29 junho 2008

Caminho

Que caminho percorrer na vida? Há determinismo? E a questão do livre-arbítrio? Qual a realidade que nos envolve? Quais são os seus entraves? O que dificulta a nossa caminhada? A oração feita a Deus tira-nos da dificuldade que temos de passar na vida? Por que Jesus disse que o seu jugo era suave se o nosso fardo parece ser cada dia mais pesado? Para refletir sobre este tema, escolhemos três tópicos, ou seja, a dor, o dever e a aquisição de virtudes.

A dor é teológica, pois leva consigo um destino. Qual o sentido desta frase? Significa dizer que o passado prepara o presente e este o futuro. A dor é uma realidade, porque tanto sofre aquele que tem riqueza, fama e poder como aquele que nada tem, esquecido numa choupana. A dor é inerente ao progresso espiritual, porque sem ela não percebemos as chagas de nossa alma. Para vencê-la, urge que sejamos fortes e resignados, pois a reclamação e o desânimo mais atrapalham do que ajudam, visto que as lágrimas vertidas não irão substituir o suor que teremos de fazer para atingir a perfeição do Espírito.

O dever é o aguilhão da consciência. Ele começa no instante em que ameaçamos a felicidade ou tranqüilidade do nosso próximo e termina no limite em que nos vemos ameaçados. A responsabilidade pela prática dos atos livres – tanto bons quanto maus – mostra a força do dever. Nesse sentido, o dever aparece como um resumo prático de todas as especulações morais, porque não é fácil afrontar as angústias da alma, principalmente quando temos de contrariar e sermos contrariados por alguém.

Adquirir virtudes é um requisito essencial no caminho da vida. E por virtude entendemos a potência racional que inclina o homem para o bem, quer como indivíduo, quer como espécie, quer pessoalmente, quer coletivamente. Virtude vem de virtus, que significa fortaleza. Isso quer dizer que no cumprimento do dever, o esforço para estarmos sempre com a nossa consciência tranquila deve ser sem limites. E não importa o sofrimento, a dor e os revezes que tivermos de passar. Importa estarmos subindo sempre pela mesma escada e não a do vizinho.

Alguns pensamentos para reflexão: "Não digas: essa pessoa me aborrece. – Pensa: essa pessoa me santifica". "Nenhum ideal se torna realidade sem sacrifício. – Nega-te a ti mesmo. – É tão belo ser vítima!" "Tudo o que não leva a Deus é um estorvo. Arranca-o e joga-o para longe". "Virtude sem ordem? – Estranha virtude! Quando tiveres ordem, multiplicar-se-á o teu tempo e, portanto, poderás dar maior glória a Deus, trabalhando mais a seu serviço". "Serás líder se tiveres a ambição de salvar todas as almas".

Conforme formos caminhando ao encontro de Jesus, o próprio caminho vai-se nos abrindo para horizontes mais vastos que antes não tínhamos previsto. Saibamos confiar em Deus. Ele sabe o que é melhor para a salvação de nossa alma.

São Paulo, 18/9/2004.

"O caminhante não tem caminho, o caminho se faz ao caminhar". 


CaminhoFaixa de terreno ou local de passagem que serve de ligação ou comunicação terrestre entre dois ou mais lugares. P. ext. orientação ou direção de uma sucessão de fatos ou eventos. Simbolicamente, na amplidão do horizonte, vê-se uma linha tênue que ziguezagueia, perdendo-se finalmente na distância.

O caminhar é a expressão de toda a vida: infância, juventude, mocidade e velhice. Quando concluída, premia-se o esforço da alma nesse trajeto. A praça é o local do descanso, da diversão, da distração. O verdadeiro caminho é o da rua, em que o indivíduo se movimenta para um determinado fim. 

Todas as religiões procuram indicar aos seus seguidores o caminho correto da salvação. Buda pregava o "caminho sagrado de oito elementos". Quem seguir o Cristo entra no Reinos dos Céus. Cristo disse de si mesmo que era o caminho, a verdade e a vida.

O caminho na Bíblia. O começo está na saída triunfante do Egito, acompanhada pelo próprio Deus (Ex 13,20-22; Sl 77,20). Em seguida, vem o caminhar pelo deserto em busca da terra prometida. Depois o desterro, que é o amargo caminho do castigo. E depois o regresso à terra santa pelos caminhos da alegria. 

O caminho por excelência dos cristãos é Cristo. Jesus é tido como o intermediário que leva o individuo ao encontro do Pai, Deus. Cristo é o caminho por tanto tempo esperado. Ele é a esperança de salvação da humanidade "pecadora". 

Allan Kardec, no item “Caminho da Vida”, do livro Obras Póstumas, compara a evolução do ser humano às vitórias obtidas na estrada, cujas florestas devem ser ultrapassadas. Na primeira delas, temos muitas dificuldades, pois não conhecemos os seus meandros: erramos, sem saber para onde vamos; mesmos extenuados e rasgados pelos espinhos chegamos ao nosso curso. Na segunda floresta, estamos mais confiantes, pois a experiência da primeira nos desvia do trajeto indevido. Na terceira floresta, estaremos ainda mais confiantes e, assim, sucessivamente.

O Espírito Emmanuel, no capítulo 81 “Prosseguindo”, do livro Palavras de Vida Eterna, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, consola-nos ao comentar o trecho evangélico “Prossigo para o alvo...” Paulo (Filipenses, 3,14). Ele nos ensina que o menino deixa a infância para entrar mocidade, o jovem deixa a mocidade para entrar na madureza, o adulto deixa a madureza para entrar na senectude e ancião deixa a extrema velhice para entrar no mundo espiritual, não como quem perde os valores adquiridos, mas sim prosseguindo para o alvo que as Leis de Deus nos assinalam a cada um...

Bibliografia Consultada

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

KARDEC, A. Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 15.ed., Rio de Janeiro: FEB, 1975.

LURKER, Manfred. Dicionário de Simbologia. Tradução Mário Krauss e Vera Barkow. 2. ed., São Paulo: Martins Fontes, 2003.


XAVIER, F. C. Palavras de Vida Eterna, pelo Espírito Emmanuel. 8. ed., Minas Gerais: CEC, 1986.

São Paulo, outubro de 2015

Um Diálogo, extraído do filme de Edmund Goulding, denominado "O Fio da Navalha", de 1946, com Tyrone Power, Gene Tierney, John Payne, Anne Baxter e outros. 

Tyrone Power interpreta o papel de um sujeito que está à procura de um sentido para a sua vida. Praticamente no meio do filme, ele faz uma visita a um indiano famoso. 

Eis, a recomendação do sábio indiano:

A estrada para a salvação é difícil de percorrer. Tão difícil quanto o fio de uma navalha. Nós, indianos, acreditamos que há três caminhos para Deus:

1) Caminho da fé e da adoração. 
2) Caminho de bons trabalhos realizados por amor a Deus.
3) Caminho que leva à sabedoria através do conhecimento. 

- Você escolheu o caminho do conhecimento, mas vai descobrir que os três caminhos são um só. 

- Eu poderia ficar aqui com você, pergunta Tyrone Power. 

- Não, você não deve ficar, você deve ir ao mundo, mas com o espírito renovado. Não é necessário abandonar o mundo, mas viver no mundo e amar os objetos do mundo, não por si mesmos, mas pelo que há de Deus neles. O seu lugar é com o seu povo. 

- Você é um dos afortunados, mas pela graça de Deus lhe foi dado a oportunidade de ver a beleza infinita do mundo, que é apenas o reflexo da beleza de Deus num espelho escuro. 

São Paulo, janeiro de 2016.





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