17 junho 2017

Miséria Humana

“Espanta-se em encontrar sobre a Terra tanta maldade e más paixões, tantas misérias e enfermidades de toda a sorte, e se conclui disso que a espécie humana é uma triste coisa. Esse julgamento provém do ponto de vista limitado em que se está colocado, e que dá uma ideia falsa do conjunto. É preciso considerar que, sobre a Terra, não se vê a Humanidade, mas apenas uma pequena fração dela. Com efeito, a espécie humana compreende todos os seres dotados de razão que povoam os inumeráveis mundos do Universo; ora, o que é a população da Terra, perto da população total desses mundos?” (Kardec, 1984, p. 50)

Comecemos pelo Universo, que é o conjunto de tudo o que existe, em que as bilhões de estrelas são agrupadas em galáxias. Pelos nossos telescópios, há 10 bilhões de galáxias, separadas entre si por distâncias da ordem de 1 milhão de anos-luz.  A Via-Láctea, uma das 10 bilhões de galáxias existente no Universo, em que está localizado no nosso sistema planetário, possui mais de cem bilhões de estrelas.

O Planeta Terra, com 510.934.000 km2, está a 149.500.000 km distante do Sol e na órbita ideal — entre a de Vênus e a de Marte — para sustentar a vida. É nele que já habitam mais de 7 bilhões de pessoas, espalhadas pelo mundo todo, fazendo a sua jornada de evolução material e espiritual.

Allan Kardec, no capítulo III de O Evangelho Segundo o Espiritismo, discorre sobre as várias moradas na Casa do Pai. Há os mundos primitivos, destinados à encarnação das primeiras almas humanas, os mundos de expiação e provas (Terra), lugares de exílio dos Espíritos rebeldes à lei de Deus e os mundos superiores, morada dos Espíritos purificados, onde só existe o bem.

A filosofia nos ajuda a pensar; ela nos oferece as ferramentas para a descoberta da verdade. No início da trajetória terrestre, o ser humano se colocava no centro do universo. Conforme foi ampliando a sua visão (com o uso do telescópio), o seu pensamento também se alarga, busca novas informações, novas verdades e descobre um mundo novo à sua volta.

Para compreender as misérias humanas, urge refletirmos sobre relativa posição do nosso Planeta diante dos mundos habitados no Universo. Somos uma migalha, mas a cegueira, juntamente com o orgulho e a vaidade, dá-nos a sensação de sermos os únicos habitantes do Universo. Esforcemo-nos para separar as aparências da realidade, buscando uma aproximação da verdadeira realidade. 

Se o planeta Terra fosse um planeta evoluído não haveria tanta dor e tanto sofrimento. O mal não predominaria sobre o bem e os bens terrenos seriam melhor distribuídos entre todos os seres humanos. 

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.

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