02 julho 2008

Queixa e Solução

A queixa, entendida como manifestação de dor ou pesar, é assaz pertinaz nos dias que correm. Há queixas e queixas. O presente estudo tem por objetivo discutir as queixas inexistentes, quando submetidas à luz da razão.

A repetição do ato cria o hábito. Pavlov, fisiologista russo, ao estudar os reflexos condicionados nos cães, abre-nos a mente para a compreensão de nossas lamentações. Pavlov associava um sinal luminoso à oferta de carne ao cão. Depois de algumas repetições, suprime o alimento, mantendo apenas a luminosidade. Conseqüência: o cão emitiu suco gástrico, ou seja, agiu de acordo com o reflexo condicionado. Para nós, o sinal luminoso seria a dificuldade e o reflexo condicionado a reclamação.

Passamos o dia lamentando. É a preguiça de pular da cama à hora marcada, a dor de cabeça que nos incomoda, a falta de dinheiro, o desemprego, a ingratidão dos amigos, o ódio dos inimigos, o aparecimento de rugas etc. Se continuarmos, a lista aumenta sobremaneira. Mas, perguntamos: temos consciência dessas queixas? Estamos fazendo algo para removê-las? Ou aceitamos pacificamente as injunções do meio?

Não se queixe, solucione. O primeiro dos requisitos é tomar consciência do problema apresentado. De posse dos dados, enveredar por um caminho, o mais coerente possível, mesmo contrariando a nossa inércia. Se o problema é a falta de dinheiro, busquemos o trabalho remunerador; se uma doença, o médico especialista. Regulemos, também, os vôos da imaginação, pois debilitam o nosso ser, incapacitando-nos para os esforços adicionais.

O acaso não existe. Estamos colocados no devido lugar para a resolução de nossos problemas. Devemos, assim, administrar racionalmente as nossas dificuldades, no sentido de alocarmos equilibradamente a nossa energia vital. Lembremo-nos de que acima de nós há uma inteligência suprema dirigindo todas as nossas ações. Convém, para o nosso bem, fortificar dia-a-dia essa confiança.

Tomemos a decisão de não nos queixarmos. Procuremos, pelo contrário, a solução que a situação requeira. Somente com esse vigor conseguiremos modificar as predisposições automatizadas de nosso caráter.

São Paulo, 26/8/2005

Nenhum comentário: