28 fevereiro 2019

Espiritismo: Ideia Nova

O Espiritismo é uma doutrina dos Espíritos e não de Allan Kardec. Allan Kardec apenas codificou, ou seja, reuniu o material ditado pelos Espíritos, material este colhido das diversas comunicações mediúnicas ao redor do mundo. A Doutrina Espírita fundamenta-se nas obras básicas, que são O Livro dos Espíritos, (1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868), e nas obras complementares, principalmente as doze coleções da Revista Espírita (1858-1869).

Ideia nova é uma ideia que vai de encontro com o status quo da concepção comum. É como um despertar para novas realidades. As mentes fechadas preferem ficar resistentes, empedradas no velho, no cotidiano. Mas a espiritualidade sempre manda os seus mensageiros para nos despertar do sono e acordarmos para uma nova vida, uma vida de mais conhecimentos, de mais esperança e de mais fé no futuro. 


Toda ideia nova tem os seus contraditores; o Espiritismo não fugiu à regra. No âmbito dos ensinamentos espíritas, Allan Kardec observa que a maior parte das objeções que se faz à doutrina provém de uma observação incompleta dos fatos e de um julgamento precipitado. Num dos seus diálogos com o crítico, em O Que É o Espiritismo, diz:  "Se o Espiritismo é uma falsidade ele cairá por si mesmo; se, porém, é uma verdade, não há diatribe que possa fazer dele uma mentira".


Na Revista Espírita de 1865, há dois assuntos pertinentes à ideia nova.

1) Um Sermão sobre o Progresso 
Escrevem-nos de Montauban:

Um pregador protestante, Sr. Rewile, capelão do rei da Holanda, em um discurso pronunciado diante de duas mil pessoas, se afirmou decididamente como partidário das ideias novas.

Ao comentar a frase "Eu não vim destruir a lei e os profetas, mas cumpri-la. Amai-vos de todo vosso coração, de toda vossa alma, de todo vosso pensamento, e vosso próximo como a vós mesmos", diz que a missão do Cristo entre os homens foi uma missão de caridade e de espiritualidade; sua doutrina, parecia, pois, que estava em oposição com a dos Judeus, cujo princípio era: "a observação estrita da letra," princípio que engendrava o egoísmo...

De posse do texto completo, Allan Kardec fez a seguinte observação:

"Os Espíritos disseram bem que o Espiritismo iria encontrar defensores nas próprias fileiras de seus adversários. Um tal discurso na boca de um ministro da religião, e pronunciado do alto do púlpito, é um acontecimento sério. Esperemos ver outros deles, porque o exemplo da coragem de opinião é contagioso. As ideias novas não tardarão, não mais, a encontrar combatentes devotados na alta ciência, na literatura e na imprensa; elas ali já têm mais simpatias do que se crê; isso não custa senão o primeiro passo. Até este dia pode-se dizer que, à exceção dos órgãos especiais do Espiritismo, que não se dirigem à massa do público indiferente, só nossos adversários tiveram a palavra, e Deus sabe se dela usaram! Agora a luta se inicia; que dirão quando virem nomes justamente honrados e estimados sair de suas fileiras, tomar abertamente à mão a bandeira da Doutrina? Está dito que tudo deve se cumprir."

2) Imigração dos Espíritos Superiores para a Terra.

(Sociedade Espírita de Paris, 7 de outubro de 1864. - Médium, Sr. Delanne

"Sim, grandes mensageiros estão entre vós; são aqueles que se tornarão os sustentáculos da geração futura. À medida que o Espiritismo vai crescer e se desenvolver, Espíritos de uma ordem cada vez mais elevada virão sustentar a obra, em razão das necessidades da causa. Por toda a parte Deus distribui sustentáculos para a Doutrina; eles surgirão em tempo e lugar. Assim, sabei esperar com firmeza e confiança; tudo o que foi predito acontecerá, como o disse o santo livro, até um iota".

Ainda: "Eis porque dizia há pouco que a imigração de Espíritos superiores se operaria sobre a vossa Terra para ativar a marcha ascendente de vossa Humanidade. Redobrai, pois, de coragem, de zelo, de fervor pela causa sagrada. Sabei-o, nada deterá a marcha progressiva do Espiritismo, porque poderosos protetores continuarão vossa obra". (Mesmer).



15 fevereiro 2019

Homem sem Palavra

O que acontece quando alguém se habitua a prometer coisas sem as cumprir? Isso prejudica a sua evolução espiritual? Em que sentido? Que subsídios o Espiritismo nos oferece para iluminar tal questão?

Por que compramos um produto no mercado? Porque confiamos nele, ou seja, que não esteja adulterado. E se tiver? Quebra a confiança no sistema econômico como um todo. Vejamos a questão da autenticidade da palavra. Quando não falamos a verdade, prejudicamos a confiança no sistema ao qual estamos inseridos. Consequentemente, um fica sempre desconfiando do outro.

Por imprudência o vizinho quebra o nosso telhado. Ele vem, dá uma olhada, e diz: amanhã irei consertar. Passa-se uma semana, vamos lá, e ele diz novamente: amanhã irei consertar. E nunca mais aparece para refazer o estrago. Suponhamos que essa prática seja constante na vida dessa pessoa. Como os outros o avaliam? Dizem simplesmente que é um "homem sem palavra".

O Espiritismo nos informa a respeito da lei natural, que está escrita em nossa consciência. Jesus a expressou por meio de seus ensinamentos e das suas parábolas. Esses ensinamentos não são compulsórios, mas servem como um modelo norteador de nossa conduta. Agindo de conformidade com essas instruções, seremos felizes, pois construiremos um futuro livre de amarras, amarras que nos prendem ao passado de erros.

O Espírito Emmanuel, no capítulo 38 "Se Soubéssemos", de Fonte Viva, esclarece-nos que: se o homicida, o glutão, o caluniador e o egoísta  soubessem de antemão o que a vida lhes espera além-túmulo, prefeririam não ter forças para desferir qualquer golpe. Não cumprindo a palavra dita, geramos consequências para nossas ações futuras. Contudo, o mais grave é o tipo de exemplo que passamos aos outros. Por isso, diz-se que é muito fácil escrever um livro de mais de mil preceitos morais e muito difícil de colocar em prática apenas um deles.

Jesus é o nosso mestre, o exemplo a ser seguido. Condenado injustamente, carregou a cruz e foi crucificado para nos dar o exemplo de submissão ao Pai. E nós, o que fazemos? Queremos arranjos, subterfúgios e auxílios escusos, tudo para encobrirmos a falta que cometemos, o nosso crime. Ainda que não sejamos punidos pela justiça humana, a nossa consciência não nos deixa livres. Mais cedo ou mais tarde teremos que enfrentar o problema.

Observemos os erros dos outros e reflitamos se não os cometemos também. Caso aconteça, façamos os esforços para superar tal anomalia de nossa personalidade.