06 setembro 2013

Desprendimento

Desprendimento é a ação ou efeito de desprender. Alheamento; abnegação, desapego: tem o desprendimento das honras. 


Para o mestre Eckhart, o desprendimento é o perfeito repousar-em-si, o ser-uno-consigo-mesmo da alma, um deixar-se-a-si-mesmo sem nenhum tipo de acréscimo. Ele acha que o desprendimento está acima do amor, da humildade, da misericórdia e de outras virtudes, pois quando nos referimos a uma virtude, queremos conquistá-la. Acontece que o verdadeiro desprendimento não se prende a isso, porque o indivíduo estará desprendido do próprio desprendimento.

Seguindo o seu modo de pensar, tudo é secundário ao próprio desprendimento. Ele diz que o homem verdadeiramente desprendido não saberia orar, no sentido de que a prece visaria obter determinado bem ou livrar-se de determinado mal. “Quando nada se pede é que se ora verdadeiramente”. O mesmo pode-se falar da vontade de Deus, do servir a Cristo, entre outros. O que vale é um total desprendimento de si mesmo, para que a liberdade seja total. 

Em se tratando do desapego, tenhamos cuidado com os excessos de toda sorte. Não resta dúvida de que enquanto vivemos no mundo físico, precisamos lutar pela nossa sobrevivência. A vigilância é sempre bem-vinda. Não nos esqueçamos, porém, de que todo o excesso é prejudicial e, consequentemente, conduzir-nos-á à loucura. Por isso, uma reflexão serena sobre os nossos desejos de posse é sumamente importante: ajudar-nos-á a nos libertamos de muitas amarras perniciosas.

E quanto ao dinheiro? Paulo, em I Timoteo 6,10, diz-nos que a paixão pelo dinheiro é a raiz de toda espécie de males e, nessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Deixemos que dinheiro que passe pelas nossas mãos seja motivo de bênção e trabalho para todos os que nos rodeiam. Retenhamos apenas o suficiente para a nossa subsistência.

Quanto ao desprendimento, uma só coisa é necessária: atender aos desígnios de Deus. Ajamos, assim, de conformidade com as leis de amor, justiça e caridade, e não esperemos nada em troca.

Fonte de Consulta 

ECKHART, Meister. Sobre o Desprendimento e outros Textos. Tradução de Alfred J. Keller. São Paulo: Martins Fontes, 2004 (Breves encontros).

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