27 março 2012

Tristeza e Religião


Por que alguns cristãos não apresentam atitude alegre diante da vida? Será por defeito? Por autenticidade? A meditação pode nos levar ao um estado de tristeza? Por que a humanidade, de um modo geral, parece mais triste do que alegre? É apenas aparência ou realidade? Eis algumas questões para iniciarmos esta pequena reflexão sobre o aspecto lúgubre de nossa existência.

Influenciados pelo anexim de que “a Terra é um vale de lágrimas”, o nosso sentimento mais frequente está relacionado com a desgraça e a dor; a tristeza, que daí advém, acaba obscurecendo toda a nossa existência. Ela acaba ditando a nossa conduta e o nosso comportamento, desviando-nos, muitas vezes do bom caminho, porque abalou toda a nossa resistência psíquica, configurando uma queda espiritual de proporções gigantescas.

Nas religiões, há um paradoxo: buscam a alegria, mas fazem-no de modo triste. Lembremo-nos do filme “O Nome da Rosa”, narrativa policial, ambientada num mosteiro beneditino da Idade Média, em que o riso era proibido. Um filme de feições taciturnas, tristes e melancólicas, que desviavam os crentes da verdadeira religião, inclusive com os diversos assassinatos ali ocorridos.  

O Cristianismo, porém, se apresenta como uma mensagem de alegria, a conclamação da boa nova, um anúncio de felicidade que diz respeito à vida inteira. A tristeza de Jesus, durante a Paixão, quando diz que sua alma está triste até morte, não significa uma tristeza pessimista, mas um sofrimento em favor da libertação dos homens. A sua tristeza é por reconhecer que os homens ainda não compreendiam a sua mensagem de esperança. Por isso, o consolador prometido.

Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. – Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (João, XIV: 15 a 17 e 26)

De acordo com Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, “O Espiritismo vem, no tempo assinalado, cumprir a promessa do Cristo: o Espírito da Verdade preside ao seu estabelecimento. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas, fazendo compreender o que o Cristo só disse em parábolas. O Cristo disse: “que ouçam os que têm ouvidos para ouvir”. O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porque ele fala sem figuras e alegorias. Levanta o véu propositalmente lançado sobre certos mistérios, e vem, por fim, trazer uma suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, ao dar uma causa justa e um objetivo útil a todas as dores”.

No mundo de provas e expiações que ainda vivemos, não há alegria sem tristeza. Façamos dela um trampolim para a verdadeira alegria, aquela que vem da prática incessante da caridade desinteressada.

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.e
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Reconciliação


“Reconciliai-vos, o mais depressa, com vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho, a fim de que vosso adversário não vos entregue ao juiz, e que o juiz não vos entregue ao ministro da justiça, e que não sejais aprisionado. Eu vos digo, em verdade, que não saireis de lá, enquanto não houverdes pago até o último ceitil”. (Mateus, cap. V., 25,26)

A reconciliação é uma das experiências básicas da vida cristão. A possibilidade de reconciliação baseia-se na natureza contingente do homem. Reconciliar significa harmonizar, unir espiritualmente os ânimos que haviam entrado em confronto ou separado por causa do egoísmo, de cobiça, de inveja, de ódio ou da competição desleal. Reconciliação com Deus e reconciliação com os irmãos não são coisas independentes.

Lembremo-nos de que toda a Bíblia é uma história de reconciliação. Os próprios mitos dos primeiros capítulos do Gênesis pretendem mostrar que ao dar as costas para Deus, Adão e Eva também romperam com a própria harmonia da Lei, a qual deve ser retomada novamente. Por inveja, Caim matou Abel. Observe que toda a Aliança proposta no Velho Testamento nada mais é do que unir os homens entre si e com Deus. Os profetas são os elos de reconciliação com Deus.

O Cristianismo centra-se na experiência do amor entre os homens como fato fundamental de aproximação a Deus. Entretanto o ser humano é ser egoísta por natureza e se encontra submerso na estrutura da injustiça e opressão que o cercam e o impulsionam para o mal. Há assim contradição entre o ensinamento de Jesus e o seu interior. Nesse sentido, a reconciliação ou perdão mútuo entre os irmãos deve ser uma tarefa constante tendo em vista a realização do amor.

