03 julho 2008

Transformar-se

A transformação exige a tomada de consciência daquilo que deve ser mudado. Se, em nosso dia-a-dia, repetimos os automatismos, sem qualquer preocupação de renovação, é quase certo que a transformação está por ser feita. A conscientização de uma mudança vem, geralmente, através de um desconforto, de algo que nos contraria, de um aborrecimento etc. O sofrimento, fazendo com que a nossa mente volte-se para dentro de si mesma, é o primeiro estopim dessa mudança.

A transformação é geral, porém podemos situá-la dentro de alguns aspectos específicos. Quanto à alimentação, será que estamos comendo racionalmente? Estamos ingerindo as vitaminas e os carboidratos necessários à nossa manutenção física? Quanto ao julgamento, estamos sofrendo com resignação ou condenando as más ações do próximo? Quanto ao foco de nossas atividades, descartamos aquilo que não tem mais serventia? Quanto aos relacionamentos, estamos guardando muitos ressentimentos em nosso coração?

Na antiguidade clássica grega, os verdadeiros filósofos não eram o que especulavam acerca da origem da vida e do cosmo, mas aqueles que se transformavam a si mesmos. Essa ideia de transformação também inflamou o pensamento dos primeiros Pais ou Padres da Igreja grega e romana. Os verdadeiros filósofos eram homens ligados à filosofia e à religião e procuravam agir de acordo com o que pensavam e falavam. Eles não só ensinavam, mas também praticavam a arte de bem viver. Eram os verdadeiros terapeutas da sociedade.

Os grandes sábios da humanidade dão muita importância ao exemplo. Por isso, diz-se que "o exemplo corrige muito mais que as repreensões", "mostrar como fazer é a melhor das críticas". Nesse mister, os que estão adquirindo sabedoria devem ter em mente que serão ridicularizados e condenados, pois se defrontarão com muita incompreensão em torno de seus passos. Às vezes uma pessoa escreve coisas edificantes, mas não age de acordo com seus escritos. Não o condenemos. Ao contrário, pensemos: ele está agindo de acordo com os seus automatismos, mas o que escreveu serve como preparação para o seu futuro.

Os desejos apressam e as aversões retardam a realização de um ato qualquer. O ser humano deve regular as suas emoções, ou seja, conter não só a negatividade da aversão como também estímulo do desejo, a fim de que não desvie dos caminhos que deve percorrer na vida. O equilíbrio não é fácil, mas sempre teremos a proteção do Alto. Deus, que ama todos os seus filhos, não nos deixaria abandonados. O que Ele quer é que permaneçamos em nosso posto de trabalho, controlando o que é da nossa conta e deixando para o outro o que é da conta dele.

Resistamos aos hábitos infelizes e cedamos àqueles que nos enriquecem a personalidade. Façamo-lo, contudo, com critério e determinação.

São Paulo, 6/3/2006.

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