27 março 2012

Reconciliação


“Reconciliai-vos, o mais depressa, com vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho, a fim de que vosso adversário não vos entregue ao juiz, e que o juiz não vos entregue ao ministro da justiça, e que não sejais aprisionado. Eu vos digo, em verdade, que não saireis de lá, enquanto não houverdes pago até o último ceitil”. (Mateus, cap. V., 25,26)

A reconciliação é uma das experiências básicas da vida cristão. A possibilidade de reconciliação baseia-se na natureza contingente do homem. Reconciliar significa harmonizar, unir espiritualmente os ânimos que haviam entrado em confronto ou separado por causa do egoísmo, de cobiça, de inveja, de ódio ou da competição desleal. Reconciliação com Deus e reconciliação com os irmãos não são coisas independentes.

Lembremo-nos de que toda a Bíblia é uma história de reconciliação. Os próprios mitos dos primeiros capítulos do Gênesis pretendem mostrar que ao dar as costas para Deus, Adão e Eva também romperam com a própria harmonia da Lei, a qual deve ser retomada novamente. Por inveja, Caim matou Abel. Observe que toda a Aliança proposta no Velho Testamento nada mais é do que unir os homens entre si e com Deus. Os profetas são os elos de reconciliação com Deus.

O Cristianismo centra-se na experiência do amor entre os homens como fato fundamental de aproximação a Deus. Entretanto o ser humano é ser egoísta por natureza e se encontra submerso na estrutura da injustiça e opressão que o cercam e o impulsionam para o mal. Há assim contradição entre o ensinamento de Jesus e o seu interior. Nesse sentido, a reconciliação ou perdão mútuo entre os irmãos deve ser uma tarefa constante tendo em vista a realização do amor.

Para algumas filosofias modernas, o único caminho para a libertação dos povos encontra-se na luta de classes, que estimula o antagonismo entre os seres humanos, contrariando enormemente a mensagem de Cristo, que é de união e de amor ao próximo.  

De acordo com os pressupostos espíritas, a reconciliação com o adversário enquanto estivermos a caminho, é sumamente importante, porque a morte não nos livra dos nossos inimigos, pois eles continuam vivos além-túmulos. Acontece que a ausência da vestimenta física é um elemento de maior facilidade para o ataque mental, isto é, através das interferências em nossos mais secretos pensamentos. 

A maioria das obsessões surge deste funesto sentimento de vingança e de ódio de quem se foi para a outra vida. Fortifiquemo-nos através do "vigai e orai". 

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

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