10 junho 2009

Reforma Íntima

Reforma íntima nada mais é do que o desenvolvimento latente que jaz em nosso espírito. É um requisito indispensável à própria saúde. A repetição de um termo faz com que se perca o seu sentido conceitual. Tal qual a palavra Evangelho, que de tanto ser repetida, perdeu sua feição de boa nova, a reforma íntima não tem mais o sentido de desenvolvimento das virtualidades inscritas no âmago de cada ser. Parece mais uma proibição: "não beba", "não fume", "não faça isso", "não faça aquilo" etc.

No lugar de reforma íntima, deveríamos usar o termo "mudança comportamental". A reforma pressupõe conserto, remendo, reparo. A imagem mais clara é quando precisamos fazer uma reforma em nossa casa: quebramos, para depois construir outro imóvel, mais belo e mais de acordo com os tempos atuais. Assim, em vez de reforma, que pressupõe conserto, o termo mudança comportamental, entendida como desenvolvimento, seria mais conveniente. Como o Espírito foi criado simples e ignorante, mas sujeito ao progresso, a mudança pressupõe que esse Espírito esteja crescendo, evoluindo.

Uma forma didática de se entender a reforma íntima é relacioná-la aos reflexos condicionados. Todos nós somos herdeiros de um automatismo, vindo de longa data. Dado um estímulo, respondemos automaticamente. Se xingados, queremos revidar. Observe as nossas respostas, as nossas reações no trânsito: uma leve "fechada" pode até ocasionar morte. E se mudássemos essa resposta automática. E se, em vez de querermos briga, perdoarmos aquele nosso irmão? Não haveria um ganho para o infrator e para nós?

Conhecer a si mesmo não significa necessariamente reformar-se. Sócrates, quando nos revelou o "conhece a ti mesmo", não estava interessado numa mudança comportamental. Queria apenas que cada um de nós tomasse consciência da sua própria ignorância. Quando o termo passou para o latim, "nosce te ipsum", começaram a modificar-lhe o sentido e colocaram-no como condição moral para que o ser humano pudesse mudar os seus hábitos e os seus costumes.

O procedimento com relação à reforma íntima é único: uma vez iniciada, convém dar-lhe continuidade. Parar é regredir, é voltar aos mesmos erros que cometíamos no passado. Um bom exercício é o ser humano se colocar no meio de uma montanha. Tem que ir em frente, porque a queda pode ser violenta.

Quanto à reforma íntima, o grande erro que cometemos é querer fazer uma reforma radical. Lembremo-nos de que os ensinamentos veiculados por Jesus, e por outros grandes lideres da humanidade, são modelos que devemos ter em mente. É como um ideal, uma meta a alcançar, porque a evolução não dá saltos. Querer melhorar a qualquer custo é também uma forma de violência.

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