02 julho 2008

Permanência e Transição

Permanência - do lat. permanentia, significa manar através de, para frente. É o caráter do que perdura apesar do tempo decorrido. Para Kant, é o princípio da substância, do que perdura identicamente na coisa. Transitório - do lat. transitoriu significa passagem de pouca duração. Ação ou causa transitiva é aquela que se esgota ou, pelo menos, se desgasta no seu efeito. Realiza-se no efeito, e sua limitação, neste, não implica uma limitação do agente.

A essência espiritual é o imóvel, o permanente no ser. O verdadeiro mundo é o mundo espiritual. O Espírito criado simples e ignorante faz a sua trajetória através das várias existências, ampliando em cada uma delas o estoque de ações, boas ou más, formando, assim, uma espécie de banco de dados de todas as suas experiências passadas. Teoricamente, o ser pensante poderia acessá-lo em qualquer momento, mas a fragilidade do corpo físico limita tudo o que estiver além de sua capacidade.

A essência material é o móvel, o transitório no ser. Serve de morada ao Espírito, e, tão logo este parte, o corpo deteriora-se. A questão da transitoriedade do corpo físico fica clara quando se estudam os casos de idiotia e loucura. Observe que esses Espíritos, depois de decorrido o tempo necessário para as devidas reintegrações no mundo espiritual, agem como se não tivessem sido idiotas ou loucos. Recobram, por assim dizer, a permanência do ser espiritual.

A felicidade é um desses vocábulos que poderia servir de exemplo à relação permanência/transição. A felicidade deve ser considerada como o estado permanente, aquilo que pertence à essência do ser. Os deslizes, as rusgas, as contrariedades são momentos de transição que servem para solidificar o permanente. Nesse sentido, o sábio é uma pessoa feliz, pois faça sol, chova, haja desgostos, permanece inalterado como o relógio durante as tempestades.

Nossa vida quotidiana deveria ser uma aproximação cada vez maior da felicidade apregoada pelos grandes gênios da humanidade. À medida que vamos refletindo sobre a nossa pequenez, sobre o nosso estado ainda inferior de evolução, vamos também adquirindo força para enfrentar o mar alto das grandes provações. Sem esforço, disciplina e aplicação não chegaremos ao estado de Espíritos puros.

Perseveremos na busca do Bem Supremo. Mais cedo ou mais tarde as portas da vida abrem-se para a verdadeira compreensão do "eu", do "outro" e do "mundo".

Fonte de Consulta

LALANDE, A. Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia. São Paulo, Martins Fontes, 1993.

São Paulo, 11/04/1997.

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