03 julho 2008

Sustento e Vestimenta

"Tendo, porém, sustento e com o que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes". – Paulo (I Timóteo, 6,8)

A reação pessimista vem sempre antes da otimista. Numa família, quando um dos seus membros se atrasa, os outros logo começam a conjeturar: deve ter acontecido algum acidente, sequestro, assalto. Pensar que essa pessoa teve problema com o serviço, que precisou atender a um compromisso extra ou que o trânsito estava horrível, fica sempre para segundo plano. A primeira reação é sempre a catastrófica.

A sustentação da vida segue o mesmo raciocínio. Perguntamos: Terei alimento no dia seguinte? Poderei comprar mais roupas? Conservarei um teto para me abrigar? Se não exercitamos nenhuma atividade que nos traga rendimentos financeiros, as agruras aumentam substancialmente. Nesse estado de grande estresse, olhamos para o alto e dizemos: "Deus se esqueceu de mim; Ele pouco está ligando para o meu sofrimento". Contudo, no momento oportuno, o auxílio oculto chega-nos como um passe de mágica.

Em qualquer momento de desespero, podemos acionar a nossa química mental da felicidade. Para isso, basta sempre esperarmos o melhor, apesar das asperezas do caminho. À falta de recursos financeiros, lembremo-nos dos exercícios de humildade aos quais somos impelidos. Se os recursos fossem abundantes, talvez não teríamos desenvolvido a criatividade, não teríamos usado o cérebro para economizar. A limitação financeira impõe-nos uma adaptação à necessidade, cortando tudo o que for supérfluo.

A lamentação de nossa encarnação presente não o encurta o caminho a percorrer. Podemos pedir ajuda aos benfeitores espirituais, mas a recomendação deles é que procuremos andar com as nossas próprias pernas. A posição que nos encontramos é a melhor que há para a evolução do nosso Espírito. Cabe-nos, sim, retirar as pedras do caminho e avançar. Às vezes, a concretização de um desejo faz-nos desviar do rumo, pois tão logo obtemos o desejado, os compromissos sociais acabam roubando-nos o tempo que poderia estar sendo usado para o cultivo de nossa alma imortal.

Precisamos de muita fibra para permanecer junto ao nosso centro, ao redor do nosso eu. Se temos poucos recursos, começamos a invejar aquele que tem mais do que nós. Jesus foi peremptório quando disse: "Sê tu mesmo, desenvolva a tua personalidade". Essa deve ser a nossa grande tarefa. Por que invejar o poderoso, o letrado, o escritor de livros? Verifiquemos, em primeiro lugar, se estamos cumprindo com os nossos deveres, porque de acordo com a exortação evangélica, todos somos ovelhas de um mesmo pastor.

Por pior que seja a nossa existência, estejamos contentes. Quem sabe se essa atitude mental não modificará o quadro material e espiritual de nossa experiência futura?

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