29 junho 2008

Destruição e Equilíbrio

O Clube de Roma, associação formada para investigar os componentes econômicos, políticos, ambientais e sociais que regem o sistema mundial, contratou, em 1970, uma equipe de pesquisadores do Massachussets Institutue of Technology (M.I.T.), integrada por especialistas em muitas áreas, tais como poluição, agricultura, recursos naturais, demografia, tendências sócio-políticas, capital e documentação. Sua preocupação maior era a de avaliar as tendências macroeconômicas da população, renda, poluição etc.

Os técnicos do M.I.T. constroem, pela primeira vez, um modelo do mundo processado por um computador, relacionando os dados num período de 70 anos (de 1900 a 1970). Eles coletaram dados da população, da produção industrial, da produção agrícola, dos recursos naturais, do uso do solo etc. Supondo não haver alterações importantes nas relações físicas econômicas, traçaram curvas de crescimento populacional, industrial e de alimentos per capita, decréscimo de recursos naturais e aumento da poluição, entre outras variáveis analisadas.

Os resultados obtidos foram sendo modificados com outras suposições. Mantendo-se tudo igual até 1970, a população, alimentos e produção industrial cresce exponencialmente, prevendo-se a exaustão dos recursos naturais e a morte da população ou parte dela. Introduzindo no modelo o uso de outras fontes de energia (energia nuclear, descoberta de novas fontes de jazidas de petróleo) cresce também, e vertiginosamente, a poluição, até o ponto em que seu nível tão elevado começa a afetar a produção de alimentos e a aumentar a taxa de mortalidade, fazendo com que a população decresça bruscamente.

Tornava-se necessário controlar a poluição. Para tanto foi necessário o desenvolvimento de um novo modelo, em que cada máquina poluiria ¼ do que poluía a máquina na época. Como conseguir o equilíbrio? Economizando recursos através da reciclagem. O bem descartável deverá ter mais tempo de duração. Observe que um automóvel pode ser fabricado para durar 50 anos, o mesmo pode se dizer de uma máquina de lavar roupa etc. Esse modelo de desaceleração industrial deveria ser posto em prática a partir de 1975.

Nota-se, ao contrário, um consumismo exacerbado, em que mal usamos e já queremos descartar. Os Estados Unidos da América, por exemplo, é o campeão da produção de lixo. E se todos os outros países o imitarem, como será o Planeta nos próximos anos? Sobre esse mister, o ecólogo Paul Ehrlich usa uma frase de alerta: "O homem tem de mudar a mentalidade de cowboy para a mentalidade de astronauta". Cowboy é o que destrói o lugar em que vive e vai para outras terras; o astronauta sabe que vive num "circuito fechado": qualquer mudança que provoque vai refletir em algum lugar do planeta e poderá ter conseqüências irreversíveis.

Sejamos sempre moderados. Procuremos aproveitar economicamente o material que passar pela nossa mão. Nada de desperdício. O futuro nos cobrará caro por esse desleixo momentâneo.

Fonte de Consulta


RODRIGUES, S. A. Destruição e Equilíbrio: O Homem e o Ambiente no Espaço e no Tempo. 3.ed., São Paulo: Atual, 1989 (Série Meio Ambiente)

São Paulo, 31/7/1996

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