14 março 2012

Banquete e Religião

A alimentação é uma necessidade vital dos animais e dos seres humanos. O instinto de conservação leva-os a procurar os meios de sustentação que lhes dizem respeito. Nesse sentido, há uma relação de parentesco entre os homens, as plantas e os animais. Vemos que, tanto na Bíblia quanto no Novo Testamento, a moderação no comer e no beber é sempre lembrada.

Para o ser humano, a alimentação, diferente da do animal, não é simplesmente uma função fisiológica; é, também, a expressão de sua sociabilidade. Por isso, no banquete que, na antiguidade, era sinônimo de convite, as pessoas manifestavam as virtudes e os gestos mais humanos, como hospitalidade, agradecimento e regozijo. Observe que quase todos os cultos da antiguidade utilizavam os banquetes com um sentido simbólico e sagrado.

Na Bíblia, o povo de Israel aproveitou esse costume, mas afastou as concepções animistas, em que vítimas eram imoladas. A ideia fundamental era a participação alegre nas festas religiosas. O banquete tinha um objetivo, ou seja, convidar o fiel para a aliança com o Deus Javé, para que pudesse alcançar a sua salvação. A páscoa, ou a grande ceia, era um banquete comunitário da passagem salvadora de Deus no meio de seu povo quando este era perseguido por seus adversários.

Jesus Cristo deu continuidade ao símbolo do banquete: muitas de suas pregações se deram em banquetes para os quais era convidado. Daí, a sua fama de glutão e beberrão. Em João 2, 1 e seguintes trata das bodas de Caná; em Lucas 10, 38 e seguintes dá instruções a Marta e Maria. Em suas pregações, insistia que buscava os pecadores, no sentido de lhes anunciar o reino de Deus. Em Jesus, o banquete simboliza uma vida simples e humilde, em que o sujeito deve estar sempre disposto a ajudar os mais pobres.  

Os discípulos e os primeiros cristãos não fugiram à regra do banquete. Os discípulos, por exemplo, viam Jesus como o símbolo do alimento espiritual, a alimento superior que sacia a fome do espírito. Em se tratando dos primeiros cristãos, estes partiam o pão pelas casas e comiam o alimento com alegria e simplicidade de coração. Com Jesus, o banquete não se tratava mais de comer e beber, mas de uma convivência fraterna (ágape), cuja finalidade era a implantação do reino de Deus na Terra.  

Atendamos ao convite para o banquete. E, sempre que nele formos, saibamos comer e beber com moderação.

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

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