03 julho 2008

Semeadores do Evangelho

"Não percebeis esta parábola? Como pois entendereis todas as parábolas?" (Marcos, 4, 13)

A parábola do semeador é a parábola das parábolas, porque traz no seu bojo os vários tipos de solo (pedregoso, espinhoso, pantanoso e fértil) que correspondem à evolução espiritual alcançada por cada um de nós. Se tanto a multidão curiosa quanto os discípulos não a tinham entendido, como poderiam entender as demais? Não a entenderam porque lhes faltavam os fundamentos espirituais necessários para tal percepção. E isso não se constrói da noite para o dia.

A trave mestra desta parábola é o alcance do reino dos Céus; os seus elementos são: semeador, semente e solo. O semeador e a semente são constantes. O que varia são os solos. O trabalho do semeador é colocar a semente no solo; a sua identidade pessoal é pouco relevante: nada nos é dito sobre sua personalidade e os seus méritos pessoais. Ele simplesmente coloca a semente na cova. A colheita depende da combinação do solo com a semente. O semeador deveria seguir a recomendação de Paulo: "Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus que dá o crescimento". (1 Coríntios, 3, 6 e 7)

Em muitas pregações, nos dias atuais, o semeador tornou-se figura principal; conseqüentemente, a semente ficou esquecida. No início do cristianismo, contudo, não foi assim: o que valia era a semente. Observe que para angariar novos adeptos, os propagadores das religiões valem-se de todo o tipo de estímulo: festas, canto, esportes, bandas etc. O nosso trabalho é semear a boa semente e não fazer proselitismo. Às vezes, uma única semente que frutifica no coração humano vale mais do que mil outras que foram plantadas através dos divertimentos. Lembremo-nos de Paulo de Tarso: a semente que vivificou nele foi extremamente frondosa para o Cristianismo.

O Espírito Emmanuel, no capítulo 64 do livro Fonte Viva, esclarece-nos: 1) o semeador não deve agir, através do contrato com terceiras pessoas, e sim que ele mesmo deve sair para semear; 2) o servidor do Evangelho é compelido a sair de si próprio, a fim de beneficiar corações alheios; 3) o propagador da boa-nova é convidado a desintegrar o velho cárcere do "ponto de vista" para se devotar ao serviço do próximo; 4) o expositor doutrinário deve aprender a retirar-se da escura cadeia do "eu" e excursionar através do grande continente denominado "interesse geral".

Jesus, o grande semeador do Evangelho, fez analogia com a vida cotidiana. Há, contudo, um ponto onde a analogia termina: o solo da natureza segue as leis físicas; o solo do coração, as leis da razão e do sentimento. Quer dizer, um coração içado no espinheiro pode ser modificado, pode ser transformado num solo produtivo. Basta que esta ovelha desgarrada se conscientize que deve mudar o seu rumo na vida. Eis o trabalho do semeador: despertar as almas que dormem.


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