10 setembro 2006

Constância e Perseverança


"Não tentes, mas se tentar, termina."Ovídio

A nossa vida passa freqüentemente por altos e baixos. Vez por outra caímos numa prostração sem fim, e queremos que esse nosso estado passe para o próximo, numa atitude de rebeldia às leis divinas. É preciso muita cautela para não estimular negativamente o ânimo de todos aqueles que convivem conosco, quer seja no clima familiar, quer seja no campo de nossos compromissos sociais. Vigiemos o nosso pensamento, a fim de que só saiam de nossa boca palavras que possam realmente auxiliar o nosso próximo.

Há diversas citações sobre o tema. "Deus está com os que perseveram"; "Aquele que perseverar até o fim, será salvo"; "Não interessa o que se trata de levar a termo: o que importa é perseverar até o fim"; "Somos precipitados, quando dizemos que a natureza nos negou isso ou aquilo. Um pouco mais de constância, e o resultado será oposto"; "Todas as estradas da vida têm os seus espinhos. Se entrares numa delas, prossegue, porque retroceder é covardia"; "Poucas são as coisas por si próprias impossíveis; e o que freqüentemente nos falta não são os meios para obtê-las, é a constância".

Os pensadores e escritores cumpriram os seus deveres, ou seja, tornaram público o acervo de conhecimentos, útil ao aprimoramento do ser humano. Cabe-nos, por nossa vez, colocarmos em prática tudo o que lemos e ouvimos. O ensinamento é geral, mas a aplicação tem que ser particular. Não nos assemelhemos aos que estudam somente para passar os conhecimentos aos outros. Devemos, sim, procurar aplicá-los em nós mesmos, a fim de que o ensinamento produza os seus frutos sazonados.

Como querer que os outros nos compreendam se não estamos satisfeitos com o nosso próprio procedimento? Podemos até contar o número de vezes que somos obrigados a agir desta ou daquela forma, mesmo contrariados em nossos desejos e intenções. É preciso, pois, evitar o excesso de preocupação com os comentários e críticas menos felizes a nosso respeito, porque no dia do juízo final não iremos acertar contas com aqueles que malbarataram a vida, mas essencialmente com Aquele que nos emprestou a vida.

Continuemos a nossa jornada, apesar dos pensamentos sombrios. Repitamos os mesmos exercícios, porém com um ar de criatividade. Observe o Sol que nasce e morre todos os dias. Ele não reclama de sua situação, pois sua função é fornecer a luz e o calor necessários para o provimento de vida em nosso planeta. Por que estamos sempre descontentes com o nosso status quo? Sigamos o verso do Tao te Ching, de Lao-tsé, século V a.C.: "Sem sair a canto algum, conhecer o mundo inteiro. Sem olhar pela janela, descobrir o Céu e a Terra". Quer dizer, a felicidade não está no exterior, mas no âmago dos nossos sentimentos.

Perseveremos um pouco mais. Se o futuro parece mais sombrio, quem sabe não seja este o momento ideal em que a Providência está preparando a nossa promoção?

São Paulo, 26/1/2005

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