Para algumas filosofias modernas, o único caminho para a libertação dos povos encontra-se na luta de classes, que estimula o antagonismo entre os seres humanos, contrariando enormemente a mensagem de Cristo, que é de união e de amor ao próximo.  

De acordo com os pressupostos espíritas, a reconciliação com o adversário enquanto estivermos a caminho, é sumamente importante, porque a morte não nos livra dos nossos inimigos, pois eles continuam vivos além-túmulos. Acontece que a ausência da vestimenta física é um elemento de maior facilidade para o ataque mental, isto é, através das interferências em nossos mais secretos pensamentos. 

A maioria das obsessões surge deste funesto sentimento de vingança e de ódio de quem se foi para a outra vida. Fortifiquemo-nos através do "vigai e orai". 

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.
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23 março 2012

Esperança e Religião


A esperança consiste no desejo de um bem futuro. Quando o bem futuro é o Reino de Deus, ela transforma-se numa virtude religiosa. A esperança é essencial para a vida do homem. Isto porque a vida humana não se restringe a um dia, mas a um processo, longo e duradouro. A esperança pressupõe o encontro com o outro. Dentre as esperanças, há a grande esperança, que é o encontro com Deus, abrangendo toda a nossa vida. 

Nós, seres humanos, precisamos sonhar, imaginar o futuro, mesmo sabendo que muitos desses sonhos não se realizarão. O marxismo critica o cristianismo; acha que este é o ópio do povo, porque os seus adeptos transferem o gozo presente pelo gozo futuro, quando estarão no Reino do Céu.  Mesmo recebendo muitas críticas, o cristão verdadeiro continua a ter esperança, pois sonhar é viver.  

Esperança não é segurança. Desalentado, o homem procura substituir a esperança pela segurança: prova disso são o auxílio-doença, o seguro-desemprego e a aposentadoria. Esses auxílios nos fornecem uma garantia financeira, mas não criam a esperança. A esperança é liberdade, é a espontânea aceitação do futuro, com seus riscos, dissabores e, também, alegrias.  

Todo o Antigo Testamento constitui uma história da esperança, pois Israel sempre esperou o Deus que lhe desse a salvação universal, que é o reino de Deus. Abraão já abençoava os futuros povos. Os profetas pregavam contra as falsas esperanças: a força, o dinheiro, a riqueza e o poder. Deus viria testemunhar a justiça, trazer-nos a esperança e elucidar-nos sobre a transformação interior.

A mensagem de Cristo também se concentra na esperança, tendo por base a pregação do Reino de Deus. Ainda: “Jesus, na condição de mestre divino, sabe que os aprendizes nem sempre poderão acertar inteiramente, que os erros são próprios da escola evolutiva e, por isto mesmo, a esperança é um dos cânticos sublimes do seu Evangelho de Amor” (1).

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.
(1) XAVIER, F. C. Vinha de Luz, pelo Espírito Emmanuel. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1971. (cap. 75)  
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22 março 2012

Economia e Religião

A religião, principalmente aquela baseada nos textos evangélicos, parece condenar o dinheiro e a riqueza. Tem-se a impressão que o cristianismo subestima a dimensão econômica do homem. Do lado oposto, o marxismo cognomina o cristianismo como o ópio do povo, acusando-o de escapismo e alienação. O ser humano situa-se entre essas duas vertentes.

A economia, que é a transformação dos bens naturais em bens úteis, representa a subsistência do homem. Este fato, básico e fundamental, estimula-nos a absolutilizá-la, no sentido de que todas as nossas ações ficam a ela subordinadas. Sendo assim, ela se torna inimiga do homem, pois cria no ser humano o desejo de posse, tornando-o opressor de outras pessoas. Investido de um cargo público, chega a escravizar outros povos, colocando-se acima da justiça.

