31 janeiro 2010

No Leito de Dor

Em meio à nossa existência, deparamo-nos numa cama de hospital. Podemos ficar imobilizados devido a uma queda, a uma doença grave ou a um mal súbito. A primeira reação é nos revoltarmos contra a dor; a segunda, procuramos achar os culpados pela nossa situação. O que fazer diante desse quadro?

A reclusão, o abandono e a solidão levam-nos a uma reflexão sobre nós mesmos. Indagamos: por que isto aconteceu comigo? É expiação de vidas passadas? O que fiz de errado para merecer tanto sofrimento? Por que Deus deixou que isso acontecesse? Será que Ele não gosta de mim? Essas e outras perguntas, surgindo naturalmente, são importantes para nós. Convém, contudo, não nos demorarmos muito nesses questionamentos para não perdermos a lição que a dor nos oferece.

Evitemos culpar fulano e beltrano. É mais produtivo analisar a situação presente, que é o real, já que não temos mais condições de modificá-la. Pensemos: quem sabe o ciclo de vida para tal pessoa não esteja chegando ao fim e o tombo, por mais paradoxal que possa parecer, serviu, para facilitar este término, já que de outro modo poderia se prolongar indefinidamente?

Os desígnios de Deus estão acima da compreensão humana. Um julgamento precipitado conduz-nos ao arrependimento. As coisas são o que são. Depois de consumado, o fato se torna uma realidade. Não percamos tempo procurando explicações. Se estiver no nosso caminho passar por uma determinada provação, a própria vida se encarrega de concretizá-la. Não nos enganemos com as aparências.

No silêncio de um leito de dor, podemos praticar a meditação profunda, visto não termos outra coisa que fazer a não ser pensar. Não há necessidade de nos preocuparmos com a comida, o vestuário e a higiene pessoal. Há pessoas contratadas pelo hospital que o fazem por nós. Desse modo, é conveniente que deixemos livre o nosso pensamento para que possamos captar as boas inspirações dos Espíritos de luz.

A dor é a verdadeira realidade. Quando nos defrontamos com ela, presos a um leito de hospital, saibamos absorver os seus nobres ensinamentos.

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