25 junho 2020

Bem-Aventurados os Aflitos

Aflição Agonia, atribulação, angústia, sofrimento. Na essência, é o reflexo intangível do mal forjado pela criatura que o experimenta. Frequentemente, aflição é a nossa própria ansiedade, respeitável mas inútil, projetada no futuro, mentalizando ocorrências menos felizes que, em muitos casos, não se verificam como supomos e, por vezes, nem chegam a surgir. (Equipe FEB, 1997)

As causas das aflições devem ser procuradas tanto no presente (atual encarnação) como numa existência passada. Devemos partir do princípio de que elas são justas. Se assim não pensarmos, poderemos cair no erro de jogar a culpa nos outros ou em Deus. Quer dizer, tudo o que se nos acontece tem um motivo, embora nem sempre o saibamos explicar com clareza. Assim, diante de um sofrimento, consultemos friamente a nossa consciência: Se eu tivesse, ou não tivesse, feito tal coisa eu não estaria em tal situação".

Suicídio, mortes prematuras, doenças prolongadas, tuberculose, Aids etc. são alguns exemplos de dor e sofrimento. Ao morrer um jovem e não um velho, dizemos que Deus é injusto, e nos revoltamos contra Ele. Esquecemo-nos de que a morte é preferível aos desregramentos vergonhosos que desolam as família honradas, partem o coração da mãe, e fazem, antes do tempo, branquear os cabelos dos pais. (Kardec, 1984, cap. 5, it. p. 85 a 87)

Melancolia, Infelicidade, remorso, tormentos e apatia são alguns dos estados de nossa alma. Em se tratando da melancolia, podemos sentir uma vaga tristeza que se apodera de nossos corações e achamos a vida tão amarga. É que o nosso Espírito aspira à felicidade e à liberdade e que, preso ao corpo que lhe serve de prisão, se extenua em vão esforços para dele sair. Mas vendo que são inúteis, cai no desencorajamento  e na languidez. (Kardec, 1984, cap. 5, it. 25, p. 90)

A dor não é castigo: é contingência inerente à vida, cuja atuação visa a restauração e o progresso. A dor-expiação é cármica, de restauração, é libertação de carga que nos entrava a caminhada; é reajuste perante a vida, reposição da alma no roteiro certo. Passageira, nunca perene. A dor-evolução, tem existência permanente, embora variável segundo as experiências vividas pelo espírito.  Ela acompanha o desenvolvimento, é sua indicação, é sinal de dinamização, inevitável manifestação de crescimento. 

"Saibamos sofrer e sofreremos menos". Eis o dístico que devemos nos lembrar em todos os estados depressivos de nossa alma, a fim de nos fortalecermos para o futuro. 

Bibliografia Consultada 

CURTI, R. Bem-Aventuranças e Parábolas. São Paulo, FEESP, 1982.
EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro, FEB, 1995.
IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo, Edições Paulinas, 1983.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.
XAVIER, F. C. Ação e Reação, pelo Espírito André Luiz. 5. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1976.

02 junho 2020

Via-Crúcis

Via-Crúcis, também conhecida por Via-Sacra, Via Dolorosa, na tradição cristã, representa o trajeto que Jesus seguiu em Jerusalém, carregando a cruz, desde o pretório ou tribunal de Pilatos até o Calvário. Há, porém, uma pequena diferença, ou seja, a Via-Crúcis e a Via Dolorosa dizem respeito ao caminho percorrido por Cristo; a Via-Sacra, ao exercício de piedade que consiste na meditação sobre cada um desses episódios.

O sentido figurado da Via Dolorosa: conjunto das orações que se dizem diante desses quadros; sacrifício; padecimento. Não se sabe a data original dessa devoção, mas houve grande incremento na época das Cruzadas, quando os fiéis regressavam de Jerusalém.

Os quadros (estações ou passos) surgiram paulatinamente e representam as cenas da Paixão de Cristo a serem meditadas pelos Seus seguidores e devotos:

Estação 1: Jesus é condenado à morte;
Estação 2: Jesus carrega a cruz às costas;
Estação 3: Jesus cai pela primeira vez;
Estação 4: Jesus encontra a Sua Mãe;
Estação 5: Simão de Cirene ajuda Jesus;
Estação 6: Verônica limpa a face de Jesus;
Estação 7: Jesus cai pela segunda vez;
Estação 8: Jesus encontra as mulheres de Jerusalém;
Estação 9: Jesus cai pela terceira vez;
Estação 10: Jesus é despojado de Suas vestes;
Estação 11: Jesus é pregado na cruz;
Estação 12 : Jesus morre na cruz;
Estação 13: Jesus é descido da cruz;
Estação 14: Jesus é sepultado.

Estacões ou passos, que assim se foram divulgando, não tinham número fixo. Foi somente no século XVIII que a Igreja fixou em 14 o número de estações e definiu o seu objeto a partir das narrações evangélicas e de alguns episódios apócrifos mais do gosto popular, como o encontro com a Verônica.

Bibliografia Consultada

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO ILUSTRADO VEJA LAROUSSE. São Paulo: Abril, 2006.
ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]
GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.].