Num primeiro momento, a Bíblia assume uma posição otimista da riqueza (ainda não tinha adquirido grandes proporções), quando esta é uma bênção de Deus aos seus eleitos. A única recomendação é que seja moderada. Quando a economia se desenvolve, o otimismo inicial dá lugar aos perigos e riscos do dinheiro, pois os seres humanos acabam usando o dinheiro para oprimir os seus semelhantes.

O Evangelho não estimula nem condena a posse de riquezas. Do ponto de vista moral e religioso, alerta os homens para os males de uma obsessão pelo dinheiro e pelos bens econômicos.

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.
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17 março 2012

Influência e suas Consequências

Influência é o poder, o prestígio, a ascendência de uma pessoa ou de uma coisa sobre outra. É um poder que irradia valores, sentimentos, amor, conselho, edificação, ânimo, orientação, do educador para o educando. Tem uma abrangência universal e onidirecional.

Vivemos no meio de raios, ondas, correntes, vibrações, mentes e mediunidade. A eletricidade e o magnetismo, o movimento e a atração palpitam em tudo. O veículo carnal é um turbilhão eletrônico regido pela consciência. 

Toda ação tem a sua consequência. O nosso modo de pensar influencia o nosso próximo, este o seu próximo, o seu próximo outro próximo e, assim, todos acabam influenciando o Planeta Terra que, por sua vez, influencia outros planetas. Pelo poder irradiante do pensamento, uma dor no outro lado do Planeta pode ser também nossa. Cada indivíduo, com os sentimentos que lhe caracterizam a vida, emite raios específicos e vive no meio de vibrações com as quais se identifica.

A influência no malSão os indivíduos que vivem constantemente com os pensamentos malsãos, muitas vezes chafurdados no crime, na destruição do próximo. As consequências deste tipo de comportamento não se restringem simplesmente a esta encarnação, mas pode ser estendida para as próximas. Os que reencarnam com paralisia e impedimentos físicos diversos podem ser exemplos claros dos hábitos menos felizes do passado delituoso.

A influência no bem. As pessoas que pensam e praticam o bem exalam simpatia, amor e compaixão. Quando nos aproximamos delas, sentimos um bem-estar sem tamanho. Se, as consequências para quem pratica o mal são lastimosas, estas são prestimosas, pois nos dão mais liberdade de ação e mais conforto em nosso desencarne. É a coroação da passagem pela porta estreita dos sofrimentos, pela renúncia aos desejos, pela prática incessante da caridade. 

Seja qual for o problema que nos visite, esforcemo-nos por manter os nossos pensamentos elevados. Com isso, influenciaremos positivamente aqueles que nos rodeiam.

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15 março 2012

Sinceridade


A sinceridade é uma virtude proclamada em todas as partes do mundo. As novas gerações criticam as gerações passadas, achando que estas deveriam agir sem hipocrisia, colocando tudo às claras, sem reservas e sem dissimulações. Querem que os políticos, os homens de negócios e os religiosos olhem todas as coisas sem disfarces. Esquecem-se de que o ser humano precisa de defesas, de disfarces, pois nem tudo pode ser dito. As relações sociais exigem prudência e recato.

A insinceridade é muito comum, pois o homem é um ser complexo. A auto-estima obriga-nos a disfarçar as nossas podridões, para que os outros não descubram os nossos defeitos e, com isso, possamos viver com dignidade no seio da sociedade. Daí, a simulação, a promessa que não se vai cumprir. Isso, de certa forma, corrompe a vida social. É no campo religioso, porém, que a falta de sinceridade é mais condenável, pois a função precípua da religião é proclamar a autenticidade de uma vida unida a Deus.

Jesus, no seu tempo, procurava desmascarar a hipocrisia dos fariseus. Os fariseus desprezavam os que julgavam inferiores; colocavam-se acima dos seus semelhantes em matéria de fé e de saber religioso. Em suas prédicas, Jesus os criticava: de nada adianta usarmos muitas palavras numa prece, de nada adianta rezarmos para que os outros nos tomem como devotos. Tudo isso não passa de insinceridade se esses sentimentos não estiverem arraigados em nossos corações.

