18 março 2019

Missão de Deus e Milagres

Muitos, ao longo do tempo, desempenharam funções religiosas, considerando-se missionários do Alto. Buda, depois do seu retiro nas planícies, fundou o budismo; Lao-Tsé resumiu o seu pensamento no Tao te Ching em apenas uma noite; Moisés recebeu os Dez Mandamentos aos pés do Monte Sinai; Maomé (fundador do islamismo) ouviu a voz do Anjo Gabriel enquanto meditava. No catolicismo, a escolha de alguns de seus representantes depende de estes terem realizado algum milagre.

Na Revista Espírita de 1862, um eclesiástico questiona: "Todos aqueles que tiveram missão de Deus de ensinar a verdade aos homens, provaram sua missão por milagres. Por quais milagres provais a verdade de vosso ensinamento?" Mas, o que é o milagre? O Espiritismo tem necessidade do milagre? Para ensinar a verdade, necessitamos realizar algum milagre?

O milagre, no entender das massas, é um fato extranatural. Em teologia, é uma derrogação das Leis Naturais, por meio do qual Deus manifesta o seu poder. No Espiritismo, é sempre coroamento, mas nunca derrogação das Leis Naturais, que funcionam igualmente para todos. É a designação de um fato natural ainda distante do entendimento fragmentário da criatura. Para uma boa compreensão do assunto, devemos analisar os fatos segundo a razão e com a ajuda dos benfeitores espirituais.

Para o Espiritismo, os milagres decorrem de uma falsa interpretação das Leis Naturais. Um estudo acurado dos fluidos esclarece-nos a questão. De acordo com Allan Kardec, há os fluidos emanados dos Espíritos (magnetismo espiritual), os fluidos do magnetizador (magnetismo humano) e uma interpenetração de ambos (magnetismo misto, semi-espiritual ou humano-espiritual). Com isso, explicamos o mecanismo das curas, das aparições e de tantos outros milagres que ocorreram ao longo do tempo.

Allan Kardec, em resposta à questão, tece alguns comentários. Eis um deles: "Se a verdade não fosse provada senão por milagres, poder-se-ia perguntar por que os sacerdotes do Egito, que estavam no erro, reproduziram diante do Faraó aquilo que Moisés fez? Por que Apolônio de Tiana, que era pagão, curava pelo toque, devolvia a visão aos cegos, a palavra aos mudos, predizia as coisas futuras e via o que se passava à distância? O próprio Cristo não disse: "Haverá falsos profetas que farão prodígios"?"

O Espiritismo não é um milagre por si mesmo? Continuando a análise de Allan Kardec, anotemos: "Nós cremos que a Doutrina Espírita é boa não só porque é nossa opinião, mas porque milhões de outros pensam como nós; porque ela conduz a crer aqueles que não creem; dá coragem nas misérias da vida. O milagre! é a rapidez de sua propagação, estranha nos fastos das doutrinas filosóficas; foi por ter, em alguns anos, feito a volta ao mundo, e estar implantada em todos os países e em todas as classes da sociedade; foi por ter progredido, apesar de tudo o que se fez para detê-la, de transtornar as barreiras que se lhe opôs; de encontrar um acréscimo de forças nas próprias barreiras..."

Se uma ideia é falsa, cai por si mesma. Com o Espiritismo, aconteceu o contrário, pois foi sempre ganhando mais apoiadores. Eis aí o verdadeiro milagre.


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