15 dezembro 2018

João de Deus e a Mediunidade

Desde o programa da Globo "Conversa com Bial", em sete de dezembro, em que mulheres acusaram o médium João de Deus de abuso sexual: "Ele dizia que minha doença ia voltar", houve uma avalanche de denúncias e hoje chega a mais de 300 ocorrências registradas. Eis o fato. Do ocorrido, houve muitos memes e uma certa descrença para com o Espiritismo. Mas, o Espiritismo foi realmente arranhado?

Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, deixa claro que a mediunidade independe da moral do médium. Em realidade, a mediunidade é uma faculdade humana que pertence a todo o ser vivente. E, nesse sentido, todos somos passíveis de receber influência do mundo espiritual. Devemos considerar, também, que quanto maior for a tarefa do médium, mais receberá a influência do mundo inferior e terá de lutar contra isso. Muitos podem sucumbir ao assédio dos Espíritos menos felizes.

Para bem entendermos o caso João de Deus, urge separarmos o fenômeno em si do estudo doutrinário do Espiritismo. O fenômeno é geral, pertence a todos. Mas, dentro do ângulo espírita, ele deve ser analisado segundo os princípios codificados por Allan Kardec. O Espiritismo não é só fenômeno, mas ciência, filosofia e religião. Nesse sentido, envolve um estudo profundo da conduta e do comportamento do ser humano, e o pano de fundo é o conhecimento dos ensinos morais de Jesus Cristo.

No Capítulo XVII, item 4 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec diz que "Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações". Se o médium não se propõe a colocar em prática os ensinamentos morais do Evangelho do Cristo, longe está de se considerar o verdadeiro espírita, porque não teve forças ou não lutou exaustivamente para melhorar a sua conduta.

Quanto ao problema da cura efetuada pelos Espíritos, reflitamos sobre as observações feitas por Chico Xavier durante o programa Pinga Fogo, de 1971. Muitas vezes forçamos a cura, mas não vislumbramos as suas consequências. Exigimos a cura física, mas nos esquecemos de que, às vezes, a cura física é um caminho para encontrarmos, mais adiante, desastres morais de consequências imprevisíveis. "Então se as curas demoram no ambiente kardequiano, ou se demoram no campo da medicina, vamos respeitar o problema dessa demora, porque aquilo se verifica em nosso próprio benefício. Porque muitas vezes uma doença física, ou determinada provação em nossa vida doméstica, nos poupa de acidentes afetivos ou acidentes materiais, ou de fenômenos extremamente desagradáveis em nossa vida".


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