18 janeiro 2009

O Mestre e o Discípulo

O discípulo é aquele que, com um mestre, aprende uma ciência ou arte, e dele recebe os conhecimentos de uma doutrina. Em se tratando de Jesus, fala-se em discípulos do Senhor. Em primeiro lugar, os 12 Apóstolos; depois, os outros 72 que Jesus mandava adiante de si aos lugares onde tencionava pregar (Luc., 10). Em sentido geral, também eram chamados discípulos os que acreditavam em Cristo e se propunham seguir sua doutrina, instruídos por ele ou pelos apóstolos e evangelistas.

A relação entre mestre e discípulo é antiga. Platão tinha os seus discípulos; Aristóteles também. Recentemente, tem-se indagado acerca da transmissão de conhecimento, da didática em diversas áreas do saber. Os cursos de Filosofia no Brasil, que formavam especialistas em idéias de outros países, estão mudando o foco e instruindo discípulos que pensem a filosofia brasileira, no sentido de discutir temas e problemas inerentes à necessidade do povo brasileiro.

De acordo com Ana Miriam Wuensch, "A missão do mestre não é ensinar, não é dar aulas ou transmitir a sua erudição, não é formar, não é se fazer entender ou mesmo justificar-se, como ocorre nas tarefas pedagógicas. O mestre não diz; cala". Em realidade, "O mestre é um anti-pedagogo, pois não conduz o discípulo a um lugar que já exista. E o discípulo descobre, com o mestre, que este lugar que não existe, é a sua própria missão. O mestre não ensina, mas está presente na aprendizagem significativa do discípulo".(1)

O pensamento acima descrito, no âmbito da filosofia, pode perfeitamente ser aplicado na Doutrina Espírita e, mais especificamente, nos Centros Espíritas. Em Filosofia, o mestre difere do pedagogo, aquele que ensina. O mestre não é o que ensina, mas aquele que transforma o seu discípulo. A nossa função, numa Casa Espírita, não é mostrar erudição acerca dos princípios espíritas, mas procurar, primeiramente, nos transformarmos interiormente, para servirmos de exemplo aos que estão chegando.

Todos nós somos, ao mesmo tempo, mestres e discípulos. Somos mestres daqueles que estão vindo depois de nós; discípulos, daqueles que nos antecederam. A consciência dessa relação intermediária deve permear todas as nossas atividades dentro de uma Casa Espírita. Isso evita a vanglória, principal estimuladora do orgulho e da vaidade. Em seu lugar, devemos plantar a humildade, o fundamento de todas as virtudes do ser humano.

Temos olhos e não vemos. Quantas não são as vezes que nos chamam a atenção para as coisas mais simples da vida e nós preferimos as mais complicadas? Em síntese, sejamos mestres de nós mesmos. Só assim poderemos ser mestre dos outros.

(1) WUENSCH, Ana M. Por uma Didática da Filosofia. In: SARDI, Sérgio Augusto, SOUZA, Draiton Gonzaga e CARBONARA, Vanderlei (org.). Filosofia e Sociedade: Perspectivas para o Ensino de Filosofia. Ijuí: Ed. Unijuí, 2007. (Coleção Filosofia e Ensino;11)

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