02 março 2012

Comunidade

Comunidade. Do latim communitas, atis, uma unidade feita pela integração e participação de muitos, essencial ao desenvolvimento do ser humano. É uma forma estável de associação da qual os membros participam por aquilo que são. Nesse sentido, distingue-se da sociedade, ou formas societárias de associação, das quais os membros participam por aquilo que têm. A família, a qual estamos integrados por tudo aquilo que somos e na qual empenhamos a nossa própria vida, é uma comunidade. Uma firma que se constitui com o capital dos acionistas é uma sociedade. 


Em termos religiosos, lembramo-nos da primitiva designação do Cristianismo, os homens do “Caminho”, em que Pedro, em sua residência, recebia os enfermos e desvalidos de toda espécie. Velhos a exibirem úlceras asquerosas, loucos, crianças paralíticas e muitos outros, todos atraídos pela fama de Jesus, que ressuscitava os mortos e curava os enfermos, restituindo-lhes a tranquilidade aos corações mais infortunados do mundo. Nessa simples comunidade, em sua pureza primitiva, foram traçados os primeiros contornos da grande árvore do Cristianismo. 

Cristo, prevendo que os seus ensinamentos seriam deturpados, deixou-nos diversas advertências, algumas narradas por João, no capítulo 14, versículos 15, 16, 17 e 26 do seu Evangelho (Consolador Prometido): “Mas o consolador, que é o Espírito Santo, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará relembrar de tudo aquilo que eu vos tenha dito”. Quer dizer, precisamos desconfiar dos fogos fátuos da religião eletrônica, procurando fazer uma distinção entre os cristãos verdadeiros e os falsos cristos. 

A comunidade espírita, por sua vez, deve ater-se ao princípio elementar do cristianismo, que é amar ao próximo como a si mesmo. Por isso, os que ali convivem devem ter muita cautela quanto ao melindre, fator desencadeante de muitas discussões e afastamentos de pessoas de um Centro Espírita. Isso mostra o nosso grau de ignorância quanto à expectativa de recompensa pelo que estamos realizando. O correto seria trabalharmos para Cristo e não para as pessoas. 

Nós outros que, porventura, estivermos à frente dessa comunidade, devemos cuidar para que de nossa boca não saia palavra vã. Quer queiramos ou não, somos um exemplo para os demais membros da comunidade. Por isso, o verbo conciliador, a palavra amiga, a observação sincera e autêntica, procurando não ferir quem quer que seja, porque somos todos irmãos diante da obra de Jesus. 

Um pouco de fermento leveda a massa toda. Deixemos que nossa palavra sincera penetre o âmago de todos os corações. A boa palavra segue o seu caminho. Não precisa de imposições.

Nenhum comentário: