14 agosto 2009

Cursos Gratuitos no Centro Espírita

Tese: mais respeito, compromisso, dedicação e constância aos ensinamentos gratuitos.

As informações da Internet estão se tornando cada vez mais gratuitas. Gratuito não quer dizer sem custo. Para os usuários é gratuito, mas não para os detentores dos sites. Estes se valem das propagandas, aquelas que aparecem nos sites, para cobrir o referido custo. O mesmo podemos dizer dos cursos em Centro Espírita. Eles são gratuitos para quem os assiste, mas não para o Centro, que tem os custos de manutenção do imóvel, tais como, água, luz, material de limpeza etc.

Quando nos inscrevemos num curso não temos consciência desses custos. Simplesmente nos inscrevemos e o freqüentamos ou não. Dependendo de nossa vontade, hoje eu vou, mas amanhã aparece outro compromisso e já deixo de ir. A qualquer pretexto, deixamos o curso em segundo plano. E se estivéssemos pagando pelo referido curso, será que procederíamos dessa forma? Será que não haveria mais constância em sala de aula?

O Espírito Scheilla, no capítulo 17, “Cultura de Graça”, de Ideal Espírita, esclarece-nos que se quisermos explicadores dessa ou daquela matéria, teremos de pagar as matrículas, as taxas, os honorários e os emolumentos diversos, nas casas de ensino superior. Entretanto, para as nossas aquisições sublimes, permite o Senhor que a Doutrina Espírita abra atualmente na Terra preciosos cursos de elevação, em que a cultura da alma nada pede à bolsa dos aprendizes.

A sua mensagem segue nos seguintes termos:

"Cada templo do Espiritismo é uma escola aberta às nossas mais altas aspirações e cada reunião doutrinária é uma aula, suscetível de habilitar-nos às mais amplas conquistas para o caminho terrestre e para a Vida Maior. Pela administração desses valores eternos não há preço amoedado. Cada aluno da organização redentora pode comparecer de mãos vazias, trazendo simplesmente o sinal de respeito e o vaso da atenção. Jesus, o Mestre dos Mestres, passou entre os homens sem nada cobrar por Seus Divinos Ensinamentos. E o Espiritismo, que Lhe revive agora as bênçãos de amor, pode ser comparado a instituto mundial de educação gratuita, conduzindo-nos a todos, sem exigência e sem paga, do vale escuro da ignorância para os montes da luz".

Vejamos as mesmas coisas com outros olhos. Não é porque é gratuito que não tem valor. É possível que o seu valor seja tão grande que não tenhamos capacidade de percebê-lo. De qualquer forma, percebendo ou não, conscientizemo-nos de que ao nos inscrevermos num determinado curso, deveríamos manter certa constância, a fim de absorver todos os ensinamentos ali veiculados.

Reflexão de maio de 2010

Gratuito não quer dizer sem custo. Alguém está pagando por ele, pois há consumo de água, de energia elétrica, de material de limpeza etc. O aluno, que se matricula num curso, geralmente não gasta nada. Por isso, inconscientemente, não dá tanto valor quanto a um que ele porventura pague. Daí, frequentá-lo quando bem entender, sem se importar com os esforços despendidos pelo instrutor no preparo da aula.
Um grupo coeso exige que seus componentes estejam ligados entre si. Eles devem formar uma espécie de sinergia, em que o todo é maior do que a soma das partes. E quando isso não acontece? E quando os alunos mais faltam do que assistem às aulas? O que acontece com o ambiente da classe? Será que conseguem formar um elo harmonioso entre eles? Como aproveitar integralmente um curso, sem a presença constante?
Suponha o lado do professor (orientador, expositor). Ele se vê diante dessa situação. Qual pode ser a sua reação? Desistir, largar tudo e partir para outra tarefa. Seria esta a opção correta? Nesse momento de desilusão, convém pesar os prós e os contras. Poder-se-ia pensar: os amigos espirituais fizeram todos os esforços para a realização desta tarefa e eu vou largá-la ao meio? Não seria um melindre? Como contornar o problema?
É possível que estejamos realmente passando por essa situação hipotética. Nesse caso, convém consultarmos a nossa consciência, para verificar qual o melhor decisão a tomar. Se a nossa consciência indicar que esta é a nossa tarefa, devemos segui-la, pois é para o nosso próprio bem. Talvez este sentimento de desprezo, de desilusão sirva para educar o nosso orgulho e a nossa vaidade.
Lembremo-nos da orientação de Padre Antonio Vieira: “A prova da verdadeira fé e a fineza do verdadeiro amor não é seguir o sol quando ele se deixa ver claro e formoso com toda a pompa dos seus raios, senão quando se nega aos olhos, escondido e encoberto de nuvens”. Quer dizer, não basta andar apenas na claridade; é preciso persistir também quando a adversidade nos bate à porta.
Observe a vida dos grandes líderes da humanidade. Sócrates, Jesus e Paulo, por exemplo, tiveram morte trágica. E nós? Queremos ter uma vida sem contratempos, com tudo correndo a mil maravilhas? Mas essa não é a estrada do progresso espiritual. Thomas A. Kempis dizia: “É muitas vezes pela fraqueza do espírito que esse miserável corpo se queixa tão facilmente”. Posteriormente, estimulava-nos a pedir ao Senhor o espírito de compunção.
Caminhos há muitos; a porta larga oferece-os a todo o momento. Refletir, porém, sobre nossa pequena missão e continuar nela, apesar dos percalços do caminho, é o que robustece a nossa fé.

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