04 outubro 2005

A Piedade


Piedade é um termo usado em duplo sentido: 1) devoção e respeito por pessoas ou coisa dignas de veneração; 2) compaixão, dó, pena. Neste último sentido, reflete, muitas vezes, um sentimento passageiro que leva a palavra ou gestos sem valor real. Podemos, por exemplo, dar pêsames a uma viúva sem, contudo, compartilhar da sua dor. Reflitamos, pois, sobre este tema.

A piedade é a precursora da caridade. Em realidade, a piedade origina-se de um sentimento de compaixão para com o próximo. O ser humano, quando tem por princípio a piedade, se enternece da dor alheia: esquece-se de si mesmo e dedica-se totalmente à satisfação das necessidades alheias. Para tanto, coloca em prática o "amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo". Pode-se dizer que a piedade é o princípio, o ensejo, o desejo de praticar uma boa ação. Quando da sua execução, transforma-se em caridade. Por isso, são consideradas irmãs.

A piedade mostra o grau de evolução do ser humano; é a virtude que mais nos aproxima dos anjos Ela é a simpatia espontânea e desinteressada que se antepõe à antipatia gratuita ou despeitosa. O ser, possuidor desta excelsa virtude, jamais pede alguma coisa e distribui tudo quanto possui. Por isso, os amigos espirituais estão sempre nos convidando a deixar o nosso coração se enternecer diante das misérias e sofrimentos alheios, e mesmo nascendo ao lado infelicidade, tira-nos o vazio dos gozos terrestres.

O Divino Messias praticou-a com galhardia. Ele nos ensinou o amor-abnegação e o amor-sacrifício. Se todos os povos retornassem aos tempos da pureza primitiva do Evangelho, a Terra seria um planeta em que a felicidade jorraria por todos os lados, porque cada ser humano agiria com concórdia e paz para com o seu irmão. Ao mesmo tempo, teriam sempre inspirações para domar o egoísmo e o orgulho. A sua prática, longe está de causar aborrecimentos, pois ao revitalizarmos o ânimo de um irmão infeliz, é a nós mesmos que estamos revitalizando.

Dizemos que seguidores do Cristo. Contudo, para que se efetive tal procedimento, devemos imitar os exemplos de Jesus. Algumas situações contraditórias: ajudo, mas este homem é viciado; atenderei, entretanto, essa irmã é cruel; compadeço-me, todavia, esse irmão é ingrato. O Espírito Emmanuel diz-nos que a verdadeira piedade é filha legitima do amor. Não perde tempo na identificação do mal. Interessa-se excessivamente no bem para descurar-se dele em troca de ninharias. Acrescenta: "Ninguém guarde a presunção de elevar-se sem o auxilio dos outros; embora não deva buscar a condição parasitaria para ascensão".

O que nós sabemos foi extraído de alguém que já passou por este Planeta antes de nós. Por isso, devemos sempre nos colocar numa situação de humildade frente a todos os acontecimentos da vida. Esta é a verdadeira piedade para com o nosso próximo.

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