02 julho 2008

Provisório e Definitivo

O que é provisório? O que é definitivo? O provisório diz respeito a um dia, a um mês, a um ano? É possível viver na transcendência de Deus? O que é o eterno? Dada nossa finitude, como viver na infnitude de Deus? Eis algumas perguntas que podem nortear essa reflexão sobre o provisório (transitório) e o definitivo (eterno).

Algumas religiões, de um modo geral, não dão a devida atenção às relações imperfeitas em sociedade. Observe que muitos propagadores, formados em seus diversos cursos, vêem tudo de modo perfeito. Contudo, a realidade é outra, ou seja, imperfeita, em que o erro é mais visitado do que a verdade. Diante dessa constatação, o desânimo toma conta desses novos formandos, arrefecendo o trabalho de catequese. Isso, porém, dura pouco, porque a experiência os fará ver que o mundo é o que é, isto é, imperfeito.

Outras religiões, por seu lado, aproveitam-se da ignorância dos seus adeptos e prometem a felicidade eterna no céu. Os seus expositores se esquecem de que isso não será conseguido, porque nada mais somos do que a extensão de nós mesmos. A morte não modifica o nosso estado moral, intelectual e espiritual. Do outro lado da vida, falta-nos apenas o corpo físico. Lá, continuamos com o nosso passivo espiritual, que é a soma de nossas perfeições e imperfeições desta existência.

O provisório tem o seu valor: é aí que Espírito realiza a sua experiência. O provisório deve ser interpretado como uma existência terrena. Enquanto estivermos encarnados, estaremos exercitando o nosso livre-arbítrio e a nossa vontade. Como não temos tempo suficiente para bem refletir sobre todas as nossas ações, haverá também muitas decisões erradas. Um fato se apresenta e temos de decidir. Assim, tudo é imperfeito, inclusive a prática da caridade.

O ser-para-o-outro, essência da caridade, não é uma relação pura, porque nem o "eu" e nem o "outro" são puros. Toda ação responde a uma utilidade. Agimos em função do nosso parente, do nosso amigo, do nosso dependente. Desta forma, tanto quanto somos imperfeitos, os outros também o são. Nesse sentido, a caridade surge como um acréscimo, uma resposta a uma utilidade.

Na vida, cada ser humano tem a sua quota de responsabilidade. Saibamos bem desempenhar a nossa, a fim de transcendermos este mundo transitório e penetrarmos no mundo verdadeiro e definitivo, o mundo espiritual.

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