22 maio 2012

Autoridade e Religião


A autoridade, que é a força moral e física que impõe direitos e obrigações entre os seres humanos, pode ser analisada sob dois pontos de vista: moral e política. Moralmente, quando a autoridade se impõe pelo prestígio e dignidade da pessoa humana. Do ponto de vista político, a autoridade, na maioria das vezes, é imposta pela força física, pelo conchavo e pela corrupção, como vemos nos noticiários dos jornais, escritos e falados.

Na antiguidade, a autoridade tinha cunho divino. As vestes e as insígnias reais serviam para que reis e senhores feudais se mostrassem muito diferentes dos outros mortais, podendo, com isso, impor a sua vontade arbitrariamente. Daí, os abusos do poder que campearam nos diversos povos antigos.

No Velho Testamento, cujo regime do povo de Israel era a teocracia, admitia-se que toda a autoridade provinha de Deus, concebido antropomorficamente. Havia uma unidade entre a autoridade e a vontade de Deus. Assim, é Deus que confere ao homem o poder sobre a natureza (Gn 1, 26-28), o poder do marido sobre a mulher (Gn 3,16), o poder dos pais sobre os filhos (Lv 19,13) e até o poder dos reis sobre os seus súditos (1Rs 19,15). Pela grandeza do poder que confere, a autoridade se presta aos mais terríveis abusos.

No Novo Testamento, Jesus dá novo matiz à autoridade. Enquanto os reis da antiguidade queriam prestígio e grandeza pessoal, Jesus prega que a autoridade é algo que deve firmar-se na base do serviço desinteressado ao próximo. A verdadeira autoridade não é conquistada com armas e guerras, mas com a renúncia do próprio eu em favor de todos os irmãos de caminho. Para isso, quem quiser mandar, que se faça primeiro escravo de todos os homens.  

No âmbito da Doutrina Espírita, que é o cristianismo redivivo, Allan Kardec, auxiliado pelos Espíritos superiores, vem nos dizer que a autoridade e a riqueza são empréstimos que a divindade nos oferece e que deveremos prestar contas. Não nos foram dadas para o nosso bel-prazer, mas como fontes de auxílio para o engrandecimento e potencialização do nosso próximo.

Caso estejamos investidos de alguma autoridade, saibamos usá-la em beneficio do próximo, pois foi com essa intenção que Deus a colocou em nossas mãos. 

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

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