02 dezembro 2008

Desejo de Saber: o Sensível e o Espiritual

Aristóteles, na sua Metafísica, diz que todo o homem tem desejo natural de saber. Tomás de Kempis, em Imitação do Cristo, complementa: "Mas que aproveitará a ciência sem o temor de Deus? Melhor é, por certo, o humilde camponês que serve a Deus, do que o filósofo soberbo que observa o curso dos astros e se descuida de si mesmo. Aquele que se conhece bem despreza-se e não se compraz em humanos louvores". Este saber, contudo, está mais relacionado com o sensível, aquilo que salta aos olhos, do que com o invisível, aquilo que está escondido.

Lembremo-nos da história do homem comum que pede ao sábio uma explicação sobre a felicidade. O sábio desenvolve o seu raciocínio através de perguntas. Ele diz ao homem comum: olhe para o mundo. O que você vê? Eu vejo casa, comida, pessoas, florestas. O que mais você vê? Eu vejo as cidades, os países, o planeta Terra. O que mais? Os espaços siderais, as constelações, as galáxias. E o que mais? Creia-me senhor, eu não vejo mais nada. Aí o sábio diz: se é só isso o que você vê, como posso lhe ensinar o que seja a felicidade.

A que isso nos remete? O sensível estimula mais do que o invisível. Por isso, dizemos que as aparências enganam. Em realidade, não são as aparências que nos enganam, nós é que nos enganamos com elas. No caso, a felicidade está além do objeto material, embora deste necessitemos para a nossa sobrevivência. A verdadeira felicidade, no entanto, exige que o campo mental do espírito penetre outras realidades, realidades estas antevistas através de um sentimento, de uma emoção, de uma inspiração, de um arrebatamento.

Para obtermos uma visão mais acurada da realidade, precisamos exercitar o nosso senso crítico. Senso crítico não significa criticar por criticar, mas buscar a verdade que está além dos fatos observados. A pessoa que está sempre reclamando pensa que desenvolveu o senso crítico. O senso crítico não é reclamar do governo, da Igreja, das pessoas, mas procurar ver as coisas como elas realmente são e não sob o guante dos nossos preconceitos, dos nossos estereótipos, das nossas idiossincrasias.

Tomás Kempis sugere ainda que renunciemos ao desordenado desejo de saber, porque nele há muita distração e ilusão. Ele diz: "Os letrados gostam de ser vistos e tidos por sábios. Muitas coisas há cujo conhecimento pouco ou nada aproveita à alma. E mui insensato é quem de outras coisas se ocupa e não das que tocam à sua salvação. As muitas palavras não satisfazem a alma, mas uma palavra boa refrigera o espírito e uma consciência pura inspira grande confiança em Deus".

Em tudo o que fizermos, pensemos em Deus primeiro. Quantos não são os conhecimentos que nada auxiliam a evolução do nosso espírito imortal?

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