20 março 2010

Religião e Transformação

“Tenho apenas três coisas a ensinar: simplicidade, paciência, compaixão. Esses três são teus maiores tesouros. Simples nas ações e pensamentos, retornas à fonte do ser. Paciente com amigos e inimigos, estás em harmonia com o modo de ser das coisas. Compassivo contigo mesmo, reconcilias todos os seres do mundo”.
Lao Tse, Tao Te Ching

Religião é a ligação com o objeto que a pessoa considera sagrado. Ser religioso é a busca da realidade última face à inadequação com a vida atual. Em dado momento de nossa vida, sentimos uma insatisfação, parecendo que nos falta algo, sem o sabermos definir com clareza. É que o atendimento às necessidades materiais tem os seus limites. Precisamos também nos lançar numa vida plena, numa vida de mais significados existenciais.

Embora haja diferença entre os cultos das diversas religiões, percebemos um elemento comum a todas elas: a transformação do crente. A transformação implica desviar-se do que é uma vida inadequada para uma vida plena, completa. Para isso, todas elas comunicam aos seus adeptos uma série de ordens, de advertências, de recados, de frases e de pensamentos, com o intuito de enfatizar a virtude e combater o vício.

O budismo e o hinduísmo, por exemplo, pregam o afastamento da ilusão do mundo para atingir o Nirvana. O judaísmo estabelece uma aliança entre os seus adeptos e Deus. Os muçulmanos rendem obediência a Alá. O cristianismo, baseado na pregação de Jesus Cristo, ensina-nos o desapego aos bens terrenos para ganharmos o "Reino dos Céus". Lembremo-nos das palavras de Paulo: “Já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim”.

O Espiritismo, Doutrina codificada por Allan Kardec, traz-nos diversas teses acerca dessa transformação. A sua divisa é: “Amai-vos e instrui-vos”. Ainda: “O verdadeiro espírita é reconhecido pela sua transformação moral”. Nas obras básicas do Espiritismo, há farto material para encetar essa transformação, que é pessoal e intransferível, pois ninguém o fará por nós. Basta apenas que tenhamos coragem de renunciar ao nosso egocentrismo, automatizado ao longo de história.

Na transformação, há o combate e o bom combate. Paulo, o apóstolo dos gentios, deu-nos o exemplo do bom combate. Até o encontro do Cristo, andara no combate, ou seja, em função do poder mundano e das dominações transitórias; depois, no bom combate, isto é, na luta consigo mesmo através das incompreensões, desprezo, apedrejamento, perseguição e prisões. O Espírito Emmanuel diz que Paulo, "aparentemente arrasado e vencido, saiu da Terra na condição de verdadeiro triunfador".

Apoiemos-nos no lado bom das religiões, aquele que nos incentiva ao bom combate, principalmente aquele que nos priva do egocentrismo.

Nenhum comentário: