31 janeiro 2009

A Notícia e o "Eu" Interior

Como estamos usando o nosso tempo? Esta é uma questão relevante. Temos consciência das horas que passamos em frente à televisão? E na leitura de e-mails? E navegando na Internet? Caso nos obrigássemos a procurar outro uso do tempo, o que poderíamos fazer?

A imprensa vulgar divulga a tragédia e dá grande ênfase à delinqüência. O Espírito Emmanuel, no capítulo 146 - "Sirvamos em Paz" -, do livro Palavras de Vida Eterna, psicografado por Francisco Cândido Xavier, diz que isso é inevitável, porém, acrescenta: "Urge, no entanto, não dar, aos acontecimentos contrários à harmonia da vida, qualquer atenção, além da necessária. Basta empregar exageradamente a energia mental, num escândalo ou num crime, para entrar em relação com os agentes destrutivos que os provocaram. Ofereçamos ao repouso restaurativo ou à resistência ao mal mais tempo que o tempo indispensável e cairemos na preguiça ou na cólera que nos desgastam as forças".

Dando mais valor do que a notícia merece, transferimos para nós as vibrações deletérias que o caso encerra. Como para o nosso subconsciente, tudo é verdadeiro, passamos a vivenciar aquilo que está passando pelos nossos centros cerebrais. A insistência nesse fluxo mental pode, naturalmente, criar um processo obsessivo, sem que o percebamos de pronto. É a simbiose das mentes, em que Espíritos afins se alimentam mutuamente, como no caso da alga e do cogumelo.

Chegando a este estado mental, passamos a agir irrefletidamente, fazendo coisas contrárias ao nosso modo habitual de ser. Já não temos mais o domínio sobre o nosso "eu" e necessitamos de um socorro gratuito de Deus, visto não sermos mais capazes de nos livrarmos do incômodo. Os Centros Espíritas oferecem, para isso, os chamados trabalhos de Desobsessão.

Tenhamos em mente que a nossa tarefa é atingir o mais alto grau de atualização de nossas virtualidades. Todas as vezes que nos desviamos deste caminho, teremos que refazer o trajeto, porém, com mais dificuldade, exigindo de nós uma dose maior de força de vontade, porque além do esforço pela perfeição, temos também aquele que é despendido no combate ao hábito nocivo.

O processo de crescimento do "eu" interior pode ser comparado aos cuidados que devemos ter para com uma planta. Se lhe dermos adubo e a regarmos frequentemente, ela crescerá naturalmente. Poderá atingir o objetivo pela qual existe, ou seja, dar os frutos sazonados. Se a deixarmos sem cuidado algum, poderá perecer ou dar frutos mirrados. O mesmo acontece com a nossa alma. Dando-lhe as condições necessárias, crescerá na promoção do bem geral. Em caso contrário, poderá enveredar pelo caminho do mal.

Não estamos no planeta Terra para dar satisfações a este ou aquele, mas para atender à vontade daquele que nos enviou. Por isso a frase: "de que adianta ganhar o mundo todo e perder a sua alma?" De que adianta buscar fama, honra e riqueza, se as conseqüências do que foi buscado nada tem a ver com o nosso progresso interior?

Sintetizando: aprendamos a nos contentar com o que temos. Somente assim poderemos nos aproximar do Reino de Deus, que é a perfeita união de nossa alma com aquele que nos criou.

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18 janeiro 2009

O Mestre e o Discípulo

O discípulo é aquele que, com um mestre, aprende uma ciência ou arte, e dele recebe os conhecimentos de uma doutrina. Em se tratando de Jesus, fala-se em discípulos do Senhor. Em primeiro lugar, os 12 Apóstolos; depois, os outros 72 que Jesus mandava adiante de si aos lugares onde tencionava pregar (Luc., 10). Em sentido geral, também eram chamados discípulos os que acreditavam em Cristo e se propunham seguir sua doutrina, instruídos por ele ou pelos apóstolos e evangelistas.

A relação entre mestre e discípulo é antiga. Platão tinha os seus discípulos; Aristóteles também. Recentemente, tem-se indagado acerca da transmissão de conhecimento, da didática em diversas áreas do saber. Os cursos de Filosofia no Brasil, que formavam especialistas em idéias de outros países, estão mudando o foco e instruindo discípulos que pensem a filosofia brasileira, no sentido de discutir temas e problemas inerentes à necessidade do povo brasileiro.

De acordo com Ana Miriam Wuensch, "A missão do mestre não é ensinar, não é dar aulas ou transmitir a sua erudição, não é formar, não é se fazer entender ou mesmo justificar-se, como ocorre nas tarefas pedagógicas. O mestre não diz; cala". Em realidade, "O mestre é um anti-pedagogo, pois não conduz o discípulo a um lugar que já exista. E o discípulo descobre, com o mestre, que este lugar que não existe, é a sua própria missão. O mestre não ensina, mas está presente na aprendizagem significativa do discípulo".(1)

O pensamento acima descrito, no âmbito da filosofia, pode perfeitamente ser aplicado na Doutrina Espírita e, mais especificamente, nos Centros Espíritas. Em Filosofia, o mestre difere do pedagogo, aquele que ensina. O mestre não é o que ensina, mas aquele que transforma o seu discípulo. A nossa função, numa Casa Espírita, não é mostrar erudição acerca dos princípios espíritas, mas procurar, primeiramente, nos transformarmos interiormente, para servirmos de exemplo aos que estão chegando.

Todos nós somos, ao mesmo tempo, mestres e discípulos. Somos mestres daqueles que estão vindo depois de nós; discípulos, daqueles que nos antecederam. A consciência dessa relação intermediária deve permear todas as nossas atividades dentro de uma Casa Espírita. Isso evita a vanglória, principal estimuladora do orgulho e da vaidade. Em seu lugar, devemos plantar a humildade, o fundamento de todas as virtudes do ser humano.

Temos olhos e não vemos. Quantas não são as vezes que nos chamam a atenção para as coisas mais simples da vida e nós preferimos as mais complicadas? Em síntese, sejamos mestres de nós mesmos. Só assim poderemos ser mestre dos outros.

(1) WUENSCH, Ana M. Por uma Didática da Filosofia. In: SARDI, Sérgio Augusto, SOUZA, Draiton Gonzaga e CARBONARA, Vanderlei (org.). Filosofia e Sociedade: Perspectivas para o Ensino de Filosofia. Ijuí: Ed. Unijuí, 2007. (Coleção Filosofia e Ensino;11)

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06 janeiro 2009

Do Conhecido para o Desconhecido

O ser humano é, por natureza, limitado. Insere-se no mundo através dos preconceitos, das idiossincrasias e das tradições familiares. O atendimento às suas necessidades materiais toma-lhe grande parte de seu tempo. É guiado pelo desejo de não ficar atrás das outras pessoas. Por isso, quer obter status, o que lhe traria felicidade. Preocupa-se mais com o sucesso, o êxito e o bem-estar do que com qualquer outra coisa.

De acordo com o Espiritismo, Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom. É a sabedoria das sabedorias, o todo onipotente. A nossa distância para com Deus é infinita. Essa distância entre nós e Deus é que marca o desconhecido, ou melhor, a relação entre o conhecido e o desconhecido. A cada nova existência somos compelidos a diminuir essa distância através de novas provas e expiações.

A nossa principal tarefa, nesta e em outras encarnações, é passar do conhecido para o desconhecido. O espírito crítico é útil, mas nem sempre provoca uma transformação radical no ser humano. Por isso, para passarmos do conhecido para o desconhecido necessitamos de uma ajuda dos benfeitores espirituais. Como penetrar num mundo que não nos é conhecido? Como sair de nossa limitação sem as inspirações e avisos deles?

Embora não tenhamos capacidade de penetrar no mundo espiritual sem o concurso dos bons Espíritos, podemos nos preparar melhor para esta oportunidade. Comecemos, assim, pelo desprendimento de nossa personalidade, de nosso egoísmo, de nossas mais caras atenções.

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03 janeiro 2009

Ciência da Elevação

Muitas vezes nos pegamos deslocados em diversas ocasiões, principalmente nas festas. Já não apreciamos o consumo de bebidas, as comidas fora de hora, as músicas barulhentas etc. Sentimos-nos entristecidos e não vemos a hora que esses momentos passem para voltarmos às nossas atividades habituais.

Esse status quo vem confirmar a mensagem 70, "Solidão", do livro Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel, quando este se refere à crucificação de Cristo. Em certa parte do texto ele nos diz: "À medida que te elevas, monte acima, no desempenho do próprio dever, experimentas a solidão dos cimos e incomensurável tristeza te constringe a alma sensível". Mais adiante, escreve: "Em torno de ti, a claridade, mas também o silêncio. Dentro de ti, a felicidade de saber, mas igualmente a dor de não seres compreendido".

Como o acaso não existe, urge aproveitarmos todas as situações em que formos colocados, extraindo delas lições valiosas para o nosso crescimento espiritual. Se o barulho, as conversações e as gritarias já não mais nos satisfazem, é porque as nossas necessidades interiores são de outros matizes. Mesmo que nos sintamos deslocados, menosprezados e incompreendidos, continuemos com o nosso bom humor, pois nunca iremos prescindir dos nossos amigos e familiares.

Não queiramos que os outros pensem pela nossa cabeça. Cada um de nós está num nível de evolução espiritual diferente. Aquilo que é o deleite deles pode ser o nosso pesadelo, mas nem por isso eles estão errados e nós certos. Observe que renunciar ao pai, à mãe e aos parentes não é abandoná-los, o que seria muito mais fácil, mas compreendê-los em suas lutas, em suas disposições e em suas ações.

Lembremo-nos de que a pedra sofre a ação do buril para se tornar peça de adorno, a semente se apaga na cova para nos dar os frutos sazonados e muitos benfeitores da humanidade tiveram que passar muito tempo na obscuridade para nos trazer a luz dos conhecimentos superiores. Do mesmo modo, a nossa solidão com serviço aos semelhantes gera a grandeza de alma, que só futuramente saberemos reconhecer com mais exatidão.

"Que importa a ti, segue-me tu", dizia Jesus. Saibamos compreender cada irmão do caminho, contudo, não esperemos por este ou aquele.

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