16 julho 2011

Nossa Cruz de Cada Dia

A cruz é um objeto formado por duas partes que se cortam. Como objeto, ela é neutra, é apenas a junção de dois pedaços de madeira, por exemplo. O seu sentido metafórico, contudo, suplantou muito o sentido físico. É tido como um instrumento de suplício ao qual os padecentes eram fixados com os braços abertos. Presentemente, serve até para esconjurar os demônios nos trabalhos de exorcismo.

Em se tratando da perspectiva interior, é a nossa dor, o nosso sofrimento. Nesse sentido, ninguém dela está livre, pois ela permeia todos os atos do ser humano. Quer dizer, a dor, a cruz é sempre processo, é meio, mas o que importa é o fim, que é a evolução do ser humano. Assim, a cruz aparece em nosso dia a dia nas menores como nas maiores ocorrências. Pode ser o parente difícil, a luta para romper um hábito infeliz, a possibilidade de êxito ou de fracasso...

Não sem razão, Jesus disse: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. “Negar a si mesmo” implica deixar o egoísmo de lado, o maior cancro da humanidade. Seguir Jesus é apagar-se para que o mestre resplandeça, é humilhar-se para que Deus seja engrandecido, é calar-se para que o outro fale, é morrer para a vida presente, a fim de se preparar para a vida futura, a verdadeira vida do Espírito.

Os Espíritos de luz estão sempre nos aconselhando. O Espírito Emmanuel, no capítulo 74 de Palavras de Vida Eterna, diz: "Caminheiros da evolução ou da redenção têm, cada qual, a sua cruz. Esse almeja, aquele deve. E para realizar ou ressarcir, a vida pede preço. Ninguém conquista algo sem esforçar-se de algum modo, e ninguém resgata esse ou aquele débito, sem sofrimento. Enquanto a criatura não adquire consciência da própria responsabilidade, movimenta-se no mundo à feição de semi-racional, amontoando problemas sobre a própria cabeça".

Saibamos carregar a nossa cruz. Não a despejemos nos ombros alheios. Confiemos na Divina Providência, pois todo o sofrimento tem sua razão de ser.

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