03 junho 2012

Eliminando o Supérfluo


O que fariam Platão, Sócrates e Aristóteles com a enxurrada de e-mails?

Conforme o tempo vai passando, vamos acumulando muitos bens: livros, roupas, móveis, utensílios etc. Pergunta-se: o que temos em excesso, que coisas podemos descartar? Abramos o nosso guarda-roupa: quantas são as peças guardadas que nunca mais usaremos? Olhemos os nossos livros: quantos já foram corroídos pelo tempo? Quais deles nunca mais abriremos?  

De vez em quando, deveríamos refletir sobre o supérfluo, pois vamos juntando coisas e temos dificuldade de jogá-las no lixo. Alegações não faltam para mantê-las: este livro foi dado por um amigo: o que ele pensaria de mim se viesse à minha casa e não visse o seu livro na minha estante? Tal pessoa me deu este presente: o que ele pensaria de mim sabendo que eu me desfiz dele? 

Observe o nosso dia a dia: quantos comentários, sem necessidade, proliferam nos sites de relacionamento social? E se nos preocupássemos com algo mais profundo, algo que vá ao encontro de nossa necessidade de evolução espiritual? Será que não eliminaríamos muitos pensamentos vãos, superficiais?

Passemos para o campo da alimentação: quanta comida, influenciada pelas nossas emoções, não mandamos goela adentro? Alargamos de tal maneira o nosso estômago que, depois de algum tempo, somos obrigados a fazer cirurgia para diminuí-lo.

Há, também, o supérfluo, no campo da imaginação: quantas ideias, sem objetivo algum,  ficam vagando em nossa cabeça?

“O homem sempre chega tarde às verdades mais simples”, diz o anexim. Acostumados ao excesso, não percebemos que precisamos de muito pouco para viver feliz. Lembremo-nos do ensinamento de Jesus: “Tendo, porém,  sustento, e com o que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes”

Uma coisa que passa despercebida: quanto mais temos, mais temos que cuidar, limpar, mudar de lugar etc. Daí a pergunta: possuímos ou somos possuídos?

Aprendamos a nos desvencilhar do inútil. A crença de que vamos precisar no futuro pode ser errônea. 

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