22 janeiro 2020

Jesus: Um Retrato do Homem (Livro)

A. N. Wilson, colaborador de publicações como Times Literary Supplement, New Statesman, Spectator e Observer, publicou, em 2000, Jesus: Um Retrato do Homem. Começa o prefácio com a seguinte frase: "O Jesus da História e o Cristo da fé são dois personagens distintos, com histórias muitos diferentes. É difícil reconstruir o primeiro, e, na tentativa de fazê-lo, é provável que pratiquemos dano irreparável contra o segundo". 

Como a fé cristã enaltece o mito do Salvador, nascido em Belém, é muito difícil, inclusive para o cristão, aceitar o Jesus histórico, que nasceu na Galileia. 

Daí, o seu questionamento. Quais são as fontes de nossas crenças sobre Jesus? Como saber se são fidedignas? É possível a um leitor do século XX, que consulte tais fontes, acercar-se desse homem, ou imaginar, de algum modo mais preciso o que ele pode ter sido? Até que ponto a fé cristã depende da História?... A história de uma criança ter nascida num estábulo em Belém porque não havia um quarto vago numa estalagem é um dos mitos mais poderosos jamais servidos à raça humana. Nenhum dos Evangelhos diz que ele nasceu num estábulo, e praticamente todos os detalhes das cenas da natividade. 

A partir de uma análise desses textos e de outros registros da época, propõe novas versões sobre diversas passagens da vida de Jesus, como o seu nascimento em Belém, sua vida como carpinteiro em Nazaré ou na última fase, a traição de Judas e a instituição da Eucaristia. Ele apresenta também algumas teorias sobre o papel desempenhado por São Paulo.

Os capítulos do livro: 1) "Jesus, o Judeu"; 2) "Paulo"; 3) "O Peixe Cozido, ou Como Ler um Evangelho"; 4) "A Assombrosa Infância de Jesus"; 5) "O Precursor"; 6) "A Galileia"; 7) "Paz: a Multiplicação dos Pães"; 8) "O Homem Montado num Jumento"; 9) "O Homem do Cântaro e o Jovem Nu"; 10) "O Julgamento"; 11) "Jesus Cristo". 

Este livro, de A. N. Wilson, é um bom complemento ao trabalho de José Herculano Pires, no seu Revisão do Cristianismo, cujo objetivo é distinguir o mito da realidade. Serve para aclarar pontos obscuros do cristianismo. E como diz José Herculano Pires: "Jesus combateu a magia e os mitos, mas o Cristianismo se organizou na sistemática mitológica e acabou transformando o próprio Mestre em mito". Ainda: Renan, através das pesquisas históricas, e Kardec, através das comunicações mediúnicas, chegaram às conclusões de que os ensinos morais do mestre são os de real valor. A revelação, por exemplo, tem no Espiritismo um caráter humano e divino.

WILSON, A. N. Jesus: Um Retrato do Homem. Tradução Ruy Jungmann. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.