17 março 2009

Aborto: Menina de Nove Anos

Fato: o arcebispo de Olinda e Recife, D. José Cardoso Sobrinho, excomungou os médicos que praticaram o aborto de gêmeos na menina de 9 anos. A mídia explorou bastante o caso, tendo, inclusive, repercussões internacionais.

D. José Cardoso Sobrinho concedeu uma entrevista à Revista Veja, de 18/03/2009. Os seus argumentos basearam-se no Cânone 1398, do código do Direito Canônico. Por essa lei, qualquer pessoa que comete aborto está excomungada, por uma penalidade chamada latae sententiae ("sentença oculta"), ou seja, uma pena eclesiástica em que um sujeito incorre sem necessidade de que se dite expressamente sentença, pelo fato mesmo de cometer o delito.

D. José Cardoso Sobrinho fez referência à lei humana e à lei Divina. Para ele, importa mais obedecer à lei de Deus e não à lei dos homens. Por isso, mostrou-se bastante tranqüilo no ato da excomunhão, apesar de toda a celeuma criada em torno da religião e da ciência.

Que subsídios a Doutrina Espírita oferece-nos para o entendimento desta questão? Primeiramente, o Espiritismo não tem dogmas, mas princípios. Ou seja, qualquer assunto pode ser discutido à luz da lógica e da razão. Segundo, os Espíritos superiores nos informam que praticar o aborto é crime.

Vejamos algumas questões, extraídas de O Livro dos Espíritos.

Pergunta 357 – Quais são, para o Espírito, as conseqüências do aborto?

─ Uma existência nula a recomeçar.

Pergunta 358 - O aborto provocado é um crime, qualquer que seja a época da concepção?

─ Há sempre crime quando se transgride a lei de Deus. A mãe, ou qualquer pessoa, cometerá sempre crime ao tirar a vida à criança antes do seu nascimento, porque isso é impedir a alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser o instrumento.

Pergunta 359 - No caso em que a vida da mãe estivesse em perigo pelo nascimento da criança, haveria crime em sacrificar a criança para salvar a mãe?

─ É preferível sacrificar o ser que não existe a sacrificar o que existe.

Esta resposta atende perfeitamente ao ocorrido. Os médicos acharam que a mãe poderia correr risco de vida e preferiram sacrificar os gêmeos que ainda não tinham vindo à luz.

Nenhum comentário: