02 julho 2008

O Espírita Diante de sua Doutrina

A Doutrina Espírita é um conhecimento que está nos livros e deve ser estudada. Para isso, é necessário que o adepto seja sério e perseverante, ou seja, adote uma postura firme no sentido de continuar o labor, apesar da dificuldade inerente à saúde física ou espiritual. Jesus já nos dizia que "aquele que perseverar até o fim será salvo". O fim não é o término, mas o alcance do objetivo. A salvação da alma pressupõe a plena evolução do ser.

Em toda a ciência, filosofia ou religião há sempre pessoas autoritárias que procuram monopolizar, não só os conhecimentos, como também o bom senso. Às vezes, pelo fato de se apropriarem de um pedaço de papel escrito por outrem, julgam-se detentores da verdade. Esquecem-se de que a verdade não é monopólio de ninguém, mas patrimônio comum das inteligências. Nesse mister, a humildade, que é o fundamento de todas as virtudes, é sumamente necessária, para que as verdades elevadas possam penetrar em nosso mundo psíquico.

Convém, no trato com os Espíritos, separar os do bem daqueles que são do mal. Os Espíritos superiores estão sempre nos incentivando a praticar o bem, mas sem interferir em nosso livre-arbítrio. Os Espíritos menos elevados querem que lhes obedeçamos, desejando, inclusive, que caiamos nos mesmos erros deles, para que possam tirar proveito da referida situação. Por isso, para que nos defendamos do seu poder diabólico, a prece e a vigilância são as armas poderosas que devemos utilizar.

A identificação dos Espíritos merece certa ponderação. Quando um Espírito desencarnou recentemente, a identificação é mais fácil, porque os fatos e acontecimentos ainda estão na memória, tanto da pessoa que se foi como daquela que ficou. Suponha que um ente querido desencarnou. Os seus gostos, os seus sentimentos e os seus gestos ainda estão enfaticamente impregnados no seu ser. Se ele se comunicar conosco, podemos, através de um detalhe que só ele e nós sabemos, ter certeza que aquele Espírito comunicante é nosso pai, ou nossa mãe ou nosso irmão. Já com os Espíritos desencarnados há mais tempo, a identificação fica mais difícil. A memória se perde no tempo.

Desconfiemos das divergências entre os Espíritos superiores. A questão é muito mais de forma do que de fundo. Isso é muito fácil de compreender. Quando vamos falar para um determinado grupo, adaptamos a nossa mensagem à capacidade de compreensão das pessoas ali presentes. Um mesmo tema é explanado de forma diferente, sem que se deturpe o conteúdo. O mesmo acontece com os Espíritos superiores. Eles também adaptam os seus discursos à necessidade dos grupos, sem se contradizerem doutrinariamente.

Assim sendo, a nossa postura diante da Doutrina deve ser uma atitude de confiança, mas também de análise crítica, preferindo "rejeitar nove verdades a aceitar um único erro como verdadeiro".

São Paulo, 15/03/2004.

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