28 agosto 2008

Palavras da Vida Eterna

Rodeiam-nos as palavras. Os nossos ouvidos estão diariamente em contato com uma miríade de informações, provenientes de diversas fontes, tais como, rádio, televisão, familiares, amigos, vizinhos, pessoas falando ao celular. Desta imensa gama, o cérebro registra apenas uma pequena porção. O resto é esquecido. Além disso, há também o esquecimento voluntário, ou seja, o material que achamos dispensável. Neste último caso, devemos tomar muito cuidado para não apagar "as palavras da vida eterna".

A Palavra de Deus pode ser vista historicamente. No Velho Testamento, a Palavra de Deus é veiculada pelos profetas, isto é, os intermediários, os enviados de Deus. A palavra nesse contexto tem dinamismo, vigor, muito diferente do logos grego, em que a palavra servia muito mais para as lucubrações do pensamento. Moisés, por exemplo, conversou face a face com Deus, recebendo Dele a tábua dos Dez Mandamentos. Deus também falou diretamente com Abraão.

No âmbito do Novo Testamento, a Palavra é proferida por Jesus e anotada pelos seus Apóstolos, pois como é do conhecimento geral, Jesus não nos deixou nada escrito. As palavras do Novo Testamento, ao contrário das do Velho Testamento, implicam mudança de paradigma. O ouvinte, depois de tomar conhecimento da Palavra de Deus, deve procurar ajustar a sua conduta ao que acabou de aprender. Jesus dizia: "Aquele que tem olhos de ver, veja; aquele que tem ouvidos de ouvir, ouça".

A Palavra no Novo Testamento foi traduzida como Evangelho que, do grego eu aggélion, significa Boa-Nova, Boa Notícia, ou seja, Boa Palavra. Observe que a origem etimológica do terrmo palavra é parabola. Jesus, por sua vez, ensinava por parábolas, ou seja, por palavras. E, dentre as parábolas contadas por Jesus, a que melhor retrata as "palavras da vida eterna" é a "Parábola do Semeador". Nessa parábola, a semente (palavra) foi lançada ao solo (condição espiritual do ser humano). Em cada tipo de terreno (grau de evolução do Espírito) em que a semente caiu brotou um tipo diferente de fruto.

Os Apóstolos, depois de Jesus, são também considerados "divulgadores" da Palavra de Deus. Eis algumas instruções dadas por Jesus aos seus apóstolos: "Em qualquer cidade ou povoado em que entrardes, indagai quem neles é digno; e aí ficai até vos retirardes. Ao entrardes na casa, saudai-a; se, com efeito, a casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a vossa paz. Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés". (Mateus, 10, 5 a 14)

Depois de ouvida e registrada a Palavra de Deus, não podemos mais recuar. Há muitas passagens evangélicas que nos exortam a caminhar, mesmo com os pés e os joelhos desconjuntados. Eis algumas delas: "Aquele que tomar da charrua e olhar para trás não é digno do Reino de Deus"; "Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras diante dessa geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória do seu Pai com seus santos anjos"; "Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim e da Boa Notícia, vai salvá-la".

Não sabemos o alcance de nossas palavras. Contudo, se estivermos agindo sob a inspiração dos bons Espíritos, com certeza as nossas palavras terão um impacto muito grande na mente daqueles que nos ouvem.

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08 agosto 2008

Lei Divina e Natural

A lei é uma norma, um preceito, um princípio, uma regra, uma obrigação imposta pela consciência e pela sociedade. De forma geral, expressa um dever ser ou ter de ser. A lei é modelo, medida e diretriz da conduta humana. A lei é um imperativo básico da sociedade. Sócrates, na sua época, chegou a afirmar que obedecia até às más leis, para não estimular outros seres humanos a desobedecer às boas.

A Enciclopédia Verbo da Sociedade e Estado destaca três espécies de lei: a Lei Eterna, a Lei Natural e a Lei Positiva. A Lei Eterna, também chamada de "lei das leis" consiste na ordenação por Deus de todos os seres do Universo ao seu fim. A Lei Natural é a participação das leis eternas na criatura racional. A Lei Positiva é a lei estabelecida historicamente, mediante a qual a razão divina (lei divina positiva) ou humana (lei humana positiva) regulam a conduta dos seres humanos.

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, diz-nos que a Lei Divina é a Lei de Deus, eterna e imutável como o próprio Deus. Acrescenta que: "Entre as leis divinas, umas regulam o movimento e as relações da matéria bruta: são as leis físicas; seu estudo pertence ao domínio da Ciência. As outras concernem especialmente ao homem e às relações com Deus e com os seus semelhantes. Compreendem as regras da vida do corpo e as da vida da alma: são as leis morais". Por isso, diz-se que "A lei moral é uma lei ideal e a lei física uma lei real".

Em se tratando da lei moral, cabe-nos distinguir o bem do mal, o que não é uma tarefa muito fácil. Na antiguidade, o demônio de Sócrates não tinha por norma dizer o que ele devia fazer, mas adverti-lo do que ele não devia fazer. Os "Dez Mandamentos", do Velho Testamento, tinham também por objetivo evitar o mal, com os dizeres: "não faça isso", "não faça aquilo". Mas o que é o bem? Sempre que o vemos, vemo-lo como uma ausência do mal, como bem expressa Wilheim Busch: "O bem – este é o princípio incontestável – nada mais é do que o mal não consumado".

Allan Kardec, na pergunta 630 de O Livro dos Espíritos, esclarece-nos que o bem é tudo aquilo que está de acordo com a lei de Deus e o mal é tudo o que dela se afasta. Mas o que significa a lei de Deus? Expressamo-la melhor por intuição do que por palavras. Essa intuição mostra-nos um imperativo básico da lei natural, ou seja, o de "fazer o bem e evitar o mal" (bonum est faciendum, malum vitandum). A sua prática está em seguir a lei áurea: "Fazer aos outros o que gostaríamos que nos fosse feito".

Seguir o caminho do bem requer uma análise acurada da consciência. A consciência, que significa etimologicamente um saber testemunhado ou concomitante, isto é, simultâneo, apresenta-se de duas formas: espontânea e reflexiva. A consciência espontânea é aquela que capta o objeto; a consciência reflexiva é aquela que se separa do objeto para vê-lo sob um outro ponto de vista, sob uma outra visão. O conhecimento de si mesmo, que é uma ação reflexiva da consciência, não é um simples estado de contemplação, mas uma tomada de consciência para o cumprimento do dever.

A Lei Divina ou Natural é intuída por todos os viventes porque foi escrita por Deus em nossa consciência. Às vezes nos esquecemos dela e nos chafurdamos no mal. Contudo, a misericórdia divina é infinita e está sempre nos enviando Espíritos de luzes – os profetas – para nos direcionar novamente no caminho do bem.

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