11 maio 2012

Mãe e Religião


Nas culturas antigas, a maternidade era valorizada. O homem pré-histórico encontrava na caverna a mãe que lhe inspirava confiança. Os historiadores reportavam-se à grande mãe – a terra fecunda – como símbolo da divindade. Israel desvia desse eixo, dando a Deus os traços masculinos, como força, coragem, vontade e determinação. Esta acepção é fruto, muito mais da cultura, do que propriamente de Deus, que evidentemente não tem sexo.

No Velho Testamento, a mulher era considerada um ser secundário. Observe a criação dela a partir da costela de Adão. Mesmo assim, a maternidade constitui o ideal autêntico da mulher. É na maternidade que ela se realiza e centra toda a sua atividade. Como fora proclamada para servir o homem, enaltecem-se os seus filhos e não ela (a mãe) propriamente dita. No plano religioso, estava sujeita a uma série de impurezas, tais como, parto, menstruação e qualquer doença sexual, que a afastavam da meditação. Um provérbio rabínico aconselhava que não se perdesse tempo ensinando a Bíblia às mulheres.

No Novo Testamento, nota-se uma oposição entre Eva e Maria. Eva saiu da Costela de Adão, devendo-lhe servidão; Maria, como mãe de Jesus, é objeto de salvação. Jesus, por ter nascido de uma virgem, torna-se amigo das mulheres. O seu Evangelho é a ágape, o amor desinteressado, à semelhança da sua mãe. Entregando-se na cruz, repete o amor incondicional da mãe: Ele não veio para ser servido, mas para servir, dar sua vida pelo povo.

Na época moderna, grande número de mulheres não adota a maternidade. Há, inclusive, a possibilidade de se criar filho in vitro. A função da religião e do cristianismo é dar sustentação à nova dimensão da mulher que, saindo da esfera do lar, apresenta-se na sociedade, assumindo funções nas empresas privadas e nas esferas governamentais. Antes de competir com o homem, ela deve andar junto com ele, para proporcionar a devida humanização da sociedade.

O Espiritismo, que é o cristianismo redivivo, proporciona-lhe as bases para uma perfeita atuação em sociedade, alertando-a sobre os riscos de negligenciar a sua verdadeira missão, como genitora e protetora de seus rebentos. Contudo, para que a valorização feminina seja plena, ela deve abarcar a dimensão da mulher na família e também no mundo. Somente a mulher pode livrar o mundo dos traços masculinos violentos, que são agressivos e materialistas.

“A maternidade é uma dádiva. Ajudar um pequenino a desenvolver-se e a descobrir-se, tornando-se um adulto digno, é responsabilidade que Deus confere ao coração da mulher que se transforma em mãe”.

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

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