15 março 2012

Sinceridade

A sinceridade é uma virtude proclamada em todas as partes do mundo. As novas gerações criticam as gerações passadas, achando que estas deveriam agir sem hipocrisia, colocando tudo às claras, sem reservas e sem dissimulações. Querem que os políticos, os homens de negócios e os religiosos olhem todas as coisas sem disfarces. Esquecem-se de que o ser humano precisa de defesas, de disfarces, pois nem tudo pode ser dito. As relações sociais exigem prudência e recato.

A insinceridade é muito comum, pois o homem é um ser complexo. A auto-estima obriga-nos a disfarçar as nossas podridões, para que os outros não descubram os nossos defeitos e, com isso, possamos viver com dignidade no seio da sociedade. Daí, a simulação, a promessa que não se vai cumprir. Isso, de certa forma, corrompe a vida social. É no campo religioso, porém, que a falta de sinceridade é mais condenável, pois a função precípua da religião é proclamar a autenticidade de uma vida unida a Deus.

Jesus, no seu tempo, procurava desmascarar a hipocrisia dos fariseus. Os fariseus desprezavam os que julgavam inferiores; colocavam-se acima dos seus semelhantes em matéria de fé e de saber religioso. Em suas prédicas, Jesus os criticava: de nada adianta usarmos muitas palavras numa prece, de nada adianta rezarmos para que os outros nos tomem como devotos. Tudo isso não passa de insinceridade se esses sentimentos não estiverem arraigados em nossos corações.

Onde surgir uma semente de sinceridade, ajudemos a desenvolvê-la. Lembremo-nos da orientação dada por um mentor aos quatro Espíritos enviados à Terra para evangelizar as criaturas e, 20 meses depois, voltaram desiludidos. “— Ah! Meus filhos!... Meus filhos!... Somos chamados a desenvolver a sementeira e a colheita do Evangelho, onde a sementeira e a colheita do Evangelho se encontrem!... Em verdade, pouco podeis contra a escuridão do materialismo, quando a escuridão do materialismo animaliza as criaturas... Estejamos, porém, convencidos de que, onde esse ou aquele grupo humano demonstre sinceridade e boa consciência, qualquer serviço por Jesus e em nome de Jesus será sempre melhor do que nada”. (1)

Em O evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos muitos incentivos à prática da sinceridade. Um exemplo: regozijemo-nos quando os homens, por ignorância ou má-fé, injuriarem-nos e odiarem-nos devido à sinceridade de nossa fé. Suportemos o mal, que ele é passageiro. Tenhamos em mente que as promessas do Cristo não foram vãs. Sigamos os seus ensinamentos; não nos deixemos influenciar pelas críticas e pelas pessoas que desejam nos desviar do caminho de nossa evolução espiritual.

Esforcemo-nos para adquirir a virtude da sinceridade. Deixemo-la fundamentar as nossas ações, para que possamos irradiar a autenticidade de nossa vida. 

(1) XAVIER, F. C. Estante da Vida, pelo Espírito Irmão X. 3. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1974.


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