29 junho 2008

Conduta Humana

O que leva uma pessoa a agir de forma incorreta? Eis uma pergunta que requer uma reflexão mais acurada sobre a relação sujeito-objeto. O sujeito é o ser cognoscente, o ser pensante, o idealizador; o objeto é apenas o dado da realidade. Conforme a visão de mundo do sujeito, assim procede para com o objeto. Sendo ignorante e mesquinho, empresta mesquinhez e ignorância ao objeto; se educado e sábio, empresta sabedoria e educação ao objeto. De modo que não podemos exigir que pense como águia aquele que tem cabeça de corvo.

Analisemos o estado mental da humanidade. Parece-nos que a maioria da população prefere entrar pela porta larga, uma espécie de ojeriza pela verdade das coisas. Por que temos medo de enfrentar a verdade se ela, a seu tempo, acaba por nos visitar, quer queiramos ou não? Não ganharíamos tempo se a enfrentássemos tão logo ela surja em nosso caminho? Por que deixamos para amanhã, ou mesmo para uma encarnação futura a solução correta de nossos problemas?

O dinheiro insuficiente ou a falta de recursos para o sustento da vida é uma alegação corriqueira para que o indivíduo não aja de acordo com a verdade das coisas. Dentro dessa perspectiva, o sujeito procura burlar a lei, usufruir bens alheios, enganar o próximo. Mas até que ponto essa desculpa é um fator atenuante quando nos virmos face a face com a verdade? Precisamos sair da caverna de Platão e buscar a luz do conhecimento, pois somente este é capaz de nos libertar das amarras do erro.

Na linha do pensamento acima, qual a contribuição do Espiritismo para melhorar a nossa conduta? O Espírito Emmanuel, em suas mensagens pela pena de Chico Xavier, assim nos orienta: se o homicida soubesse de antemão o que o futuro lhe reserva, se o caluniador pudesse eliminar a crosta de sombra que lhe enlouquece a visão, se o desertor do bem conseguisse enxergar as perigosas ciladas com que as trevas lhe furtarão o contentamento de viver, na certa prefeririam sofrer todo o golpe da sorte adversa, com galhardia e determinação.

Em toda a dificuldade, convém aproveitar o ensinamento que daí advém. Se estivermos com a nossa consciência tranquila, mesmo sendo tachados de bobos, tolos, estaremos em equilibro emocional, o que nos capacita a dar a melhor solução para o problema. Por isso, nada neste mundo deve ser tão importante que consiga roubar a nossa paz interior. Nesses momentos críticos nada melhor do que a lembrança de um simples pensamento: "Se Deus está conosco, quem estará contra nós?"

Por mais complicada a questão que se nos apresenta, saibamos confiar na Divina Providência: Deus, que é a inteligência suprema do universo, sabe o que é melhor para cada um de nós.

São Paulo, 21/01/2003.

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