02 julho 2008

Princípio Único

Tales de Mileto, na antiguidade grega, foi o primeiro filósofo a procurar o princípio das coisas, ou seja, a origem de tudo o que há no universo. Preocupado essencialmente com os aspectos materiais, estabeleceu que a água poderia ser esse elemento. Por que chegou a essa conclusão? Porque a água poderia se transformar em outros corpos: aquecida, transformava-se em ar; congelada, em gelo. Partindo dessa hipótese, poderia fazer ilações para todas as outras coisas existentes.

Allan Kardec, através das instruções dos Espíritos superiores, vem nos dizer que há um elemento primordial, que se denomina fluido cósmico universal, próprio de cada globo. Tudo o que de material existe em cada globo nada mais é do que a transformação deste. Conforme o teor de condensação obtido, teremos o fluido vital, o ectoplasma, o Perispírito, o corpo físico e a matéria bruta.

Para explicar a matéria, partimos de uma única substância. O mesmo vale para o Espírito? Quer dizer, haverá um elemento moral básico ou princípio único para a nossa conduta? Sim. É a Lei de Deus. Este é o princípio único sobre o qual todos os seres humanos devem refletir para melhorar a sua conduta na sociedade. Se todos os homens pudessem praticá-la, em cada uma de suas ações, com certeza teríamos um outro tipo de vivência aqui na Terra. Como se pode visualizar esse princípio único? Onde está escrito?

O taoísmo, a filosofia chinesa, dissemina esse princípio através de nove pontos: 1) ter fé incondicional na ordem do Universo; 2) non-credo; 3) ser o mestre de si próprio; 4) saber que nada se sabe; 5) somos a energia (do) que comemos; 6) gratidão para com as dificuldades; 7) o nosso inimigo é o nosso amigo; 8) os últimos são os primeiros e os primeiros são os últimos; 9) um grão, dez mil grãos. Refletirmos minuciosamente sobre cada um desses itens, dar-nos-á a dimensão exata de nossa conduta no seio da sociedade.

Quando nos predispomos a atuar segundo o princípio único, temos de convir que, em qualquer situação, devemos buscar o bem comum. Observe a atuação do presidente de qualquer organização. Ele deve se colocar como servidor, no sentido de prestar serviços a todos os seus comandados; ele tem que procurar captar os anseios do grupo, dispondo para tal o seu tempo e a sua vontade; ele não foi colocado à frente dos outros para exercitar o simples prazer de mandar, porque será cobrado pelo bom ou mau uso que fizer de sua autoridade.

Dispondo-nos a atuar como servidor e não como proprietário, conduziremos as coisas voltadas para o objeto e não simplesmente para as pessoas. As pessoas passam, mas as organizações permanecem. Não é justo usufruirmos uma função para proteger um parente ou um amigo. "Não quem, mas o quê". Agindo desta forma, poderemos ter muitos adversários, mas poucos inimigos, porque eles, mesmo discordando de nossas decisões, entenderão que estamos ali para cumprir um dever, e por isso, sujeitos a erros e acertos.

Olhemos do alto de uma montanha. De lá temos mais condições de perceber o conjunto, que nos faz distanciar dos detalhes insignificantes e das intrigas que pairam no meio de qualquer organização.

São Paulo, 31/7/2006.

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