01 julho 2008

Transições e Espiritismo

Um aprofundamento do estudo da lei do progresso leva-nos à busca das grandes transições ocorridas em nosso planeta. A primeira transição perde-se nas brumas do tempo. Iniciou-se há dez mil anos, e denomina-se período pré-civilizado. Pode ser visualizado como a passagem do comunismo primitivo para a descoberta da agricultura. Na agricultura o homem fixa-se à terra, produz o excedente agrícola, o qual irá financiar o aparecimento das cidades e consequentemente todo o desenvolvimento documentado pela História.

A segunda transição é a que estamos observando no momento atual. Suas origens remontam à descoberta da astronomia babilônica, a geometria grega e a álgebra árabe. É a partir do século VI que notamos os primeiros sinais do desenvolvimento tecnológico. A nora surgiu no século VI, o estribo, no VII, a coelheira e o leme, no IX, o moinho de vento, no XII. Dentre os inventos ocorridos, o mais expressivo foi o da imprensa, no século XVI, pois expandiu a capacidade de armazenar conhecimentos, facilitando, também, sua transmissão.

O significado do século XX é caracterizado pela grande transição. Os avanços ocorridos nas diversas áreas de pesquisa científica têm velocidade fantástica em relação aos períodos anteriores. A capacidade de instrumentalização ampliou a visão do homem sobre o universo, aumentou a produtividade da mão de obra, liberando-a para as áreas de serviço. Um exemplo: na época da Revolução Americana, 90% da população estava ocupada com a agricultura. Hoje, apenas 5%. É de se esperar que no século XXI, a velocidade de aparecimento de novas tecnologias aumente ainda mais.

Nesse ponto o Espiritismo pode nos auxiliar sobremaneira, pois oferece a chave moral para a resolução e encaminhamento dos diversos problemas surgidos no seio da sociedade. Ele aceita o progresso, porém faz convergir para o aperfeiçoamento da raça humana. Procura encaminhar o nosso pensamento para o combate do orgulho ao egoísmo, os fatores perversos do relacionamento humano. Além disso procura destruir o materialismo, chamando-nos a atenção para a vida futura, a nossa verdadeira vida. Destrói, também, os preconceitos de seitas, de casta e de cor, ensinando os homens a grande solidariedade que os deve unir como irmãos.

A vivência do Espiritismo tornará uma crença comum e marcará nova fase na História da Humanidade. Uma fase de fraternidade, caridade e amor ao próximo.


Fonte de Consulta

BOULDING, K. E. O Significado do Século XX - A Grande Transição. São Paulo, Fundo de Cultura, 1966

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. São Paulo, FEESP, 1972

São Paulo, 11/01/1996

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