11 março 2009

Tolerância e Coerência

O Espírito Emmanuel, no livro Opinião Espírita, psicografado por Francisco Cândido Xavier, dá-nos alguns conselhos sobre a tolerância e sua relação com a coerência.

Alguns trechos da mensagem:

1) Ele sabia que Judas bandeava-se para o lado dos adversários. "A pretexto de amar os inimigos, ser-lhe-ia lícito afastá-lo da pequena comunidade, a fim de preservá-la, mas preferiu estender-lhe mãos fraternas".

2) Ele sabia que os supervisores do Sinédrio lhe tramavam a perda. "A pretexto de amar os inimigos, poderia solicitar-lhes encontros cordiais para a discussão de política doméstica, promovendo recuos e concessões, de maneira a poupar complicações aos próprios amigos, mas preferiu suportar-lhes a perseguição gratuita",

3) Ele sabia que Pilatos agia afoitamente. "A pretexto de amar os inimigos, não lhe seria difícil recorrer à justiça de instância mais elevada, mas preferiu agüentar-lhe a sentença iníqua".

Nosso comentário:

Em sua comunicação, notamos que o Espírito Emmanuel procura desviar o nosso foco – justiça humana –, direcionando-o para a justiça divina, muito mais abrangente e de difícil compreensão, pois os nossos reflexos condicionados foram, por muito tempo, automatizados na defesa da honra, do personalismo, do "olho por olho e dente por dente".

As suas palavras devem ser analisadas dentro de um contexto mais amplo. Reportando-nos às elucidações evangélicas de Jesus, vemos que o Seu interesse não é a "salvação" de uma única pessoa, mas a "salvação" de toda a humanidade.

Para a maioria dos terráqueos, Jesus deveria ter sido mais severo com o mal, mas preferiu agir de forma mais branda, achando que esta traria mais resultados para o erro cometido. A tolerância de Jesus não é ser conivente com o mal, mas procurar uma forma mais efetiva de debelá-lo. Esta é, segundo a nossa interpretação, a coerência que o Espírito Emmanuel quer nos mostrar.

O significado dos termos:

Coerência é a qualidade de um raciocínio ou de um texto no qual não se pode descobrir contradição. Ordem, conexão, harmonia de um sistema de conhecimento. Implica não só a ausência de contradição, mas a presença de conexões positivas que estabeleçam harmonia entre os elementos do sistema. O mesmo que compatibilidade.

Tolerância. Nasceu no âmbito da religião e significa a coexistência pacífica entre várias confissões religiosas. Do ponto de vista moral, é um termo ambíguo, porque pode admitir que todas as opiniões se equivalem e que não existe verdade ou valor digno de ser difundido veementemente.

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