Onde surgir uma semente de sinceridade, ajudemos a desenvolvê-la. Lembremo-nos da orientação dada por um mentor aos quatro Espíritos enviados à Terra para evangelizar as criaturas e, 20 meses depois, voltaram desiludidos. “— Ah! Meus filhos!... Meus filhos!... Somos chamados a desenvolver a sementeira e a colheita do Evangelho, onde a sementeira e a colheita do Evangelho se encontrem!... Em verdade, pouco podeis contra a escuridão do materialismo, quando a escuridão do materialismo animaliza as criaturas... Estejamos, porém, convencidos de que, onde esse ou aquele grupo humano demonstre sinceridade e boa consciência, qualquer serviço por Jesus e em nome de Jesus será sempre melhor do que nada”. (1)

Em O evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos muitos incentivos à prática da sinceridade. Um exemplo: regozijemo-nos quando os homens, por ignorância ou má-fé, injuriarem-nos e odiarem-nos devido à sinceridade de nossa fé. Suportemos o mal, que ele é passageiro. Tenhamos em mente que as promessas do Cristo não foram vãs. Sigamos os seus ensinamentos; não nos deixemos influenciar pelas críticas e pelas pessoas que desejam nos desviar do caminho de nossa evolução espiritual.

Esforcemo-nos para adquirir a virtude da sinceridade. Deixemo-la fundamentar as nossas ações, para que possamos irradiar a autenticidade de nossa vida. 

(1) XAVIER, F. C. Estante da Vida, pelo Espírito Irmão X. 3. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1974. (Capítulo VI).  Texto integral em: https://sites.google.com/site/centroismael/questao-moderna
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14 março 2012

Banquete e Religião


A alimentação é uma necessidade vital dos animais e dos seres humanos. O instinto de conservação leva-os a procurar os meios de sustentação que lhes dizem respeito. Nesse sentido, há uma relação de parentesco entre os homens, as plantas e os animais. Vemos que, tanto na Bíblia quanto no Novo Testamento, a moderação no comer e no beber é sempre lembrada.

Para o ser humano, a alimentação, diferente da do animal, não é simplesmente uma função fisiológica; é, também, a expressão de sua sociabilidade. Por isso, no banquete que, na antiguidade, era sinônimo de convite, as pessoas manifestavam as virtudes e os gestos mais humanos, como hospitalidade, agradecimento e regozijo. Observe que quase todos os cultos da antiguidade utilizavam os banquetes com um sentido simbólico e sagrado.

Na Bíblia, o povo de Israel aproveitou esse costume, mas afastou as concepções animistas, em que vítimas eram imoladas. A ideia fundamental era a participação alegre nas festas religiosas. O banquete tinha um objetivo, ou seja, convidar o fiel para a aliança com o Deus Javé, para que pudesse alcançar a sua salvação. A páscoa, ou a grande ceia, era um banquete comunitário da passagem salvadora de Deus no meio de seu povo quando este era perseguido por seus adversários.

Jesus Cristo deu continuidade ao símbolo do banquete: muitas de suas pregações se deram em banquetes para os quais era convidado. Daí, a sua fama de glutão e beberrão. Em João 2, 1 e seguintes trata das bodas de Caná; em Lucas 10, 38 e seguintes dá instruções a Marta e Maria. Em suas pregações, insistia que buscava os pecadores, no sentido de lhes anunciar o reino de Deus. Em Jesus, o banquete simboliza uma vida simples e humilde, em que o sujeito deve estar sempre disposto a ajudar os mais pobres.  

Os discípulos e os primeiros cristãos não fugiram à regra do banquete. Os discípulos, por exemplo, viam Jesus como o símbolo do alimento espiritual, a alimento superior que sacia a fome do espírito. Em se tratando dos primeiros cristãos, estes partiam o pão pelas casas e comiam o alimento com alegria e simplicidade de coração. Com Jesus, o banquete não se tratava mais de comer e beber, mas de uma convivência fraterna (ágape), cuja finalidade era a implantação do reino de Deus na Terra.  

Atendamos ao convite para o banquete. E, sempre que nele formos, saibamos comer e beber com moderação.

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.
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13 março 2012

Comunicação Social: Aspectos Religiosos


A comunicação entre os seres humanos é a base de todo o progresso: científico, político, religioso. A sua concretização realiza-se pela linguagem falada e escrita, juntamente com o mundo dos símbolos.  

Na Bíblia, a mensagem de salvação de um povo pode ser expandida para todos os outros povos. Para tanto, há comentários, filmes e mensagens irradiadas. Observe que o mundo bíblico conserva a tradição de divulgar a palavra revelada ao povo judeu, mas que pode ser apreciada por quaisquer que sejam as pessoas. Por isso, a necessidade dos mensageiros, os encarregados de levar as notícias, boas ou más.  

No Novo Testamento, o Evangelho de Jesus Cristo é a mensagem a ser transmitida a todos os homens; é a "boa nova" da salvação que deve ser anunciada, proclamada a toda a humanidade. No Judaísmo, a mensagem era dirigida a um povo; no Cristianismo, a todos os povos. Os discípulos de Jesus são os seus propagadores, os agentes da comunicação, os proclamadores do reino de Deus na Terra. 

O Espiritismo, codificado por Allan Kardec, nada mais é do que o desenvolvimento do cristianismo primitivo e, por isso, também tem cunho universal. Difere das duas formas anteriores, cuja revelação é pessoal. No Espiritismo, Kardec deixa claro que os ensinamentos são dos Espíritos; ele se coloca apenas como o codificador, o organizador das instruções dadas pelos Espíritos superiores. Nesse caso, mesmo que deixasse de existir, os Espíritos fariam o trabalho através de outra pessoa.  

Na antiguidade, as comunidades eram como "ilhas"; as notícias demoravam muito para alcançar os seus receptores. No mundo moderno, uma informação é quase instantânea, principalmente pela facilidade dos meios de comunicação, como rádio, televisão e internet. Nessa comunicação de massa, há aspectos positivos e negativos. Entre os negativos, há os monopolizadores da notícia, os que visam mais ao bem próprio do que ao bem comum.

O fim da comunicação é a educação da humanidade. Procuremos, assim, estimular as pessoas se sentirem mais livres e mais críticas, a fim de se tornarem mais cônscias de si.  

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.
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09 março 2012

A Lenda do Dinheiro


O Espírito Neio Lúcio, no capítulo 31 (“A Lenda do Dinheiro”), do livro Alvorada Cristã, psicografado por Francisco Cândido Xavier, descreve-nos que, no princípio do mundo, o Senhor entrou em dificuldades no desenvolvimento da obra terrestre, porque os homens se entregaram a excessivo repouso.

Como todo o trabalho estava por fazer, o Senhor da vida pensou que se os homens não agissem por amor, agiriam por ambição. Daí, inventou o dinheiro.

Com o dinheiro, o progresso se fez presente. “Desde então, a maioria das criaturas passou a trabalhar por dedicação ao dinheiro, que é de propriedade exclusiva do Senhor, da aplicação do qual cada homem e cada mulher prestarão contas a Ele mais tarde”.

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07 março 2012

Dinheiro

O dinheiro é o símbolo de riqueza, poder e prestígio. Ele é o deus deste mundo, sob o qual se prostram todos os seus adoradores. Pode ser um elemento-chave de pensamento, que condiciona o ser humano por toda a sua vida, deixando em segundo plano os valores de amor, fidelidade e religiosidade. Interpretando-o como uma forma de miséria humana, Papini diz que o dinheiro é o “excremento” corrompido do diabo.

Até o limiar da época moderna, usávamos o termo “riqueza” para designar a posse de bens materiais, tais como, casas e terrenos; a partir da Idade Média, com a expansão do comércio, o dinheiro adquiriu o estatuto de riqueza a ponto de se tornar o seu sinônimo para a maioria das pessoas. Posteriormente, a sua acumulação passa a ser um dos principais objetivos da atividade econômica, caracterizando e fortalecendo o sistema capitalista de mercado.

