19 outubro 2011

Realidade e Irrealidade da Vida Espiritual

“Quando nossa vida se nutre da irrealidade, morremos de fome”.

A irrealidade pode ser entendida como as ilusões que temos da vida espiritual. Muitas vezes pensamos que estamos praticando o bem, quando, na verdade, estamos imersos no mal. Se não estivermos curados da promiscuidade, poderemos substituí-la pelos desmandos religiosos.

Como detectar a irrealidade, a ilusão? A tecnologia pode se tornar uma irrealidade, quando as suas descobertas implicam que o ser humano possa viver sem Deus. Riqueza, poder e fama são outros tantos atrativos para estimular o ser humano a evadir-se do real. Uma vida puramente mental também pode nos levar à ilusão.

Thomas Merton, Na Liberdade da Solidão, diz: “Uma vida puramente mental pode ser causa de ruína, se nos leva a substituir a vida pelo pensamento e as ações pelas ideias. Somente tornando aquilo que conhecemos parte de nós mesmos pela ação é que penetramos na realidade significada por nossos conceitos”.

Acrescenta que: “Viver não é pensar. O pensamento é formado e guiado pela realidade objetiva que existe fora de nós. Viver é o constante ajustar-se do pensamento à vida e da vida ao pensamento, de tal modo que estejamos sempre em crescimento, sempre tendo a experiência de coisas novas nas antigas, e de antigas nas novas. Assim, a vida é sempre coisa nova”.

São Tomás, por sua vez, diz: “Um homem é bom quando sua vontade se alegra com o que é bom, é mau quando a vontade se alegra com o que é mau. É virtuoso quando encontra felicidade numa vida virtuosa, pecaminoso quando se compraz numa vida pecaminosa. Assim sendo, as coisas que amamos nos dizem o que somos”.

Do exposto, depreende-se que ideias e palavras servem para a comunicação entre os seres humanos. Elas podem simplesmente expressar uma verdade abstrata, muitas vezes irreal. Contudo, para o homem espiritual o que vale é a verdade total, a realidade, algo que possa ser abraçado, amado e posto em prática no dia a dia.

Para nos compenetrarmos da realidade espiritual, a humildade é de substancial importância. Ela mostra as nossas ilusões e desvia a nossa vontade daquilo que era apenas um bem aparente.

Fonte de Consulta 

MERTON, Thomas. Na Liberdade da Solidão. Tradução Religiosas da Companhia da Virgem. Rio de Janeiro: Vozes, 1958.

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