricos-práticos, baseados nas observações e experiências de cada cientista. Esperamos que todos esses esforços possam ser úteis para darmos mais importância à nossa massa encefálica.

Fonte de Consulta

PESSOTTI, I. Pré-História do Condicionamento. São Paulo, Hucitec, 1976.
São Paulo, 12/11/1997
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