Embora o dinheiro tenha adquirido o status de riqueza, ele é simplesmente um meio de troca. Em vez de usarmos sal, boi e farinha, optamos pelo dinheiro, pela sua facilidade nas transações de mercadorias. Que necessidade de dinheiro teria o indivíduo numa ilha solitária, como aconteceu com Robinson Crusoe? Uma faca e uma vara de pescar teriam mais utilidade. Foi mais por causa do cosmopolitismo que virou sinônimo de riqueza. Daí, a impressão de que quanto mais dinheiro mais rico o indivíduo é.  

Em se tratando do aspecto religioso, Jesus Cristo compara o dinheiro ao deus Mamon, que compete com do Deus verdadeiro, enaltece o óbulo da viúva e profere a frase: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Seguindo os seus exemplos, os primeiros cristãos vendiam os seus bens e com o dinheiro arrecadado socorriam aos mais pobres em suas necessidades.

O dinheiro é ao mesmo tempo expressão de grandeza e de perdição. O problema está na sua posse. Por isso, o apóstolo Paulo, em I Timóteo, 6,10, diz-nos: “A paixão pelo dinheiro é a raiz de toda a espécie de males e, nessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”. Acrescentemos, também, a frase: “Pois que aproveitaria ao homem ganhar o mundo todo e perder a sua alma?” — Jesus (Marcos, 8,36).

Se não prestarmos atenção, tudo gira em torno do dinheiro: arte, filosofia, cultura e mesmo a religião eletrônica. Lembremo-nos, assim, do dístico evangélico de repartir com o próximo o que Deus nos ofertou, quer seja dinheiro, tempo e recursos pessoais.


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06 março 2012

Palavra do Presidente: Fevereiro de 2012

Nesta edição, gostaríamos de enfatizar o início de mais um ano letivo de nossas atividades de divulgação doutrinária. Desde 10 de fevereiro, as 5 turmas do Curso de Educação Mediúnica (1º ao 4º ano), a evangelização infantil, os cursos de aprimoramento mediúnico e os grupos de estudo começaram a todo vapor.

Isso é muito importante para o movimento espírita, pois segundo José Herculano Pires, o Espiritismo está nas obras básicas. Para conhecê-lo, devemos nos debruçar sobre suas páginas. Os nossos cursos são esse incentivo à leitura, à abertura de um livro que, posteriormente, abrirá, também, a nossa mente. São novos caminhos que se abrem. E novas perspectivas de vida.

Como complemento dos cursos, temos as palestras públicas, que recomeçaram em um novo ciclo neste ano. O primeiro expositor foi o nosso companheiro Fabio Fadel, explicando-nos a arte de recomeçar.

Lembremo-nos, também, de que a comemoração dos 50 anos do Centro Espírita Ismael prosseguiu com a recente palestra do escritor e radialista José Carlos De Lucca, que trouxe à nossa Casa mais de 300 pessoas (sala 25 e sala 1) — um recorde.

No ano de comemorações do Cinquentenário, que 2012 seja de muito estudo e de muita aprendizagem.

Sérgio Biagi Gregório
presidente
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Consciência (Moral)

A consciência, em seu sentido amplo, é a capacidade de perceber as realidades internas e externas. A consciência moral, por sua vez, é a capacidade de o ser humano avaliar interiormente o que há de bom ou de ruim em uma dada ação. Quando falamos em consciência moral, devemos fazer uma diferença substancial entre a lei, que são normas gerais, e a consciência, que avalia o “hic et nunc” de cada ação. 

Na pergunta 621 de O Livro dos Espíritos, os Espíritos orientam-nos que a lei de Deus está escrita na consciência do ser. Estar escrita é o que há de inato na consciência. Contudo, a lei de Deus precisa ser atualizada, lembrada e esclarecida, para que se torne algo natural em cada uma de nossas ações. Disso resulta que o imperativo “faça isso” ou “não faça aquilo” seja exercitado com o mínimo de consequências negativas, no sentido de evitar a culpa, o remorso e coisas semelhantes.

