02 julho 2008

Os Mitos e as suas Simbologias

Os mitos podem ser entendidos como "transposições dramatúrgicas dos arquétipos, esquemas e símbolos, ou como composições de conjunto, epopeias, narrativas, gêneses, cosmogonias, teogonias, gigantomaquias, que já começam a deixar entrever um processo de racionalização". Mircea Eliade vê no mito "o modelo arquetípico para todas as criações, seja qual for o plano no qual elas se desenrolam: biológico, psicológico, espiritual. A função mestra do mito é a de fixar os modelos exemplares de todas as ações humanas significativas".

Compulsando um dicionário de mitologia, que não são poucos, encontraremos as descrições dos diversos mitos: Zeus, Héstia, Íris, Crono, Orfeu, Atlas etc. Muitos deles usados pela religião, pela psicologia e pela sociologia para explicar as suas teorias. Observe o mito da trindade egípcia (Osíris, Ísis e Hórus). Ele serviu de base para elaboração de muitos dogmas religiosos. A religião católica não ficou para trás e o utilizou no seu dogma da santíssima trindade, composto pelo Pai, Filho e Espírito Santo, as três substâncias que se fundem na unidade e que fazem de Jesus, o filho, ser ao mesmo tempo o Pai (Deus).

As descrições são de vários tipos: Afrodite (Vênus), a deusa da mais sedutora beleza, cujo culto, de origem asiática, é celebrado em numerosos santuários da Grécia; Ártemis (Diana), virgem severa, vingativa e indomável; Centauros, seres monstruosos da mitologia grega, cuja cabeça, braços e tronco são os de um homem, e o resto do corpo e as pernas de cavalo; Cérbero, o cão monstruoso, de múltiplas cabeças; Hermes (Mercúrio), um dos símbolos da inteligência industriosa e realizadora; Íris, mensageira dos deuses, e, em particular, de Zeus e de Hera; Zeus (Júpiter), organizador do mundo interior e exterior; é dele que depende a regularidade das leis físicas, sociais e morais.

As simbologias de cada mito resumem a conduta humana. Zeus simboliza o reino do espírito, deus único; Íris, a ligação entre a Terra e o Céu, entre os deuses e os homens; Hermes (Mercúrio), os meios de troca entre o Céu e Terra; Cérbero, o terror da morte entre aqueles que temem os Infernos; Centauros, a dualidade fundamental do homem: matéria-espírito, instinto-razão; Ártemis (Diana), a fecundidade; Afrodite (Vênus), as forças irreprimíveis da fecundidade, não em seus frutos, mas no desejo apaixonado que acendem entre os vivos.

Nessa perspectiva de simbologia da alma humana, a psicologia acabou utilizando essa nomenclatura para explicar as falhas da conduta humana, geralmente expressas por complexos. Do mito do Édipo, criou o complexo de Édipo, que é o desejo do filho para com a mãe; do mito de Electra, cunhou o complexo de Electra, que é o desejo da filha para com o pai; do mito de Zeus, extraiu o complexo de Zeus, que é a postura do chefe autoritário, aquele que não admite discussão.

Desconfiemos da irracionalidade dos mitos. Lembremo-nos de que a racionalidade de Descartes surgiu de dois sonhos. Quem sabe não há muita sabedoria escondida por trás de cada narrativa mítica?

Fonte de Consulta

CHEVALIER, J., GHEERBRANT, A. Dicionário de Símbolos (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números). 12. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998.

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