02 julho 2008

Vida Monástica

Monge é um indivíduo que renuncia aos cuidados, desejos e ambições dos outros homens para dedicar toda a sua vida à procura de Deus. O que se entende por vontade de Deus? O que é "buscar a Deus"? É possível que não saibamos definir o que seja buscar a Deus, mas nem por isso devemos deixar de buscá-Lo. O que sucede geralmente é que, quando buscamos a Deus, Ele já nos buscou primeiro. Quer dizer, quando nos voltamos para Deus, simplesmente estamos atendendo ao Seu chamamento.

A vida monástica é a rejeição de tudo aquilo que dificulta a obtenção da luz espiritual. O monge é, assim, aquela pessoa que deixa para trás as ilusões e as artimanhas da espiritualização humana, para se dedicar inteiramente à vontade daquele que o criou, utilizando, para isso, os ensinamentos do mestre Jesus. A fé em Cristo torna-se, com o tempo, a sua principal ferramenta de evolução espiritual. É nela que fundamenta todas as suas ações, mesmo quando a razão humana não a possa compreender.

Há duas espécies de monge: os eremitas e os cenobitas. Os eremitas são aqueles que se isolam da sociedade, estabelecendo o seu habitat no deserto e nas montanhas. Os cenobitas são aqueles que vivem na e para a comunidade. Os cenobitas podem até se retirar do mundo, entregar-se inteiramente à oração, à meditação, ao estudo, à penitência, sob o olhar de Deus, mas para ter aplicação prática junto às necessidades dos seus semelhantes.

Para estar livre e unido ao Cristo, o monge deve exercitar o desprendimento. Assim sendo, renuncia à sua própria personalidade, à sua vontade, ao direito à propriedade, ao conforto de um lar, ao direito de fundar uma família, à faculdade de dispor o seu tempo como bem entende etc. Essa postura, levada a efeito, oferece-lhe os requisitos básicos para a realização de sua missão na sociedade. É como o fermento lançado na farinha do pão: em pouco tempo, tudo fermentou.

O monge, mesmo permanecendo na sua pobreza, na sua solidão, no seu silêncio e no seu retiro, está de posse de uma caridade que atinge dimensões extremamente elevadas, pois consegue captar com mais facilidade as tristezas e as desilusões dos outros. Arquiteta, assim, palavras e ações que minimizem os sofrimentos alheios porque, para ele, o homem não é apenas um indivíduo, ele pertence à humanidade. Quando pensa em auxiliar alguém, na verdade, está auxiliando a humanidade como um todo.

Ampliemos a dimensão de nossa vida. Há muita gente praticando mais caridade do que nós mesmos. Saibamos respeitar cada qual em sua tarefa, pois nós também fazemos parte dessa Humanidade que precisa de salvação.

Fonte de Consulta

MERTON, Thomas. A Vida Silenciosa. Tradução de Religiosas da Companhia da Virgem. Rio de Janeiro: Vozes, 1960.


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