Na Bíblia, a consciência é designada de “coração”, tendo uma dimensão interior e exterior. No mito do paraíso, Adão e Eva, por exemplo, passam pelo drama da consciência humana: de um lado a ordem divina; do outro, a serpente, que lhe sugere o mal. Nesse caso, eles agem livremente mesmo contra aquilo que sua consciência lhes aponte como justo. No relato de Caim e Abel, nota-se a consciência tisnada após o crime. Diante desses e de outros deslizes, há os profetas, que constituem a consciência social, aqueles que vêm nos lembrar, despertar a nossa consciência para o bem e a verdade.

Ao longo do tempo, porém, a lei escrita teve mais peso do que a lei moral. Os fariseus, por exemplo, quiseram aplicar a lei de forma objetiva e calculada. Jesus Cristo, ao contrário, procurou combater a moral exterior. Em Lucas 11, 33 a 35, ele diz: “E ninguém, acendendo uma candeia, a põe em oculto, nem debaixo do alqueire, mas no velador, para que os que entram vejam a luz. A candeia do corpo é o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso. Vê, pois, que a luz que em ti há não sejam trevas”.  

Paulo, em suas epístolas, desenvolveu a doutrina da consciência. Para ele, a moralidade não pode estar atrelada à Lei, que é exterior, mas ao coração, que é interior. Em Romanos 2, 14 e 15, ele diz: “Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; os quais mostram à obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os”.

É lastimável a disseminação do medo, da culpa e do individualismo no mundo moderno. Para desviarmos os seres humanos desse matiz, aceleremos, desde a infância, a reta formação da consciência.

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.
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05 março 2012

Doentes e Doenças: a Ajuda Espiritual

O Espírito Irmão X, no capítulo 32 ("Doentes e Doenças"), do livro Estante da Vida, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, relata a história de 4 doentes, que pediam a cura de seus males. Uma equipe espiritual de novatos fica condoída com todo aquele sofrimento e aumenta a dose de fluido magnético para auxiliar na cura. 

Restabelecidos, o quadro muda: em vez de prece, querem esganar aqueles que lhes devem, aqueles que não os visitaram... O superior espiritual da instituição vindo até eles, disse:

"Sim, vocês cometeram pequeno engano. Nossos irmãos ainda não se acham habilitados para o retorno à saúde, com o êxito desejável ... Imprescindível baixar a taxa das melhoras efetuadas... E sem qualquer delonga, o superior podou energias aqui, diminui recursos ali, interferiu em determinados centros orgânicos mais além, e, com grande surpresa para o nosso grupo socorrista, os irmãos enfermos, com ligeiras alterações para melhoria, foram restituídos ao estado anterior, para que não lhes viesse a ocorrer coisas piores".






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Pesquisas sobre as Ciências do Espírito

O Espírito Irmão X, no capítulo 26 ("Pesquisas"), do livro Estante da Vida, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, conta a história de dois brasileiros que vão ao exterior conhecer um importante instituto de pesquisas sobre as ciências do espírito. 

Foram imaginando os ganhos que a nova tecnologia podia trazer para uma melhor compreensão na comunicação entre o mundo dos desencarnados e o mundo dos encarnados. 

Chegando lá, tiveram uma surpresa: à questão, para que serve isso, ouviram a seguinte resposta: "Sim, temos urgência máxima nos resultados. As faculdades profundas da alma devem ser mobilizadas na descoberta de segredos militares, no incremento de recursos bélicos, na localização das jazidas de urânio e outros minérios importantes na economia de guerra, nas comunicações a distância..."

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03 março 2012

Parafraseando a Parábola dos Talentos

O Espírito Irmão X, no capítulo 4 ("Estudo da Parábola"), do livro Estante da Vida, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, traz-nos uma visão moderna da "Parábola dos Talentos". 

O rabi Zoar ben Ozias, distinto orientador israelita, dá nome aos talentos: ao primeiro transmitiu o Dinheiro, o Poder, o Conforto, a Habilidade e o Prestigio; ao segundo: a Inteligência e a Autoridade; ao terceiro: entregou o Conhecimento Espírita. 

