27 março 2012

Tristeza e Religião


Por que alguns cristãos não apresentam atitude alegre diante da vida? Será por defeito? Por autenticidade? A meditação pode nos levar ao um estado de tristeza? Por que a humanidade, de um modo geral, parece mais triste do que alegre? É apenas aparência ou realidade? Eis algumas questões para iniciarmos esta pequena reflexão sobre o aspecto lúgubre de nossa existência.

Influenciados pelo anexim de que “a Terra é um vale de lágrimas”, o nosso sentimento mais frequente está relacionado com a desgraça e a dor; a tristeza, que daí advém, acaba obscurecendo toda a nossa existência. Ela acaba ditando a nossa conduta e o nosso comportamento, desviando-nos, muitas vezes do bom caminho, porque abalou toda a nossa resistência psíquica, configurando uma queda espiritual de proporções gigantescas.

Nas religiões, há um paradoxo: buscam a alegria, mas fazem-no de modo triste. Lembremo-nos do filme “O Nome da Rosa”, narrativa policial, ambientada num mosteiro beneditino da Idade Média, em que o riso era proibido. Um filme de feições taciturnas, tristes e melancólicas, que desviavam os crentes da verdadeira religião, inclusive com os diversos assassinatos ali ocorridos.  

O Cristianismo, porém, se apresenta como uma mensagem de alegria, a conclamação da boa nova, um anúncio de felicidade que diz respeito à vida inteira. A tristeza de Jesus, durante a Paixão, quando diz que sua alma está triste até morte, não significa uma tristeza pessimista, mas um sofrimento em favor da libertação dos homens. A sua tristeza é por reconhecer que os homens ainda não compreendiam a sua mensagem de esperança. Por isso, o consolador prometido.

Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. – Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (João, XIV: 15 a 17 e 26)

De acordo com Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, “O Espiritismo vem, no tempo assinalado, cumprir a promessa do Cristo: o Espírito da Verdade preside ao seu estabelecimento. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas, fazendo compreender o que o Cristo só disse em parábolas. O Cristo disse: “que ouçam os que têm ouvidos para ouvir”. O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porque ele fala sem figuras e alegorias. Levanta o véu propositalmente lançado sobre certos mistérios, e vem, por fim, trazer uma suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, ao dar uma causa justa e um objetivo útil a todas as dores”.

No mundo de provas e expiações que ainda vivemos, não há alegria sem tristeza. Façamos dela um trampolim para a verdadeira alegria, aquela que vem da prática incessante da caridade desinteressada.

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.e

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