22 janeiro 2015

Espiritismo Prático e Espiritismo Praticado

O Espiritismo é uma doutrina espiritualista, cujos princípios diretores foram codificados por Allan Kardec a partir do lançamento de O Livro dos Espíritos, em 1857. Diz-se que a Doutrina Espírita é ciência, filosofia e religião. O Espiritismo prático refere-se, geralmente, aos trabalhos de intercâmbio com o mundo espiritual, principalmente nas seções mediúnicas de desobsessão, em que o doutrinador tem a oportunidade de auxiliar os Espíritos menos felizes. 

O Espiritismo praticado tem um alcance maior. Segundo Allan Kardec, o verdadeiro espírita é aquele que pratica a lei de justiça, amor e caridade na sua maior pureza. No Espiritismo praticado, há necessidade da mudança de comportamento, pois o espírita sincero deve ser espírita tanto dentro de um Centro Espírita quanto no seu convívio com próximo, independentemente das circunstâncias. Nesse caso, pode haver discrepância entre o Espiritismo prático e o Espiritismo praticado. 

Observe o que nos mostra o Espírito Irmão X, na lição 24 "O Aviso Oportuno", do livro Contos e Apólogos. É o caso do doutrinador Noé Silva, austero orientador, rude e grosseiro, excessivamente convencido de seus próprios méritos, cujo comportamento hostil era estendido a quaisquer de seus contatos com os irmãos de jornada. 

No vigésimo aniversário do agrupamento que dirigia, um dos orientadores desencarnados se manifesta, em sinal de regozijo, felicitando a todos (carinho, abraço, palavras de incentivo...), menos para o dirigente.  

- E para mim, meu irmão, não há qualquer mensagem? 

– Tenho sim, tenho um recado para o seu coração.
Não espere a morte para extinguir os desafetos. Cultive a plantação da simpatia, desde hoje. A nossa fé representa a Doutrina do Amor e a cordialidade é o princípio dela. Não se esqueça do verbo silencioso do bom exemplo, das lições de renúncia e dos ensinamentos vivos com adequadas demonstrações. Se você estima o Espiritismo prático, não olvide o Espiritismo praticado. Você está sempre disposto a doutrinar os ignorantes e os infelizes do Espaço, mas está superlotando o seu espaço mental com adversários que esperam gostosamente o tempo de doutriná-lo.
E num gesto de carinhosa fraternidade, rematou em seguida a pequena pausa:
– Noé, esvazie o cálice de fel, desde agora; diminua a reprovação e reduza a extensão do espinheiral...
O nosso problema, meu caro, é o de não encher...
A sessão foi encerrada.
E enquanto os companheiros permutavam expressões de Júbilo, o arrojado doutrinador, com a cabeça mergulhada nas mãos, permaneceu sozinho, sentado à mesa, pensando, pensando... 






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