09 dezembro 2009

Religiosidade e Fé Raciocinada

O Espiritismo, doutrina codificada por Allan Kardec, é apontado pelo Espírito Emmanuel como um libertador de consciências. O Espiritismo não é uma religião, mas uma filosofia científica de consequências morais. Religiosamente, se assim o quisermos interpretar, é o cristianismo redivivo. De acordo com os pressupostos espíritas, o Espiritismo só foi possível vir à luz, depois da descoberta do método teórico-experimental e do avanço das ciências.

A Nova Ciência, como assim foi chamada, abrange o período que vai do século XV ao século XVII, em que se desenvolveu a experimentação científica. Os seus protagonistas são: Francis Bacon, Copérnico, Galileu Galilei, Isaac Newton e Giordano Bruno. Eles se afastaram da metafísica e procuraram se fixar no concreto (número, medida, estatística). Formulavam as hipóteses, coletavam os dados, testavam as hipóteses e tiravam as conclusões.

Allan Kardec era um cientista. Para codificar a Doutrina Espírita, valeu-se do método teórico-experimental. Formulou as hipóteses, colheu os dados e tirou as conclusões. Dizia que era preferível rejeitar nove verdades a aceitar uma que fosse erro. Tinha em mente a lei de causa e efeito, ou seja, alguma coisa não pode vir do nada. Dizia que se o efeito é inteligente, a causa também deve ser. Se a obra da natureza (efeito) é inteligente, a sua causa (Deus) também deve ser inteligente.

Allan Kardec ensina-nos a raciocinar com a lógica e a razão. Por isso, a célebre frase: “Não há fé verdadeira senão aquela que pode enfrentar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade”. Foi nesse sentido que desenvolveu os argumentos da fé raciocinada. A fé é inata, mas deve ser raciocinada, para que não se torne uma fé cega, uma fé dogmática. A fé raciocinada procura razões no sentido de fortalecer a crença do sujeito cognoscente.

Usando a lógica do raciocínio dentro da fé raciocinada, podemos enfrentar qualquer tipo de problema. Vejamos, por exemplo, o "Reino dos Céus". Como interpretar essa simbologia? O "Reino dos Céus" não é um lugar circunscrito, um reinado. Ele deve ser entendido como uma conquista interior, não qualquer conquista, mas aquela que segue os ditames da Lei Natural. Quem cumpre a Lei Natural, na sua maior pureza, está apto para entrar no "Reino dos Céus", ou seja, no reino da bem-aventurança, no reino da verdade.

Pensemos em outra passagem evangélica: “Não colocar a candeia debaixo do alqueire”. Aqui a interpretação é transmitir o conhecimento de acordo com a capacidade do ouvinte. De nada adianta comunicar-lhe um conhecimento que ainda não está apto a entender. É como o diálogo entre dois estrangeiros que não falam a mesma língua. Muitas vezes se valem do sinal, dos gestos, da mímica, mas não são base segura para a compreensão da mensagem.

A fé raciocinada leva-nos a conhecer melhor o nosso relacionamento com o Criador. Isso torna a nossa religiosidade mais robusta, mais fortalecida. Coloquemo-nos diante dos fatos, que nos visitam a toda hora: os jornais e a mídia televisiva. Esses meios de comunicação de massa podem estimular os jovens a praticar atos que não dizem respeito à virtude, apregoada pela filosofia e a moral dos costumes elevados.

A Psicologia informa-nos sobre a facilidade de adquirir o vício e a dificuldade de largá-lo. Basta darmos o primeiro passo, que outros passos o seguirão. Se nos faltarem orientações morais e religiosas, podemos sucumbir aos diversos vícios que corroem a humanidade e impõem à sociedade pesados custos, quer seja de ordem médica, quer seja de ordem jurídica, em que o Estado, que usa o nosso dinheiro, é obrigado a gastar mais recursos com a construção de novos hospitais e prisões.

A religião é uma espécie de fiscal de nossa consciência. Pensamos em cometer um ato menos feliz, e lá está o preceito moral importunando a nossa consciência, no sentido de evitarmos tal ação. Religião relaciona-se com prece. Esta deve ser feita mais com o coração do que com as palavras ou gestos. O que conta é a nossa ligação mental com Deus, não o número de palavras proferidas.

Todos nós podemos pedir, por intermédio da prece, forças para vencer as nossas dificuldades. Hoje, estamos acostumados com o comodismo, com a fartura do lazer, com a quantidade enorme de informações que nos chegam a todo o momento. Lembremo-nos de que na antiguidade grega os jovens eram obrigados a dormir em cama dura, para se acostumarem com as adversidades da vida.

Toda criança é potencialmente um adulto, em mais ou menos tempo. O tempo, porém, é irreversível, ou seja, quer seja bem ou mal usado não volta mais. Que são 40, 50, 100 anos ante a eternidade? Nada. Preparemos o nosso futuro; ele chega demasiadamente cedo.

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