02 julho 2008

Mente e o Medo

A mente humana, para a maioria dos psicólogos, está associada à percepção, ao pensamento, à recordação e ao comportamento inteligente. Assim sendo, ela é passível de vários estados: de alegria, tristeza, segurança, insegurança, medo, audácia, saúde e doença. Dentre todos esses estados, o do medo assume papel relevante no entrave à liberdade do ser humano.

Reflitamos inicialmente sobre a aprendizagem. O que se entende por aprender? O que distingue aprender de conhecer? Aprender é uma atividade do tempo presente enquanto o conhecimento é do tempo passado. Nesse sentido, sempre que estivermos presos ao conhecimento, à memória, estaremos dificultando o trabalho da mente no momento atual e, concomitantemente, enaltecendo o medo, o medo de que a nossa memória vai falhar, o medo de não sabermos tudo o que deveríamos saber para a execução de nossos deveres na sociedade.

Passemos à discussão do problema. O que é um problema? Por que ele gera o medo? O problema existe toda a vez que deixamos de enfrentar e encaminhar uma situação até suas últimas conseqüências. Fugindo ao problema, adiando-o, vamos criando um conflito interior, que dificulta a elaboração plena de nosso pensamento. Por outro lado, se o enfrentarmos no justo momento que ele aparecer, não teremos mais problemas, porque ele foi encaminhado corretamente. Este procedimento deixa nossa mente livre para outras atividades, necessárias à evolução do Espírito.

Elaboremos também sobre o medo. O que é o medo? Qual sua origem? Como ele nasce em nós? O medo surge porque fazemos comparações. Quando nos comparamos aos outros ou àquilo que poderíamos ser nós realçamos o medo, ou seja, o sentimento de que iremos fracassar, de que não iremos conseguir aquilo que idealizamos. Esquecemo-nos também de que cada um de nós é uma individualidade, e por força da lei, deferente de todos outros. Esta, sem dúvida, é a grande dificuldade geradora do medo.

O desejo ardente de segurança é outro fator importante na geração do medo. O fato de termos de ganhar a vida para nos sustentar gera o medo, pois pode assolar-nos a imagem da derrota. São clássicos, neste mister, os pensamentos sombrios sobre a saúde, a despedida do emprego, o aparecimento de alguém que irá ocupar a nossa função etc. O darwinismo social, ou seja, a vitória dos mais aptos, dos mais inteligentes está sempre ruminando a nossa mente. Além disso, a célebre frase de Hobbes de que "o homem é lobo do próprio homem", também nos visita periodicamente.

O melhor antídoto contra o medo é buscar a sua causa. Tomando consciência da sua origem, teremos mais condições de encaminhar nossa vida rumo aos destinos que nos está reservado.

Fonte de Consulta

KRISHNAMURTI, Jidu. A Mente sem Medo. Tradução por Hugo Veloso. Rio de Janeiro: Instituição Cultural Krishnamurti, 1965.
São Paulo, 06/05/2002

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