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Conversa com Marilyn Monroe

O Espírito Irmão X, no capítulo 1 ("Encontro em Hollywood"), do livro Estante da Vida, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, relata-nos a conversa que teve com Marilyn Monroe.

Nesse diálogo, ela se mostra em estado de perturbação espiritual, mas nega que tenha se suicidado como os jornais da época haviam publicado. O que ela tinha era uma influência muito grande de Espíritos obsessores, que acabou ingerindo doses em excesso do remédio, mas não o fez de forma consciente. 

Leia o texto completo em: https://sites.google.com/site/centroismael/encontro-em-hollywood 
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02 março 2012

Burro Manco

O Espírito Irmão X, no capítulo 24 ("O Burro Manco"), do livro Estante da Vida, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, relata a conversa entre médiuns acerca incompreensão de um Espírito de luz transmitir a sua mensagem através de um médium de má vida.

O guia contou a história do burro manco, único meio de transporte numa dada emergência.

Leia o texto completo em: 
https://sites.google.com/site/centroismael/burro-manco-o
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Encontro Singular

O Espírito Irmão X, no capítulo 20 ("Encontro Singular"), do livro Estante da Vida, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, anota o relato de uma pessoa que tinha se enforcado, vítima do vício do álcool. 

Contou a sua história para que pudesse ser útil aos que estão no globo dos encarnados. 

Leia o texto completo em: https://sites.google.com/site/centroismael/encontro-singular
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Comunidade

Comunidade. Do latim communitas, atis, uma unidade feita pela integração e participação de muitos, essencial ao desenvolvimento do ser humano. É uma forma estável de associação da qual os membros participam por aquilo que são. Nesse sentido, distingue-se da sociedade, ou formas societárias de associação, das quais os membros participam por aquilo que têm. A família, a qual estamos integrados por tudo aquilo que somos e na qual empenhamos a nossa própria vida, é uma comunidade. Uma firma que se constitui com o capital dos acionistas é uma sociedade. 

Em termos religiosos, lembramo-nos da primitiva designação do Cristianismo, os homens do “Caminho”, em que Pedro, em sua residência, recebia os enfermos e desvalidos de toda espécie. Velhos a exibirem úlceras asquerosas, loucos, crianças paralíticas e muitos outros, todos atraídos pela fama de Jesus, que ressuscitava os mortos e curava os enfermos, restituindo-lhes a tranquilidade aos corações mais infortunados do mundo. Nessa simples comunidade, em sua pureza primitiva, foram traçados os primeiros contornos da grande árvore do Cristianismo. 

Cristo, prevendo que os seus ensinamentos seriam deturpados, deixou-nos diversas advertências, algumas narradas por João, no capítulo 14, versículos 15, 16, 17 e 26 do seu Evangelho (Consolador Prometido): “Mas o consolador, que é o Espírito Santo, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará relembrar de tudo aquilo que eu vos tenha dito”. Quer dizer, precisamos desconfiar dos fogos fátuos da religião eletrônica, procurando fazer uma distinção entre os cristãos verdadeiros e os falsos cristos. 

A comunidade espírita, por sua vez, deve ater-se ao princípio elementar do cristianismo, que é amar ao próximo como a si mesmo. Por isso, os que ali convivem devem ter muita cautela quanto ao melindre, fator desencadeante de muitas discussões e afastamentos de pessoas de um Centro Espírita. Isso mostra o nosso grau de ignorância quanto à expectativa de recompensa pelo que estamos realizando. O correto seria trabalharmos para Cristo e não para as pessoas. 

Nós outros que, porventura, estivermos à frente dessa comunidade, devemos cuidar para que de nossa boca não saia palavra vã. Quer queiramos ou não, somos um exemplo para os demais membros da comunidade. Por isso, o verbo conciliador, a palavra amiga, a observação sincera e autêntica, procurando não ferir quem quer que seja, porque somos todos irmãos diante da obra de Jesus. 

Um pouco de fermento leveda a massa toda. Deixemos que nossa palavra sincera penetre o âmago de todos os corações. A boa palavra segue o seu caminho. Não precisa de imposições.

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