02 julho 2008

Filosofia Espírita

A Filosofia, presentemente, é uma atividade humana que procura direcionar o pensamento para a verdade das coisas. Ela implica a crítica, a dúvida e a contradição. Dentre as suas habilidades, destacamos a análise, a avaliação, a argumentação e a reflexão. Esta postura filosófica é importante, porque nos leva ao aprofundamento radical dos temas e questões levantados. Pode-se dizer, também, que a filosofia é o pensamento debruçado sobre si mesmo.

A Filosofia Espírita, pelo fato de ser filosofia, não pode fugir à conceituação da própria filosofia. Nesse sentido, a filosofia espírita é definida como o pensamento debruçado sobre si mesmo para a compreensão da realidade. No dizer de Gonzales Soriano, "É a síntese essencial dos conhecimentos humanos aplicados à investigação da verdade". A filosofia espírita apresenta-se, assim, como um delta de todo o processo histórico, uma síntese de tudo o que outros filósofos argumentaram, mas tendo as suas interpretações próprias, alicerçadas nos princípios doutrinários.

Praticar o Espiritismo não é provocar fenômenos, escutar os Espíritos ou mesmo desenvolver a mediunidade. A sua força não está no fenômeno, como muita gente pensa, mas na sua filosofia, na sua forma de interpretar o mundo e de analisar as questões relativas ao ser e ao pensamento. A filosofia espírita procura direcionar o nosso pensamento para a compreensão do ser existencial, colocado no mundo das formas, mas sem perder o elo de ligação com sua essência divina. Em outras palavras, estamos encarnados, mas a nossa essência pertence ao mundo espiritual, o verdadeiro mundo.

O Espiritismo é um processo lento que se formou ao longo do tempo. A ideia espírita sempre existiu no seio sociedade. Muitos outros pensadores já a tinham formulado. Allan Kardec, nos diversos volumes da Revista Espírita, remete-nos a Sócrates e Platão, ao Cristo, a Jean Reynaud (escritor francês), a Santo Atanásio (cardeal da igreja de Grécia) e outros, como sendo precursores do Espiritismo. Coube, porém, ao gênio Allan Kardec juntar, organizar e codificar esses conhecimentos esparsos, para dar-lhes uma conotação científica. Observou o fenômeno, fez ilações filosóficas e tirou conclusões morais.

A Filosofia Espírita está assentada em O Livro dos Espíritos. Estudando-o, estaremos filosofando. Contudo, como o Espiritismo é – ao mesmo tempo – ciência, filosofia e religião, não podemos desprezar as outras obras da codificação, principalmente, os 12 volumes da Revista Espírita, que nos oferecem o registro minucioso das pesquisas realizadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. A Doutrina Espírita aí está. O nosso dever consiste em debruçar o pensamento sobre essas obras, para extrair delas o suco saboroso do conhecimento espírita.

O verdadeiro espírita deve ser um eterno combatente das opiniões pessoais, não só em si mesmo como nos outros. O Espiritismo está nos livros e é sobre o seu conteúdo que devemos edificar o nosso conhecimento doutrinário.

Fonte de Consulta

PIRES, J. H. Introdução à Filosofia Espírita. São Paulo: Paidéia, 1983.
São Paulo, 13/10/2004


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