18 dezembro 2014

Ideia Renovadora e Perseguição

Allan Kardec, na página 134 da Revista Espírita de 1868, discorre sobre "Porque toda Grande Ideia Renovadora Recebe o Batismo da Perseguição".

Tese: Que esperam, pois, da perseguição? Deter o impulso das ideias novas pela intimidação? Tal objetivo pode ser atingido? 

Começa dizendo que todas as ideias renovadoras, quer na ciência quer na moral, recebem o batismo da perseguição, porque elas ferem os interesses do preconceito, do status quo, do modus operandi. Mas a perseguição detém o seu curso? Não acontece o contrário, ou seja, essas ideias acabam crescendo. Os perseguidores trabalham contra si próprios, porque fazem crescer o que queriam estancar. Daí o anexim: "Ninguém atira pedra em árvore que não tem fruto". 

Como o Espiritismo é uma grande ideia, ele também devia receber o seu batismo. A perseguição dos opositores fez aumentar o interesse e a curiosidade para a ideia nova.

Acompanhemos algumas palavras de Allan Kardec: 

"A curiosidade é tanto mais superexcitada quanto mais a pessoa é cercada de mais estima e consideração; cada um quer saber o porquê e o como; conhecer o fundo dessas opiniões, que despertam tanta cólera; interrogam, leem, e eis como uma porção de gente, que talvez jamais se teria ocupado de Espiritismo, é levada a conhecê-lo, a julgá-lo, a apreciá-lo e a adotá-lo. Tal foi, como se sabe, o resultado das declamações furibundas, das interdições pastorais, das diatribes de toda sorte. Tal será o das perseguições. Estas fazem mais: elevam o Espiritismo ao nível das crenças sérias, porque diz o bom-senso que não se combatem quimeras.

A perseguição contra as ideias falsas, errôneas, é inútil, porque estas se desacreditam e caem por si mesmas. Tem como efeito criar partidários e defensores, e retardar a sua queda, porque muitos as consideram como boas, precisamente porque são perseguidas. Quando a perseguição se ataca a ideias verdadeiras, vai diretamente contra o seu objetivo, porque lhe favorece o desenvolvimento; é, pois, em todos os casos, uma inabilidade que se volta contra os que a cometem".

As perseguições podem impedir por algum tempo a propagação das ideias. Elas, porém, à semelhança das plantas, ficam na estufa: crescem mais depressa. 



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